Levando o pão de queijo brasileiro para o Shark Tank – Com Junea Rocha
Levando o pão de queijo brasileiro para o Shark Tank – Com Junea Rocha
07/04/2022
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Convidado:
Junea Rocha
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Postado em :
07/04/2022
O pão de queijo é uma iguaria que é uma verdadeira paixão nacional, é difícil encontrar um brasileiro que não seja apaixonado por essa delícia. A mineira Junea Rocha vivia nos Estados Unidos quando percebeu a possibilidade de transformar essa paixão em negócio.
Neste episódio do podcast “ImiGrandes”, a conversa é com Junea Rocha, uma brasileira que deixou o mundo corporativo americano para empreender com pães de queijo, e participou até do Shark Tank, importante programa sobre empreendedorismo.
Quer ver a história dessa empreendedora que fez o pão de queijo cair nas graças do público americano? Dê um play neste episódio!
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Levando o pão de queijo brasileiro para o Shark Tank – Com Junea Rocha
Produção: Voz e conteúdo | https://www.vozeconteudo.com.br – @vozeconteudo
Transcrição
Entrevistador – Olá, pessoal. Tudo bem? Sejam muito bem-vindos. Eu sou o Juliano Godoy e este é o Imigrandes. Hoje é um episódio muito especial para mim. E ele é especial por dois motivos: primeiro, porque eu entendo muito sobre o assunto que a gente vai falar hoje e eu vou contar um pouco mais sobre isso. E o segundo, porque, para mim, é a prova de que quando você trabalha sério, com dedicação, fazendo as coisas de maneira correta, o universo conspira para te ajudar. Então, hoje, a gente vai receber aqui a Junea Rocha, que é fundadora e CMO da Brazi Bites que, entre outras coisas, vende pão de queijo congelado aqui nos Estados Unidos. Junea, tudo bem? Prazer ter você aqui com a gente no nosso podcast.
Junea – Olá, Juliano. É um prazer aqui estar com você hoje.
Entrevistador – Obrigado. Deixa eu te explicar um pouco mais essa minha introdução. Então, primeiro, porque eu acho que eu entendo desse assunto. Eu sou mineiro, cresci em Patrocínio, interior de Minas, então o pão de queijo fazia parte do meu dia a dia. Entendo bastante de comer pão de queijo e a minha mãe faz um pão de queijo muito bom, a dona Isabel. Então, o seu também é muito bom, mas receita de mãe é receita de mãe, né? Então não…
Junea – Não vou discutir com isso.
Entrevistador – E sobre as coincidências da vida. Então eu te contei um pouco, quando a gente se conheceu, mas, assim, quando eu comecei esse podcast, há quatro meses atrás, eu fiz uma… Comecei por quem eu conhecia, fiz uma lista de quem eu conhecia, para poder começar o podcast etc. E eu tinha uma lista de pessoas aspiracionais, gente que eu não conhecia, mas eu pensei comigo mesmo: “puxa, ia ser muito legal se um dia eu conseguisse trazer essa pessoa aqui”. E você era uma das pessoas que estava nessa lista. Porque eu conhecia a tua história, tinha te visto no Shark Tank e falei: “putz, ia ser sensacional se eu pudesse um dia trazer a Junea, porque a história dela é uma baita inspiração para todo brasileiro que está empreendendo aqui nos Estados Unidos”. E aí, por essas coincidências da vida, eu entrevistei a Kátia (Nutrit) [00:02:00] no episódio quatro e aí descobri que a Kátia te conhecia, a Kátia fez a conexão e a gente está aqui hoje. Então obrigado à Kátia por fazer o contato, fazer a ponte. E, de novo, obrigado a você por estar aqui, estou realizando aqui um sonho, de verdade mesmo. Então valeu por estar aqui com a gente.
Junea – Obrigada, Juliano.
Entrevistador – Mas para quem não te conhece, para quem não te viu no Shark Tank. Vamos começar, então, contando um pouquinho da sua história, como você chegou até aqui.
Junea – Então, a história, assim, de vinda aos Estados Unidos… Vou contar um pouquinho do Brasil. Eu sou mineira também, é claro, na honra aqui com o pão de queijo bem autêntico, da minha família também. Nasci no interior de Minas e mudei para Belo Horizonte e fiz a época de escola, cresci, tudo, em Belo Horizonte. Então me considero belorizontina mesmo. Lá que tive a maioria da minha vida no Brasil. Fiz faculdade na UFMG, lá em Minas Gerais. Formei em Engenharia Civil. Acho que, assim, na nossa comunidade brasileira é muito comum, né? Aquela cultura e aquela direção de vida, assim, engenheiro, médico, advogado… Então minha família é cheia de advogado e eu fui na área da engenharia.
Entrevistador – Sua família queria ter um doutor na família, né?
Junea – Queria ter um doutor, mas virou mais… Muito advogado, muito advogado. E eu não tinha… Não tinha o estilo de advogada, não era para mim. Então, naquela fase de faculdade, acabei fazendo engenharia e me formei na UFMG. E aí, quando me formei no Brasil, em engenharia, eu estava, na época, namorando com um americano, que hoje em dia é o meu marido e é o cofundador, que construímos a vida aqui, mas, naquela época de faculdade era… A gente estava namorando. E aí eu resolvi vir para os Estados Unidos para continuar o relacionamento e para ver no que tinha que dar. Então eu tinha acabado de me formar. Então, me formei, quando vim para os Estados Unidos, estava recém-formada na engenharia e comecei a trabalhar como engenheira. Então, assim, um pouquinho de sorte na época, eu tinha um inglês muito fluente, já pisei aqui nos Estados Unidos com inglês fluente, por causa de ter estudado a vida inteira, de ter feito intercâmbio de trabalho e todas essas coisas. Estava numa época com muita demanda aqui, quando eu mudei, foi em 2005, então já tem bastante tempo, estava com muita demanda para engenheiro na época. Então dei bastante sorte nesse aspecto, estava com um boom de construção. Então, assim, foi… Porque é uma pergunta que eu recebo muito de brasileiro: como que você formou no Brasil…
Entrevistador – E já conseguiu emprego aí?
Junea – Já pisou aqui nos Estados Unidos e conseguiu emprego? Como engenharia é um diploma que é bastante valorizado aqui nos Estados Unidos, tanto no Brasil também, tem muita demanda na área e construção, gerenciamento de construção, de projetos, é um pouco mais amplo. Então eu tive um… Eu acho que esse foi um momento de sorte, sabe? Porque pisar aqui nos Estados Unidos e, imediatamente, começar a trabalhar no mercado americano como americana, como recém-formada, sim, por causa da demanda. Então um pouquinho de sorte na vida naquele momento. Trabalhei nisso quase uma década, assim, comecei minha carreira nesse ramo… Durante, assim, sete, oito anos, começando do (ground-up) [00:05:12]. Pensa aquela pessoa recém-formada que começa a desenvolver carreira. Tinha 20 e poucos anos na época e tal.
Entrevistador – E para engenharia não precisa revalidar o diploma, é isso? Com o mesmo diploma que você tinha… Ou você precisou fazer algum tipo de prova, alguma coisa para revalidar o seu diploma aqui? Ou não, você entrou normalmente?
Junea – Não precisei porque a engenharia, que era o meu trabalho, era a engenharia de administração de projetos. E se eu quiser, por exemplo, fazer design e for assinar projetos e tal, eu teria feito as certificações, mas não era a área que eu queria ir. Minha personalidade era mais de gerenciar projetos, então era um que não precisava de certificação. E bate mais com a minha personalidade, a gente vai falar mais, assim, dessa trajetória, como virar empreendedora de pão de queijo, mas a minha personalidade era mais desse negócio de gerenciar e tal. Então foi uma base muito positiva, apesar de que, assim, a engenharia e gerenciamento de obra não é uma carreira que… Que era uma carreira que muito me inspirava, que eu me via e falava assim: “ah, eu quero construir minha vida em cima disso”. Mas, quando você é recém-formado, você tem que aprender naqueles primeiros anos. Então foi muito positivo nesse aspecto, porque era um ambiente muito competitivo, muito dinâmico, muito cheio de problem solving e me forçou, tipo assim, me jogou no fogo já, recém-formada, e numa indústria que não tinha brasileiro, não tinha quase ninguém internacional, muito masculina, né?
Entrevistador – É isso que eu ia te perguntar, também não tinha muita mulher nessa indústria, né?
Junea – Pouca mulher. A indústria da construção não tem mulher no mundo inteiro, é global essa característica. Então você imagina, assim, esse foi o início da minha carreira. Aprendendo, assim, com todos esses obstáculos, mas fui aprendendo e fui continuando e fui… Sempre coloquei, assim, a cabeça para baixo e trabalhando e aprendendo… E fui crescendo nessa empresa, nessa carreira. Aí, tipo assim, sete anos depois, eu estava numa situação muito boa, já estava com uma posição de destaque dentro da empresa, já tinha construído toda a minha carreira lá, mas tinha aquela vozinha, assim, né? Tipo assim, essa empresa que eu comecei a minha carreira é uma empresa fenomenal, corporativa, que te dá todas as… Sabe? As bases…
Entrevistador – Os benefícios.
Junea – Tudo. Mas é uma carreira que as pessoas vão ficando lá 30 anos. Porque eles vão te dando todos os benefícios… Sabe? Então, eu estava no fim da… Tipo assim, 20 e tantos anos, já quase nos 30, trabalhando há 8 anos aqui nos Estados Unidos sem parar. Eu tinha começado a evoluir minha carreira, eu já entendia, assim… Comecei a entender minhas… Como eu era profissionalmente, assim, esses early days, que você começa a se conhecer um pouco, o que eu gosto, o que eu não gosto. Mas tinha aquela vozinha assim, eu não quero ficar aqui minha carreira, 40 anos aqui construindo, 30 anos, o que for. E daí que veio a ideia de trazer o pão de queijo para os Estados Unidos. Foi tipo aquele momento, assim, eu acho importante contar essa trajetória para o pessoal, porque teve uma base importante que ajudou a gente ter o sucesso e trazer a marca aqui. Essa base que eu tive de quase uma década trabalhando sem parar numa indústria muito dinâmica, muito competitiva, ela me preparou.
Entrevistador – Sim.
Junea – Para o que viria em frente e o que é construir uma empresa de alimentos do zero.
Entrevistador – Toda essa parte de gerenciamento de projeto que você falou, né? Acho que isso foi uma base, depois, para você começar a sua empresa também, né?
Junea – Sem dúvida.
Entrevistador – E aí você… Você está em Portland hoje, né?
Junea – Moro em Portland. Moro aqui desde que mudei.
Entrevistador – Isso que eu ia falar. Você foi para aí porque o seu futuro marido, namorado na época, já estava aí, então foi por isso que você escolheu Portland, né?
Junea – Exato.
Entrevistador – Entendi. E como foi começar um negócio em Portland? Porque não um dos… Não sei, pelo menos eu estou aqui no Texas, antes eu estava em Chicago, então Portland é um pouco mais longe. Então é mais fora dos grandes centros, digamos assim. Você sentiu mais dificuldade por estar aí, ou não? Foi indiferente?
Junea – Tem algumas dificuldades e alguns benefícios. Então, assim, Portland, para quem não conhece, está aqui na costa oeste dos Estados Unidos, mais ou menos entre São Francisco e Seattle. Uma cidade de mais ou menos um milhão de habitantes. Então não é uma cidade pequena, né? Mas é uma cidade média. É considerada aqui nos Estados Unidos. Geograficamente localizada, é costa. Então, assim, tem suas limitações. Eu acho que para abrir negócio do zero, se você não tivesse família, conexão local nenhuma e você fala assim: onde você vai começar um negócio nos Estados Unidos? Tem lugares melhores, such as Texas, né, Juliano? A sua base aí, porque a localização, onde que está, benefício para a empresa e todas as coisas. Então, assim, tem esses obstáculos. Coisas que foram mais difíceis aqui, eu vou dizer, por exemplo, localização no mapa aqui, na costa. É um lugar que é menos diversificado, apesar de que é uma cidade média, então não é uma cidade do interior que é super, assim, não diversificada, mas ela é uma cidade de médio porte, é uma cidade que, historicamente, é considerada mais branca, americana, ela tem menos internacionais, esse global lifestyle, então esse é um obstáculo. Mas, no positivo, é um lugar que tem muito… Muito empreendimento de alimentos. Então é um lugar que ele está na frente do país em relação à indústria de alimentos naturais. Então tem uma cultura muito forte aqui de farm’s market, de entender quem são os produtores do seu produto, é uma comunidade que te apoia… Então, a gente teve uns benefícios grandes, assim, bem nos early days, no início da empresa, que foram boas. E eu acho importante para todos os empreendedores, assim, você tem que achar a sua comunidade local, porque você sempre vai começar local. Ou você fica local, regional, ou você vai virar nacional ou global, o que for, você tem que começar de algum lugar, então ter essa comunidade local que apoia é bem positivo. Por exemplo, vou dar tipo uns dois exemplos. Quando a gente, no início da empresa, a gente começou a fazer parte de grupos locais de apoio, de suporte, tinha um grupo que era só de produtores de alimentos. Então, como aqui é uma área que tem muita produção e empreendedorismo relativo à área de alimentos, você tem uma comunidade que educa uns aos outros, suporta uns aos outros. Tem muito lugar para você alugar, isso que eles chamam de commercial kitchen, aquelas cozinhas comissárias. Então existe uma infraestrutura aqui legal para poder suportar na parte de alimentos. E também existe uma infraestrutura legal de empreendedores, porque é uma área bem criativa. Então você pensa assim: a Nike está aqui, a Adidas está aqui, tem bastante coisa de esporte, tem muito café, muita criatividade relativa a isso. Então a gente fazia parte de um grupo de empreendedores aqui, ainda fazemos hoje, que foi, assim, fundamental em momentos de crescimento dos primeiros cinco anos, quando a gente passou por obstáculos megas, que você acha que você não vai dar conta de seguir em frente, grupos de apoio. Então, assim, são coisas que a comunidade aqui tem, tem vários outros lugares nos Estados Unidos que também têm. Mas isso ajudou.
Entrevistador – Sim. Legal. E Junea, então conta para mim um pouco, assim, depois de sete anos no mundo corporativo, veio essa vontade de empreender etc. Mas aí, como é que, então, surgiu a ideia da Brazi Bites? Por que pão de queijo? Por que não empreender com um milhão de outras coisas? De onde que veio… De onde que veio o estalo? Como que foi aquele início lá?
Junea – Claro, assim, sou mineira, cresci comendo pão de queijo, sempre gostei. Comecei a perceber algumas coisas, na época, assim, mais ou menos naquela época que a gente teve a ideia da empresa, que a gente teve um casamento… A gente foi casar no Brasil em 2009, quando a gente voltou para o Brasil e passamos um tempo lá, amigos americanos foram lá. E o pessoal começou a comer o pão de queijo lá, os americanos, a gente viu o tanto que eles tinham gostado e conseguiram assimilar o produto de uma maneira simples. Cheese bread. Qualquer pessoa consegue entender, né? E aí a gente falou assim: “tem alguma coisa especial aqui”, então voltamos, depois, para a casa, aqui, e começamos, tipo assim, a ver que ninguém estava suprindo essa oportunidade de vender pão de queijo para o americano de um jeito que o americano consegue entender. O que seria um jeito que não… Que eu falo, assim, approachable, que é um dos valores da nossa empresa, que a gente… Que é importante, que foi parte do nosso sucesso. A gente coloca e explica o produto para o americano de um jeito que ele consegue absorver assim, muito fácil. E não coloca o produto posicionado com muito internacional. Mas, ao mesmo tempo, coloca a receita autêntica. Então essa é uma mágica, né?
Entrevistador – É.
Junea – Tipo assim, você está comendo um produto autêntico, mas você entende ele como você consegue entender. Então, naquela época, a gente começou a ver isso e começamos a pesquisar qual foi a história de tentar… Outras empresas que tentaram trazer o pão de queijo aqui, já tiveram várias. Tinha vários empreendedores, sempre tem. E aí a gente começou a pesquisar o que deu certo, o que deu errado. A maioria tinha falhado. E a gente acreditou, acho que um pouco assim, (naive) [00:15:33], mas que foi bom ser inexperiente na época, mas a gente… É aquele… Aquela coisa do empreendedor que fala assim: “as pessoas não… Ninguém conseguiu fazer isso, mas eu vou conseguir, a minha ideia vai dar certo”, assim, bem (naive) [00:15:46] mesmo. Mas foi isso, a gente… Assim, eu acho que se você olhar, vários empreendimentos de sucesso, histórias de empresas, no geral, às vezes não é o primeiro que teve a ideia que sucede, às vezes é o segundo, o terceiro, o quarto, mas é aquele que conseguiu executar a ideia.
Entrevistador – Execução. Exatamente.
Junea – Execução. Então, naquela época, a gente falou assim: “tem alguma coisa aqui”, e aí eu já estava com aquele… Aquela, sabe, intuição, assim, não quero ser engenheira para o resto da vida, vamos tentar isso. Então embarcamos na ideia e aprendemos como começar uma empresa de alimentos do nada. What’s (ININTELIGÍVEL) [00:16:28] it take? Como chega lá?
Entrevistador – Eu quero entrar nessa parte um pouco e falar também desses cinco anos. Você falou que os cinco primeiros anos, dos aprendizados e das dificuldades, mas eu só queria tocar num ponto que você falou também. Vocês explicaram o produto para o americano do jeito que o americano entende. E eu queria te ouvir um pouco sobre isso, mas acho que foi uma grande sacada, porque muita gente, muito brasileiro acho que vem para cá e quer trazer, acha que só porque o produto vende no Brasil, que ele vai conseguir vender aqui facilmente. Por exemplo, brigadeiro ou então… Ou até mesmo um guaraná. Assim, eu trabalhei na Ambev antes e a Ambev nunca conseguiu que o guaraná fosse uma Coca-Cola aqui, como no Brasil tem essa percepção. Porque, culturalmente, é diferente, o gosto é diferente. Brigadeiro, o americano acha muito doce, então eles não gostam. Acho que a sacada grande de vocês foi posicionar o produto como gluten free, né? Porque estava… É uma tendência aqui e vocês colocam isso na embalagem, na marca… Você acha que esse foi o grande diferencial?
Junea – No início, isso foi importante. Isso não foi o diferencial. Porque você vê… Por exemplo, se você fizer uma pesquisa aqui de pão de queijo no mercado americano hoje, todos os produtores… No país inteiro tem produtores pequenos, isso a gente acha legal, porque precisa de mais gente educando o mercado. Todo mundo fala gluten free bem alto e tal. Isso é importante, sim. Isso é um aspecto. Mas, voltando um pouco nesse fato que você perguntou sobre Portland, olha para você ver, Juliano, eu estava assim, cercada de americanos aqui em Portland, sempre. Então, assim, tem menos brasileiros, tem alguns brasileiros aqui, mas a comunidade é americana. Eu sou casada com americano, vários amigos americanos. Aí a gente começou a mostrar o produto pão de queijo para eles. Simplesmente escutando a reação do americano sem influência do que o brasileiro acha que deve ser. Então isso, tipo assim, foi o principal, assim, aquela luzinha, assim, sabe? Por exemplo, as pessoas começaram a comer e falar assim: “o que é isso? What’s is this? I don’t understand. Que horas do dia é para eu comer isso? Que ingrediente que é isso?”, então nos primeiros cinco anos era muito isso. Então, quando a gente lançou a marca, eu e o (Kenan) [00:18:55], meu marido, a gente era muito, assim, (ININTELIGÍVEL) [00:18:57]. A gente ficava todo fim de semana fazendo (sample) [00:19:02] em supermercado. Todo fim de semana. E a gente fazia muito (sample) [00:19:05].
Entrevistador – E aí ouvindo o cliente, né? No (sample) [00:19:09].
Junea – Ouvindo o cliente. E isso foi um diferenciador muito grande. Então não foi uma coisa, colocou o “gluten free”, não. Foram mil coisas. Porque, assim, a gente escutava todo… Toda hora, todo dia, horas e horas e horas. E escutava de cabeça aberta. Claro que você não pode pegar todo feedback que o consumidor te dá num supermercado e pegar isso para virar, assim, Bible, falar assim: “é isso”. Porque aí você fica uma pessoa sem direção, né? Mas o que aconteceu foi aquele contato constante com o consumidor e os comentários, e as perguntas, e não sei o que, e como você escreve, que horas do dia que eu consumo, o que eu faço com isso, isso é gluten free, isso tem isso e aquilo. As perguntas que começaram a virar constantes foram as perguntas que, tipo assim, a gente cresceu a marca para resolver. Entendeu? Então, assim, você vê nas primeiras épocas, nesses primeiros anos, cinco anos, que a gente fala, naquela fase, uma evolução constante. Então você assume que é uma coisa, você coloca um pacotinho na frente dos consumidores e as pessoas não estão entendendo. E era cada detalhe, desde o nome do produto, que uma vez já foi… Chamava de cheese bread somente, aí depois virou cheese bread snacks, aí depois voltou e colocou a palavra brazilian de volta e vamos que vamos… Sabe? Foi evoluindo. Aí, assim, é gluten free, aí depois falava que, tipo assim, era para eventos, para partys, aí depois não. Todo esse trabalho, que foram horas, horas, mil, milhões de horas… E aí cada vez que a gente ia melhorando, ia melhorando, aí a gente ia crescendo mais, porque a gente ia resolvendo os problemas que eram mais macros. Claro que o gluten free foi muito importante para a marca e continua sendo. É um atributo muito positivo e a gente montou a marca que era o seguinte: a gente não é uma gluten free brand, mas é uma brand… Uma marca que faz produtos deliciosos que, (happens to be gluten free) [00:21:21], que são sem gluten, e aí a gente honra isso, a gente tem gluten free certificação, a gente sabe conversar com o gluten free consumer superbem. A gente sempre fala assim: o gluten free, ele é um ponto de entrada na casa do consumidor. Mas a gente faz produtos tão gostosos, que a gente quer que a família inteira goste do produto. Porque na indústria do gluten free tem produtos que é um sub segment, é um segmento… Um subsegmento do subsegmento. E aí você vai comprar só aquela… Se sua casa tem filhos, você tem uma pessoa gluten free, você começa a comprar assim: aquele pão é para você e esse aqui é o pão para a família. A nossa marca… Nosso objetivo era: se tem uma pessoa gluten free dentro de casa, o resto da família pode consumir o produto. E assim fomos construindo. Mas é um atributo importante, é um atributo que ajuda a conseguir espaço nos supermercados, é um atributo que a gente sempre fala: é point of entry.
Entrevistador – E naquele começo, então, Junea, como é que foi… Tenho curiosidade de saber como é que vocês começaram, assim, começou… A produção inicial foi… Vocês um (ININTELIGÍVEL) [00:22:41]? Foi na sua cozinha? Como é que você… Como é que você foi naquela produção inicial? E para arrumar fornecedor, para trazer… Acho que para você trazer o polvilho, acho que você traz do Brasil, acho que até hoje… Então, assim, como é que… Naquele começo, assim, achar os ingredientes, onde começar a fazer? Conta para mim um pouquinho como foi.
Entrevistador – E naquele começo, então, Junea, como é que foi… Tenho curiosidade de saber como é que vocês começaram, assim, começou… A produção inicial foi… Vocês um (ININTELIGÍVEL) [00:22:41]? Foi na sua cozinha? Como é que você… Como é que você foi naquela produção inicial? E para arrumar fornecedor, para trazer… Acho que para você trazer o polvilho, acho que você traz do Brasil, acho que até hoje… Então, assim, como é que… Naquele começo, assim, achar os ingredientes, onde começar a fazer? Conta para mim um pouquinho como foi.
Junea – O início, acho que de qualquer empreendimento, é muita pergunta, muito batendo a cabeça, muita pesquisa, horas e horas. Da ideia, assim, até o lançamento da marca, foi mais de um ano. Teve alguns aspectos. A gente fez um curso aqui em Portland que chama Getting a (recipe) [00:23:18] to market, que ele leva… Se você traduzir isso, é trazer a sua receita para o mercado. Essa é a tradução, getting a (recipe) [00:23:28] to market. Literalmente, para as pessoas que têm uma ideia, como uma receita de família, uma receita que gosta, e quer levar isso ao mercado. Então foi um curso super helpful naquela época, que foi ensinar o bê-á-bá para quem não sabia nada. E daí, desse curso a gente começou a aprender as coisas e montar pacotinhos e fazer pesquisa. E um obstáculo que a gente teve bem no início também era transformar aquela receita mineira, da minha família, aquela receita de começo para os ingredientes que tinham aqui, principalmente queijos, que o queijo Minas não é disponível aqui. Então, assim, pensa assim, um ano, pesquisa, trabalho, behind the scenes, sem nada tangible para mostrar daquilo, mas para começar a entender. Nessa época, pesquisa sobre polvilho… A gente viajou para o Brasil mais de duas vezes, entendendo como o produto era produzido no Brasil. Reunimos com… E compramos uma máquina de corte do pão de queijo do Brasil, a máquina veio, teve que ser importada, então tudo isso demorou.
Entrevistador – Curiosidade, nesse um ano que você falou, nesse ano de incubadora, praticamente, você já tinha largado seu emprego, ou você estava fazendo em paralelo?
Junea – Great question. Paralelo.
Entrevistador – É? Porque isso… Isso… Assim, eu sei que eu te atrapalhei muito na sua linha de raciocínio, mas, assim, eu ouço os dois lados. Eu ouço empresário falando que, assim, olha, você tem que… Burn the bolts. Você tem que largar tudo e entrar de cabeça, você não pode ter outra opção, senão, isso não vai dar certo. E ouço gente com uma história até parecida com a sua falando: “olha, eu estou testando, eu estou tateando. Então, se eu puder… Eu não quero arriscar tudo, porque eu preciso de ter um pouco de segurança também”. É bom ouvir a tua história, que é um outro lado também.
Junea – Durante esse período de incubação de um ano, antes de sair, nós dois continuamos trabalhando nos nossos empregos. Daí, quando lançamos a marca, um pouquinho adiante, acho que foi no fim de 2011, eu fui a primeira a sair do meu emprego. Então a gente teve que fazer uma análise assim… Naquela época a gente não tinha filhos, né? Então eu acho assim, é mais fácil também você tomar esse tipo de risco numa fase que você não tem filhos. Então… Por obvious reasons. Então, você pensar assim: a gente… Você tem que fazer uma análise. Cada pessoa tem uma família, um gasto, como você… Mas eu concordo com os dois lados. Eu acho que a gente fez subsequente, eu vou chegar nessa parte da história, que teve um momento que nós dois saímos e fomos… Burning out the bolt. E fomos para a frente. Mas no período de incubação, ainda não. Fazemos dois trabalhos. Então, assim, bem cansativo, sempre, os primeiros sempre cansativos, mas é para quem dá conta, né? À noite, fim de semana, sem parar, né? Porque você tentando fazer os dois, você tentando levantar a coisa do nada. Então, depois desse ano de incubação, a gente foi lançar a marca e começamos, falamos: vamos lançar no mercado local, congelado. Nós começamos… Você perguntou sobre fábrica. A gente começou aqui alugando espaço numa cozinha comercial, que eles chamam. Então você tem… É uma cozinha que eles alugam para chefs ou fabricantes de pequenas empresas de alimentos, você pode alugar, faz o pouquinho que você precisa, então você não precisa gastar aquele over head, que se você tivesse sua própria fábrica… Vou falar só do negócio da fábrica, assim, como uma trajetória, rapidinho. A gente vai pular uns tempos, mas porque isso é importante. A gente começou desse jeito, depois cresceu um pouquinho, a gente mudou… Um ano, foi um ano, um ano, um ano, a gente foi mudando. A gente cresceu um pouco, aí a gente mudou para um lugar que era dividido com outros três fabricantes. Então a gente sempre foi muito consciente, assim, muito (bootstrapper) [00:27:26] aqui no início. Porque a gente, simplesmente… Eram duas pessoas no seu (ININTELIGÍVEL) [00:27:34]. Não tinha de onde o dinheiro vir. Então, se você não estiver fazendo (bootstrapping) [00:27:38], você ia… Go out of business.
Entrevistador – É.
Junea – Então… Daí a gente foi dividindo o espaço com outras três marcas, então eram quatro e a gente dividia uma fábrica. Então você… Tudo era dividido, era mais fácil. Aí, depois, crescemos dessa fábrica, mudamos para nossa própria fábrica. A gente construiu uma fábrica aqui em Portland, na época. E ficamos nessa fábrica durante, mais ou menos, dois anos. Mas aí quando a gente foi no Shark Tank, a demanda cresceu exponencialmente, de uma maneira tão grande e tão maior do que jamais imaginaríamos, que a gente teve que mudar para uma (copacker) [00:28:18] naquela época. Porque a nossa fábrica, apesar de que ela era grande para a gente naquele momento, ela não conseguiu suprir a demanda do Shark Tank e o que viria a seguir, que era uma fase de crescimento muito importante e tal. E daí crescemos, terceirizamos a fabricação e, hoje, em dia, a gente tem várias fábricas terceirizadas aqui no país.
Entrevistador – Bacana. E ainda nesse começo, também, acho que um desafio é a distribuição, né? Hoje vocês estão em todos os mercados aí dos Estados Unidos, ou em vários. Mas naquele começo, como é que foi? Foi batendo na porta do (hold) [00:29:00] foods, do supermercado, falando assim: “olha, tem esse produto aqui, ele é diferente”? Como foi conseguir distribuição?
Junea – A quantidade de rejeição que a gente recebeu naquela época, no primeiro ano, foi, assim, inacreditável. Dois motivos. Primeiro, você coloca uma coisa no pacote, você começa batendo em portas mesmo, literalmente, porta a porta e tenta vender para um comprador. Então, assim, a indústria de alimentos… O supermercado tem esse trabalho, que se chama comprador. E o trabalho do comprador, que se chama buyer, ele é entender o que está acontecendo no mercado, o que o consumidor quer, e comprar os produtos adequados para o supermercado. Então você, o pequeno empreendedor, você está tentando se reunir com esse buyer e vender a sua história, né? Tell a story, fala assim: “me dá um pedacinho desse freezer para o meu produto entrar aqui”. Então foi muito, muito difícil. Muita rejeição. Primeiro que, assim, a gente estava começando, então a nossa confiança no que a gente estava vendendo ainda estava sendo construída. Então você vai nessas reuniões e não tem a confiança suficiente para conseguir vender tão bem, então você recebe muita rejeição. Na época, por incrível que pareça, você não vai acreditar, mas eu tinha uma competidora aqui em Portland, vendendo pão de queijo, que tinha entrado no mercado um ano antes da gente, e era uma americana que tinha feito intercâmbio no Brasil e tinha se apaixonado pelo pão de queijo e também teve a mesma ideia. Por isso que eu estou te falando, a ideia… Assim, eu posso contar, são milhares, dezenas, toda semana alguém fala assim: “have you seen? Have you seen?”, eu falo: “great”. Mas o que aconteceu é que quando a gente foi começar a construir, bater na porta e bater nos compradores, eles falaram assim: “eu já tenho isso”. Até que não foi assim: “eu não sei o que é isso”, foi assim: “eu já tenho isso”. Eu falei assim: “gente, pelo amor de Deus”. Eu tentando trazer o pão de queijo aqui para os Estados Unidos e a recepção aqui é: “eu já tenho isso”. E como você já tem um pão de queijo aqui, você não precisa de dois.
Entrevistador – Não precisa de mais.
Junea – Então o que a gente fez? A gente bateu em todas as portas, 90% delas falaram não. Uma ou outra falava sim. Então a gente foi nas que falavam sim, mas, assim, a gente começou muito fraco, porque era, assim, no meu mercado, na cidade que a gente era baseado, todo mundo falava não, mas tinha uns dois supermercados que minha competidora na época não tinha… Vamos dizer, tempo de ter ido. E aí esse é o que a gente conseguiu entrar. Aí, quando a gente conseguia entrar, a gente ficava superfocado naquilo, tentando gerar demanda. Falava assim: “OK, todo mundo falou não, (ININTELIGÍVEL) [00:31:46] Foods falou não, não sei o que falou não, vamos em quem falou sim e vamos focar e vamos trabalhar com isso”. E, como essa competidora estava muito focada no mercado de Portland, e a gente tinha batido em todas as portas aqui de Portland já, a gente falou assim: “OK”. A gente pegou… Vamos dizer, naquela época tinha oito supermercados muito pequenos… Calcula, hoje a gente está em 16 mil supermercados, né? Mas naquela época era oito. Eu tinha conseguido tudo o que podia conseguir naquela época. Porque quando você é pequeno, você não consegue entrar nos mega, tipo um (ININTELIGÍVEL) [00:32:19], tal. Você é mais limitado em quem vai te dar essa oportunidade. Aí a gente falou assim: “OK, o mercado de Portland está travado, vamos para Seattle”. Então a gente meio que deixou Portland do jeito que era e fomos para Seattle. Seattle é a três horas daqui, é um mercado muito maior e a minha irmã mora lá, a gente tinha um tanto de amigos lá, então eu tinha um hub lá e comecei a ir para Seattle. Então todo fim de semana ia para Seattle, para Seattle, para Seattle e comecei a trabalhar os dois mercados, de Portland, Seattle, entrar aqui no North West e tal. E aí a gente começou a… Aí, construindo a marca um pouquinho, começamos a voltar para os supermercados aqui de Portland que tinham falado não. Daí a pouquinho, essa competidora, na verdade, ela perdeu um pouco da energia dela, ela teve… Tipo assim, não conseguiu seguir com a empresa dela e ela saiu, ela foi… Out of business, fechou. E aí, assim que ela fechou, a gente entrou por trás, assim.
Entrevistador – Já tinha os lotes te esperando no freezer.
Junea – Literalmente. Ela foi vendendo, o nosso veio atrás e aí a gente começou a dominar o mercado local, regional, com esse conceito de pão de queijo. Apesar de que teve competição em Seattle também, ainda tem, mas a gente entrou mais, assim, forte mais rápido. O que a gente tinha… Assim, vamos dizer assim, que a gente estava sempre à frente da competição, é essa capacidade de sempre melhorar, sempre escutando, sempre entendendo, sempre formulando para o americano entender e também, assim, principalmente naquela época, montando empresa, tipo assim, all working, all working the competition. A gente falava assim, all working. Então, assim, isso é bom, mas é… Take with (ININTELIGÍVEL) [00:34:14], porque é… O tal da (ININTELIGÍVEL) [00:34:18] culture, a gente fez isso durante anos. Foi o que precisou para crescer a empresa naquela época, que tinha competição em todo lugar. Produtores brasileiros. O que, na verdade, assim, é bom para a marca, é bom ter mais gente vendendo um produto internacional, porém, em supermercados, normalmente, só tem espaço para um, no máximo, dois. Então quem mais all work, quem conseguir vender mais, vai pegar o (ININTELIGÍVEL) [00:34:49] space. Então isso foi, assim, muito assim, all working.
Entrevistador – Trabalho duro no começo para levar o produto, não tem outra receita.
Junea – E para o começo, para a audiência aqui, cinco anos. Cinco anos sem parar, sem parar. Fim de semana, noite, dia, whatever it takes.
Entrevistador – Esse também é um ponto legal, Junea. Porque, assim, muita gente também tem essa… Acho que um pouco dessa… Não sei como é que eu vou dizer, visão, assim, errônea, que diz: “ah, vou empreender, vou trabalhar menos. Não gosto do meu chefe, então vou abrir meu próprio negócio etc.”. E todo mundo que eu falo aqui, assim, isso é errado, né? Pelo contrário, acho que quando você empreende, você vai trabalhar até muito mais. E você tem muito mais chefe, porque, no seu caso, por exemplo, cada comprador de supermercado era o teu chefe, né?
Junea – É, eu acho que é ilusão. Eu acho que a palavra é ilusão.
Entrevistador – Isso, essa ilusão. É, me fugiu a palavra.
Junea – É, chefe você sempre tem. Ou é um investidor, ou é… Hoje em dia é o seu time, é o seu chefe, porque sem o time você não progride e é um mercado bem competitivo para ter uma equipe de alto nível. É o consumidor, é tudo. Mas eu entendo, eu acho que, assim, vendo pelo lado de corporativo, de ter sempre que estar seguindo os outros, eu acho que empreender tem uma liberdade… Não é questão de quantas horas você trabalha, não é, mas te dá uma liberdade de criatividade, te dá uma liberdade de seguir o seu próprio… As suas ideias, seu destino… Na verdade, você trabalha tão pouco ou quanto menos você quer, mas a realidade é que o retorno do crescimento da sua ideia, ele vai ser um resultado direto disso. Principalmente enquanto você ainda está tentando construir uma infraestrutura para uma empresa que tem (ININTELIGÍVEL) [00:36:51] power, né?
Entrevistador – Junea, agora vamos… Eu preciso falar do Shark Tank. Eu sou muito fã do programa, eu quero saber um monte de coisa. Primeiro, conta para mim assim, como foi a ideia? Quem teve a ideia? Foi você? O seu marido? Um dia vocês estavam assistindo o programa e falou assim: “olha, a gente tem que ir lá”. Por que surgiu isso?
Junea – Nós éramos fãs do programa, sempre assistíamos, achávamos divertido. E como é empreendedores, era bem, assim, a ver. A gente também tinha alguns conhecidos aqui em Portland que tinham ido no programa. Again, voltando àquele negócio que Portland tem uma cultura de empreendedorismo e tal, então tinham pessoas na indústria de alimentos e de CPD que tinham ido, então a gente já tinha um conhecimento bem dinâmico sobre o show fora e por trás. E aí a gente estava procurando investimento na época e a gente estava no momento da marca. Então foi em 2015. Naquele momento de cinco anos, que eu fico falando de cinco anos, cinco anos, por quê? Até lá a gente estava com esse negócio de (ININTELIGÍVEL) [00:38:00] e trabalhando fim de semana sem parar, 24 horas por dia, e tentando elevar a marca. Tinha dado uns sinais, a gente começou a pegar distribuição já um pouquinho nacional, já estava no (ININTELIGÍVEL) [00:38:13] Foods pela Flórida, Texas, North East, algumas coisas, já tinha… A gente já estava fazendo… Ganhando uns pontos. Estávamos em quase mil supermercados na época, pontos de distribuição. Só que a indústria de alimentos é uma que você tem que estar em muitos supermercados para construir uma empresa que é viável. Porque a margem é muito baixa. É uma indústria que é (ININTELIGÍVEL) [00:38:38]. Supercompetitiva, com baixas margens. Então a gente estava no momento da ideia da empresa que era assim: ou vai, ou racha. Naquela época, o (ININTELIGÍVEL) [00:38:49] estava trabalhando no emprego dele, eu já tinha saído. Eu já estava há anos trabalhando sozinha. Só que a empresa não tinha uma receita suficiente para contratar pessoas de venda, de marketing, e crescer de um jeito que precisava. Então a gente falou assim: “olha…”, mas a gente tinha visto vários sinais por todo trabalho que a gente fez, que tinha a oportunidade, ela ainda era real, sabe? A gente falou assim: “a ideia… has not changed”, mas como que a gente vai conseguir isso de um negócio viável? Então a gente estava fazendo um (raise) [00:39:25] e tal, estava pegando investimento na época, mas, mais importante que isso, a gente falava assim: “a gente precisa ser descoberto in a big way”.
Entrevistador – Exposição.
Junea – Exposição. Porque, assim, o que a gente tem aqui é especial, o consumidor está claramente articulando isso, mas a gente precisa de estar em 20 mil supermercados, não em mil. Não vai… Sabe? Ou vai ou racha. Então foi nesse momento que a gente teve a ideia, vamos nos inscrever para ir o Shark Tank, e a gente sabia que a gente tinha o tipo de coisa que eles gostavam no programa. Sabe? Entendendo o behind the scenes. Por quê? É um programa de… Na verdade, ele é um programa de family friendly, ele é um programa de entretenimento, ele é um programa que adora família começando empresa junto, alguém que está trazendo uma coisa do país… Sabe? De outro país.
Entrevistador – Imigrante.
Junea – De imigrante. Ele adora isso, então é isso… É isso que faz aquele programa bem-sucedido. Então a gente sabia que quando a gente aplicou, se a gente fizesse a aplicação toda nos conformes, que tinha uma chance grande de entrar, e conseguimos. E aí conseguimos entrar e é uma aplicação, um processo superdifícil, são milhares de empreendedores que aplicam.
Entrevistador – Rola um processo seletivo, assim? Rola entrevista? Ou é só uma aplicação via site? Como que é esse…
Junea – Rola tudo. Rola tudo. Começa com a aplicação via site e, daí, vira entrevista e viram mil entrevista, e viram entrevista por telefone, entrevista que você tem que fazer vídeo, entrevista, depois, com produtores, em vídeo. Eles fazem (due diligence) [00:41:07] da empresa, então eles vão pegar e ver…
Entrevistador – Então eles olham os números mesmo.
Junea – Olham os números da empresa. (due diligence) [00:41:15] eles… Muita coisa. Porque o negócio é numa ABC, né? Na época, tinha 9 milhões de views, hoje em dia é um pouco diferente por causa do streaming. Mas é assim, é um programa muito… Eles vão fazer (due diligence) [00:41:30], eles vão ver, confirmar que não tem nada, que você é um cidadão, que você não é ilegal, que você tem uma empresa que é de verdade, que você está vendendo um produto. Todos esses check on the boxes, né? Então é um processo superseletivo, que demora. Mas aí, assim que você passa no processo seletivo, eles te falam: “OK, você foi escolhido”. Então, assim, louco, todo mundo que é brasileiro e fez faculdade no Brasil, a gente sempre é acostumado com processos seletivos difíceis e competitivos, né? Imagina se… Juliano, você fez faculdade no Brasil?
Entrevistador – Fiz Unicamp.
Junea – Olha aqui, se você for entrar na Unicamp… Acho que é da nossa natureza já. Se você for entrar na Unicamp, eles falam: “ah, não sei o que candidatos por vaga”. UFMG, 100 candidatos por vaga. Então, assim, o Shark Tank para mim era mais um obstáculo dessa maneira que eu acho que a gente, brasileiro, é acostumado a isso e você tem que enfrentar um negócio (ININTELIGÍVEL) [00:42:22], sabe? Se é 100 candidatos por vaga, 2 mil candidatos por vaga, o que eu tenho que fazer para me colocar numa posição de tentar ser escolhido? Então a gente se colocou e a gente focou muito, a gente falou assim… Esse foi um daqueles momentos da trajetória de empresa que a gente fala assim: “isso vai ter um impacto maior do que qualquer coisa que a gente fez até hoje e a gente vai fazer whatever it takes para ser aceito, whatever it takes para suceder bem no episódio”, porque é aqueles momentos assim, é life changing, aquela mudança de vida. E a gente sabe… Naquela época era muito focada nisso, então a gente ficou um pouco assim, até fissurado com as preparações. Por exemplo, os produtores… Para você aparecer na televisão, a gente que não é acostumado a estar em televisão, você tem que ter uma energia muito além do que a energia que é do dia a dia. Então, assim, entendendo esses aspectos, quando você está fazendo as entrevistas, tem que mostrar aquela energia para os produtores conseguirem te ver como aquela pessoa que, na televisão, vai fazer o entretenimento para quem está assistindo. Então foi fantástico, a gente conseguiu ir e a gente foi selecionado e é uma adrenalina muito grande. Naquela época, o show era filmado em LA e hoje em dia é em Vegas. Mas era… Eles te ligam e falam assim: “você foi selecionado, you’re going to LA” e eles te dão, tipo, seu plan ticket e você chega lá e tem uns (ININTELIGÍVEL) [00:43:58] de empresários, de empreendedores. E aí eles te colocam num hotel com os grupos e você faz mais (ININTELIGÍVEL) [00:44:06] para o produtor, lá em LA, já na semana para gravar, porque eles querem ver se você consegue…
Entrevistador – Encarar o palco.
Junea – Encarar o estúdio, encarar o palco. Você faz testes sem os sharks, mas no palco, para eles verem assim, você vai tremer nas bases? Você vai congelar?
Entrevistador – Você ainda pode ser cortado lá, ainda?
Junea – Pode ser cortado lá ainda.
Entrevistador – Nossa, essa deve doer o coração, né?
Junea – Essa dói. Então tem gente que chega até aí. Eles fazem isso hoje porque eu acho que eles têm que ter uma (ININTELIGÍVEL) [00:44:37], né? Na produção. Porque eles têm que completar os episódios. Então, se você chegar lá e você tremer nas bases, começar a suar, chorar, sei lá, congelar… E eles te ligam e falam assim: “você não… (ININTELIGÍVEL) [00:44:50]”. Mas a gente estava muito focado, a gente fez e… E a gente foi muito focado no (ININTELIGÍVEL) [00:44:56] também, a gente… (Letting up) [00:44:58], chegando nesse momento de LA, a gente ficou horas e horas assistindo todos Shark Tank que existiram até aquele momento, a gente escrevia todas as perguntas, a gente fazia as perguntas de volta para a gente… Então, se você assistiu nosso episódio, é tudo bem assim, (sharp) [00:45:13], é tudo bem, assim, we know the answer.
Entrevistador – Foi muito bem-preparado.
Junea – Preparados. É claro que vai ter coisa imprevisível, você não sabe como as pessoas vão reagir, mas era importante para a gente ter um pão de queijo que era perfeito, delicioso, bem assado e que a gente soubesse todos os nossos números, entendesse da nossa empresa para que a gente tivesse um (taping) [00:45:37] bem positivo.
Entrevistador – Isso é importante, assim, a exposição muito grande pode ser uma faca de dois gumes, né? Tem gente que chega lá, como foi o seu caso, e pode aproveitar essa exposição para catapultar um negócio, e eu vi vários outros exemplos também, até de gente que não ganhou um deal, mas, pela exposição fez um trabalho tão bom, que conseguiu vender mais etc. Tinha um site preparado para pesquisa, para compra, tal. Mas tem gente que chega lá e é fritada, né? É destruída. E aí aquilo destrói a sua reputação. Então, assim, aquele business, aquele negócio que você construiu, pode também acabar naquele episódio, né?
Junea – Com certeza. É um risco. É um risco que você tem que assumir. Porque você pode chegar lá e os sharks virarem e falar assim: “eu não gosto do gosto disso, I have no idea why you doing this, essa indústria não vale a pena, it’s all wrong”. Tem vez que eles falam isso: “está tudo errado, está tudo errado”, sabe? Então vai ser um risco e a gente assumiu o risco. E falamos assim: “vamos para a frente, vamos…”. Porque a gente acreditou no nosso produto e na nossa habilidade de comunicar a ideia e a oportunidade.
Entrevistador – E aí eu vi que você ficou, acho que no final, assim, quase todo mundo estava interessado, mas no final você teve duas ofertas firmes, né? Uma do Mr. Wonderful e uma da Lori. E aí você acabou optando pela… Pela Lori. Quando você foi, você já tinha… Igual o The Voice, falou assim: “se os quatro virarem a cadeira, eu vou escolher esse”, ou não? Foi um negócio na hora? É porque é a Lori?
Junea – Na época, a gente tinha… Tinha as preferências. A Lori, eu gostava dela na época porque ela tinha feito algumas parcerias com outras empresas de alimentos e acho que ela… A gente tinha essa… Essa visão que ela poderia ajudar. Eu também… Mark Cuban, ele é um investidor superdinâmico e importante, ele… Super bem-sucedido, e ele é gluten free. Então a gente achou que ela ia conectar com esse ponto da marca, mas ele não conectou e ele não fez oferta. Então acho que foi assim, a gente tinha algumas ideias, sim, a gente acha que a Lori poderia ajudar.
Entrevistador – E depois, assim? Aí foi lá, fechou a oferta com… Vocês fizeram o (pit) [00:48:06], ela fez a proposta, vocês fecharam… Mas, no dia a dia, depois do episódio, de verdade, assim, ela realmente é envolvida? Qual foi o papel dela depois do programa?
Junea – Então, quando acontece o Shark Tank, acontece o seguinte: você faz um deal lá no momento e esse deal, ele é verdadeiro. Mas depois que termina o programa e o (taping) [00:48:30], começam as negociações e as papeladas legais e tudo, e tal. E, durante essa fase… Isso normalmente acontece entre o momento que você vai lá filmar e o momento que vai ser… Aparecer na televisão. Então, durante esse momento tem as negociações e os advogados dos dois lados envolvem e começa a formalizar aquele deal que foi feito na televisão de uma maneira bem simplificada. Aquela coisa que foi comunicada de maneira simplificada, ela vira mais complexa. Nesse processo, a gente conheceu ela e os advogados e a equipe dela e, ao passo que gostamos um do outro, a gente resolveu não fechar o deal. Então a gente mesmo resolveu (put) [00:49:23] out of the deal.
Entrevistador – Então existe essa opção?
Junea – Existe essa opção. Dos dois lados. O investidor pode virar e falar assim: “olha, o que você me falou na sua apresentação lá no estúdio não virou realidade agora que eu estou vendo seus financeiros, os seus papéis e tal”. Às vezes o investidor acha uma coisa que não gostou, ele pode te tirar. Ou o dono do negócio também pode falar assim: “olha, você mudou a sua oferta, então agora eu quero sair”. Então, na nossa conversa com eles… Mas não ficou nenhum rancor, não ficou nada. O que aconteceu é que a gente estava aproximando da data da televisão e a negociação começou a ficar muito… Não tinha… Precisava de mais tempo, entendeu? Porque estavam com umas coisas que não estavam batendo. E a gente precisou de mais tempo. E quando você vai e aparece na televisão, a marca explodiu. Então o deal que ela ofereceu já não era mais válido. Entendeu? Existe uma coisa, assim, no termo… Eu esqueci a palavra em português, mas (levarage) [00:50:30].
Entrevistador – Alavancagem.
Junea – OK. Então, se você… Antes do episódio aparecer na televisão e você explodir, o (levarage) [00:50:41] é do investidor. Então ele pode pedir mil coisas, eu quero isso, quero aquilo, quero isso, não sei o que. Depois que apareceu na televisão, nove milhões de pessoas descobriram a marcar, vendemos sold out, no país inteiro, aí a gente falou assim: “espera aí, esse deal aqui não é mais adequado para a marca que está agora”…
Entrevistador – Porque você tem um percentual de (ININTELIGÍVEL) [00:51:03] para uma receita X, né? Agora sua receita…
Junea – Uma receita X. Essa receita X, ela mudou do dia para a noite. Então ele não é mais adequado.
Entrevistador – Você não quer mais dar tanto (ININTELIGÍVEL) [00:51:13], não.
Junea – Então o deal, ele não foi para a frente e ela não é envolvida com a empresa, mas no problem, sabe? Foi bom conhecê-la e aprendemos bastante naquele processo, mas não é um que a gente quis seguir.
Entrevistador – Entendi. Legal. Interessante. Eu não sabia que existia essa possibilidade, não. É legal saber disso também. E aí, hoje, então… Aquilo ajudou vocês a explodirem, né? E como é que vocês conseguiram, então, destravar os gargalos que vocês tinham naquela época? Seja de produção ou de distribuição, depois do Shark Tank.
Junea – É, o que agarrou foi a capacidade de produzir, claro, porque, igual eu te falei, naquela época a gente tinha nossa fábrica. Era uma fábrica que tinha até, assim, uma capacidade relativamente boa na época, mas nada comparado ao que viria. Então a primeira… Quando você está crescendo uma empresa, sempre alguma coisa está agarrando, está te puxando. Então você tem que ir consertando e uma vem e vai, e a coisa vai crescendo. Então, assim, tem fases que é… A fábrica acabou de construir, ela ia aumentar, mas você não tem um pessoal de vendas para conseguir vendar suficiente, ou você não tem um consumidor, ou… Sabe, o que for. Post Shark Tank, o problema era a capacidade. Então a gente tinha a demanda do consumidor, que tinha crescido de uma maneira gigante, mas a gente não tinha a capacidade. Mas aí a gente foi e consertou isso naquele ano, então foi mudando de fábrica. Aí depois, passou alguns anos, consertamos a fábrica, consertamos a demanda do consumidor, mas aí não tinha uma equipe forte o suficiente para continuar crescendo a marca, assim, além daquilo. Aí fomos construir uma equipe, construímos um time, montamos uma empresa mais sustentável e tal. Eu acho que fase de empresa você tem uma coisa que está te agarrando. E aí o nosso papel na equipe de… Os líderes da empresa, para entender o que é e solucionar aquilo a cada fase.
Entrevistador – Legal. E hoje, 12 anos depois de começar essa jornada, quando você olha para os próximos 12, onde você vê a Brazi Bites indo? Quais são os seus principais desafios e o que você vê de oportunidade?
Junea – Então, a Brazi Bites agora, ela evoluiu nos últimos anos. No início, era uma marca de pão de queijo. O objetivo era trazer o pão de queijo para o mercado americano de uma maneira que os americanos poderiam entender, de uma maneira… Receita autêntica, de cleaning ingredients, congelado, tinha todos os (values) [00:53:56]. E era assim: pão de queijo para os Estados Unidos. Há alguns anos atrás a gente evoluiu a marca e ela virou uma latin-inspired (ININTELIGÍVEL) [00:54:03], então a gente foi… Começamos a, tipo assim, pesquisar o que a gente poderia fazer, como a gente cresce, como a gente evolui. O nosso consumidor também estava assim: “Brazi Bites, me dá mais coisa. Você me deu esse cheese bread, é delicioso, mas o que mais?”. Sabe? O americano, ele está sempre muito querendo inovação. E o mercado é muito dinâmico, ele muda muito toda hora. Então a gente começou a evoluir a marca e começamos a lançar produtos com esse tema, assim, com essa base de latin-inspired. Better for you. Better for you, que é o nome usado aqui para ingredientes naturais. A gente nunca usa conservantes, nada artificial nos produtos. Então fomos evoluindo e agora a marca está crescendo com essa nova estrutura, com essa nova visão. Então a gente tem agora a linha de pão de queijo congelados, que ela tem vários sabores e esses sabores vão sempre inovando. A gente lança um aqui, outro aqui, uns dão certo, outros não dão, tira e lança outro. Então já estamos agora em pesquisa para lançar mais. A gente lançou uma linha de empanadas, que a gente chamou de empanadas, mas que é a casquinha de pão de queijo com…
Entrevistador – Com recheio.
Junea – Com recheio. Aí a gente lançou também… Agora, este ano, a gente entrou no mercado… Na categoria de café da manhã, de breakfast, sanduíche… E uma das coisas que a gente está mais empolgados agora é o lançamento da categoria que é pizza bites, que a gente entrou numa categoria que ela é mais (ININTELIGÍVEL) [00:55:44], ela é mais conhecida pelo americano, mas a gente colocou o lado do pão de queijo. Então a gente está pegando, assim, mais (ININTELIGÍVEL) [00:55:52], aquele latin-inspired é o pão de queijo, mas a gente está indo para o pizza bites, que é uma categoria bem americana. E pizza é onipresente, é tudo. Então a gente acha que isso vai levar a marca para outro patamar de crescimento. Então, assim, o objetivo nos próximos anos é continuar crescendo nesse tema de latin-inspired com nossos valores, e inovando, trazendo produtos novos, e algumas coisas vão dando certo, outras não dão certo e esse é o objetivo, de sempre ir testando e inovando. E a gente tem um consumidor… Uma das coisas que a gente tem mais orgulho aqui é o nosso consumidor, a nossa comunidade é muito legal, muito (passionate) [00:56:40]. Então a gente tem uma comunidade de quase, assim, 500 mil consumidores entre social e e-mail, sabe? As pessoas, assim, são mega leais e estão sempre querendo que a gente lance mais coisas.
Entrevistador – Interagindo com a marca, né?
Junea – Interagindo com a marca e querendo, tipo assim… Seja entretenimento no TikTok, ou… Sabe, cupom, criança, a gente está lançando agora em setembro, que a gente está planejando agora, que vai ser superlegal, que setembro tem aquele (latin heritage month) [00:57:17] aqui nos Estados Unidos, que, antes, era (hispanic heritage month) [00:57:23] e virou latin. E o ano passado a gente teve muito sucesso na marca ser elevada nessa questão e esse ano a gente está lançando um tanto de coisa educacional. Então vamos lançar um programa para criança, de passaporte, para educar, para as famílias… Vou te passar para você fazer aí com a sua família.
Entrevistador – Passa, sim.
Junea – Para as crianças verem Minas Gerais e imprimir em casa um passaporte, aprender a falar… Vai ter uma sessão que vai aprender falar em português. É coisa bem light. Mas a gente vai estar ensinando durante, assim, aqueles meses, palavras em português nos nossos channels, educando sobre Minas Gerais. A gente assume sempre, Juliano, que o americano não sabe nem onde o Brasil é no mapa. É assim que a gente… Então a gente… Keep it light. Então a gente vai fazer esse programa de educação bem assim, light, mas tentando educar e globalizar um pouco a mentalidade de onde é o Brasil e por que o pão de queijo é do jeito que é. Então isso vai ser legal, estamos lançando aqui no (ININTELIGÍVEL) [00:58:28].
Entrevistador – Que joia. Junea, podia ficar mais umas cinco horas com você, porque esse papo está muito bacana, estou aprendendo muito, mas eu quero também respeitar o seu tempo. Para a gente acabar aqui, eu tenho um quadro que eu brinco que são as rapidinhas. Então são quatro perguntinhas e aí me diz a primeira coisa que venha na sua cabeça. Você já está aqui há bastante tempo já, acho que há quase 20 anos, mas ainda tem alguma coisa que você sente falta do Brasil?
Junea – Tenho, vou te… Eu sei que é uma palavra, mas eu vou falar algumas rápidas: sol, família, amigos e a leveza da cultura brasileira. Sinto falta e eu acho que aqui não é igual. Então sinto falta daquela leveza. Sinto falta do sol, sinto falta da família e dos amigos.
Entrevistador – É, o sol eu resolvi mudando para o Texas, mas o resto eu não consegui resolver. O resto eu não consegui. E de outro lado agora, o que você descobriu aqui nos Estados Unidos que agora você não vive sem?
Junea – Uma das coisas que eu mais amo da minha vida aqui nos Estados Unidos é a qualidade de vida e andar de bicicleta pela cidade. Então, aqui em Portland é uma cidade que é super bike friendly e eu tenho uma bicicleta elétrica e eu ando de bicicleta para tudo quanto é lado com meus filhos e meu marido, a gente vai… Sabe? O fim de semana é só na bicicleta e, direto, venho trabalhar de bicicleta. Então eu acho que isso é uma coisa que é diferente, é única daqui, de ter o espaço e superlimpo e acho uma delícia aqui.
Entrevistador – Só que para isso você precisa ter segurança, né?
Junea – Sim.
Entrevistador – Acho que essas duas coisas vão juntas.
Junea – Segurança e… É, segurança do espaço e também segurança para a ciclovia e segurança… O ar limpo e todas essas coisas vão junto para criar aquele ambiente que proporciona você querer andar de bicicleta como transporte.
Entrevistador – Junea, ao longo do nosso papo você deu vários conselhos sobre empreendimento, mas se você tivesse que dar um conselho para quem está começando agora e quer… E tem essa vontade de empreender aqui nos Estados Unidos, o que você diria?
Junea – Eu acho que se você é brasileiro e quer empreender nos Estados Unidos, primeiramente, você tem que ser fluente em inglês. Sabe? Direto (ININTELIGÍVEL) [01:00:41] pergunta: “ah, ainda não sei inglês”. Parece básico, mas você tem que conseguir se comunicar com confiança e se expressar, porque obstáculos vão sempre ter e como você passa pelos obstáculos. Segundo, eu acho que, assim, quanto mais você especializar em algum segmento, eu acho que esse é um conselho. Para a gente foi pão de queijo congelado numa indústria de alimentos naturais. Então se você for bem especializado… E a gente virou especialista naquilo. Então conseguir comunicar com bastante confiança, seja especializado e foca naquilo. Eu acho que isso que faz um empreendedor de sucesso. Às vezes a coisa não precisa ser grande, ela não precisa ser nacional, ela pode ser local. Mas se você ver até, assim, empreendedores de sucesso em mercado local, são pessoas que desenvolveram, que viraram o melhor daquilo. A pessoa virou… Ele virou especialista, ele virou a referência daquilo. Então, assim, a gente virou referência de pão de queijo nos Estados Unidos, a gente é a marca, porque a gente foi focado naquilo.
Entrevistador – É verdade. Legal. E, por fim, assim, tem algum livro ou um filme, ou um podcast que você gosta e gostaria de recomendar para a gente?
Junea – Eu adoro podcast, escuto muito. Um dos meus preferidos, que eu recomendo aí para o pessoal que está aqui é… Não sei se vocês conhecem, mas chama… É um podcast que é uma mistura de tecnologia com o mundo, em marketing, chama Pivot.
Entrevistador – Scott Galloway.
Junea – É, Scott Galloway, então você já conhece. Eu acho que ele, quando a vida está corrida assim, às vezes você está com pouco tempo para… Ele ajuda a dar uma guiada, assim, onde você está indo. Então eu sou bem fã do Pivot, do Scott Galloway, sigo os e-mails dele, gosto de dar uma perspectiva no mundo. Adoro.
Entrevistador – Bacana. A gente coloca o link para o pessoal também conhecer e ouvir. Junea, muito obrigado. Adorei te ter aqui, aprendi demais. Onde que o pessoal te acha? Onde que o pessoal acha a Brazi Bites? Enfim, agora é a hora do seu merchan aí.
Junea – brizebites.com. Você encontra tudo o que precisa encontrar sobre a marca, tem os links do Instagram. A gente está no Instagram, a gente está no Facebook, a gente está no TikTok. Então, assim, você pode encontrar a gente, conectar onde você quer. E se quiser entrar em contato comigo, o LinkedIn é o que eu mais uso para coisas profissionais.
Entrevistador – Bacana. Obrigado. Pessoal, Junea, obrigado de novo, adorei ter você aqui com a gente. Todo mundo que ouviu e acompanhou, obrigado também, de coração. Eu sempre digo aqui que o tempo é o bem mais importante que a gente tem, então o fato de você ter passado esse tempo aqui com a gente me enche de orgulho e de gratidão também. Sigam todos os episódios, compartilha, vai lá no Spotify, no Apple, vai no YouTube, se inscreve no canal, quem não está lá, dá um like, deixa um comentário. A gente se vê na próxima. Obrigado, gente. Valeu. Tchau.
