A história de quem deu a volta por cima – Com Simone Salgado

A história de quem deu a volta por cima – Com Simone Salgado

A história de quem deu a volta por cima – Com Simone Salgado

05/09/2022

Muitos brasileiros decidem ir para os Estados Unidos “na cara e na coragem” para perseguir o sonho americano. É lógico que as condições de vida são muito diferentes, mas nem sempre as coisas acontecem da maneira que se é imaginado.

E quando algo dá errado, como tirar forças para continuar?
Neste episódio do podcast “ImiGrandes”, a conversa é com Simone Salgado, Fundadora e CEO do S. Group Investments, palestrante, escritora e fundadora do Instituto Simone Salgado, instituição que ajuda brasileiros que buscam empreender nos EUA.

Simone chegou muito jovem nos EUA e decidiu empreender, muitos fatores a levaram para a falência, mas ela deu a volta por cima e hoje ajuda brasileiros a não passarem por essa situação.

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Podcast

Transcrição

Entrevistador – Olá pessoal, tudo bem? Sejam muito bem-vindos. Eu sou Juliano Godoy e esse é o ImiGrandes. Hoje nós vamos ouvir uma história muito especial, é uma história de superação, de garra, de luta, de disciplina, de determinação, de realização, mas sobretudo, uma história de muita fé. Hoje nós vamos ouvir a história da Simone Salgado, que ela é fundadora e CEO do S.Group Investments. Na verdade a Simone ela controla uma holding com várias empresas nos ramos alimentício, educação, eventos, finanças, varejo. Ou seja, essa mulher construiu um império lá na Filadélfia. Além disso ela é palestrante e escreveu vários livros. Então vamos lá, bora aprender com ela. Simone, tudo bem? Bem-vinda, prazer ter você aqui com a gente.

Simone – Tudo ótimo, obrigada Juliano. O prazer é todo meu. É uma alegria poder aí contribuir de alguma maneira contando a minha história para outros imigrantes a se inspirarem de alguma maneira ou realmente poder ter como exemplo, porque o sonho americano ele é lindo na teoria, na prática ele é cheio de altos e baixos, não é Juliano?

Entrevistador – Com certeza, tem muita ralação, muito suor envolvido também, não é. Simone, para a gente começar, assim, eu já li o seu livro, então para quem está vendo aqui, então eu já sei tudo, está aqui olha. Mas para quem não leu, para quem não te conhece, conta um pouquinho da sua história, de onde você veio e como é que você foi parar aí na Filadélfia.

Simone – Pois é, eu tinha o sonho americano na minha cabeça desde os 16 anos de idade. Eu sou do interior de Minas, de uma cidade da região do Vale do Aço, Coronel Fabriciano, e é uma cidade que tem em torno de 100, 120 mil habitantes hoje. Na época da minha adolescência eu tinha uma amiga que tinha, são sete irmãos, e quatro irmãos dela viviam aqui nos Estados Unidos. E nós éramos muito próximas, Juliano, a Lorraine. E eu achava muito bonito quando eu ia na casa dela, vendo os irmãos falando inglês, chegando de viagem internacional, andando de avião, essas coisas que para a gente era meio que surreal, era outro planeta quase. A minha família é uma família muito simples, a minha mãe sempre foi comerciante costureira, meu pai metalúrgico, então tínhamos uma vida simples, nunca nos faltou nada, mas também nunca sobrou nada. A gente não vivia em abundância. E com 16 anos quando eu saí do Melo Viana e fui para a cidade, para o centro de Coronel Fabriciano, quando eu comecei a estagiar na Caixa Econômica Federal, no Banco do Brasil, ali eu já tive uma ampliação de percepção de que havia um outro mundo, mais riqueza, mais prosperidade, mais oportunidades, do que a minha primeira percepção dos meus primeiros 16 anos de vida ali aonde eu ficava muito só no bairro, muito ali quase em meia dúzia de ruas, escola, a lojinha da minha mãe, os meus amigos. E isso despertou em mim esse desejo de prosperar. Eu falava: gente, se alguém faz a gente também pode fazer. Eu sempre fui em busca do como. Como eu posso fazer para prosperar, como eu posso fazer para ser uma empresária bem sucedida? Porque eu tinha acesso a todas aquelas contas, a tudo que envolvia dentro dos bancos. E essa era sempre a minha pergunta. E desde esses 16 anos aí, com esse convívio muito próximo com a Lorraine e a família dela, eu queria vir para os Estados Unidos também. Então com 21 anos de idade, depois de ter feito estágio na Caixa Econômica, no Banco do Brasil, eu tive uma parceria numa imobiliária com 18 anos, fiquei um ano e meio na Certa Imobiliária com o Dalton, mas não era ainda o que eu desejava. Eu queria mais e eu queria ter a oportunidade de vir para os Estados Unidos. Então naquela época eu tinha uma amiga em Filadélfia, que já estava aqui há oito anos, eu escrevi uma cartinha para ela lá três páginas contando a minha história, os meus sonhos.

Entrevistador – Na época não dava para mandar nem um WhatsApp, né, então tinha que ser carta mesmo, não é?

Simone – Cartinha, põe no correio, demora três semanas para chegar. Acredito que quase dois meses para ter alguma resposta. E eu lembro direitinho que a Fabiane falou comigo que sim, ela poderia me receber, mas ela falou: você não precisa disso, você tem certeza? Porque eu estava fazendo a minha faculdade, eu trabalhava em agência bancária, numa imobiliária, e ela falou: olha, eu não sei se você sabe, mas aqui você vai vir para ser babá ou trabalhar em bares, ou trabalhar na limpeza. E ela sabia que a minha família, como os meus pais trabalhavam fora, a gente sempre teve uma pessoa ajudando em casa, lavando a nossa roupa, arrumando a nossa casa, não é. E ela falou: olha, eu não sei se você vai aguentar isso aqui não, mas se você tem certeza, eu posso te receber por alguns meses na minha casa. E eu falei: nossa, eu tenho certeza, e consegui o meu visto em outubro de 1998 e em fevereiro eu viajei para cá, dia 26 de fevereiro de 1999. Eu cheguei aqui numa sexta-feira e na segunda-feira já comecei a trabalhar em um restaurante português, que a própria Fabiane me conseguiu esse trabalho. Então assim, esse foi o início da minha jornada, em busca mesmo do sonho americano. Eu queria vir para juntar dinheiro para dar entrada num apartamento, comprar um carro e ter condição de pagar a minha faculdade. Então essa era a minha realidade naquele momento, Juliano. E eu achava que eu ia ficar aqui dois, três anos para conseguir isso.

Entrevistador – Quando você veio assim, essa carta de resposta dessa sua amiga, você acha que ela é mais te encorajou ou desencorajou? Porque ela não te pintou um cenário muito apetitoso, não é, falou, basicamente ela disse: você vai vir para cá, a única coisa que você vai conseguir é subemprego. Mas mesmo assim você falou: eu vou. Mas você veio porque você sabia que você ia tentar, que aquilo poderia ser um começo e você poderia conseguir algo a mais depois, o seu plano era de curto prazo, falou, não, tudo bem, mesmo sendo esse período de trabalho por um tempo eu topo fazer, depois eu volto?

Simone – Era de curto prazo, e também porque eu sou de uma família de gente muito trabalhadora, muito humilde, então eu não tinha problema em descer aí dois, três degraus pensando, eu nunca fiz limpeza, eu nunca cuidei de crianças, mas isso para mim não era… Eu acho que todo trabalho é digno de verdade. Então para mim não era nenhum tipo de impedimento, sabe? E eu já sabia porque a irmã dela, que é da minha idade, a Fabiane é cinco anos mais velha que eu, a irmã dela, a Daniele estudava comigo há anos, éramos muito próximas, e ela falava: a minha irmã trabalha com limpeza lá de casas. Então eu já tinha uma noção. Mas na minha cabeça era matemática, eu lembro até hoje, Juliano, era 1.65 dólar. E aquela coisa, eu sei que eu posso ganhar, o meu primeiro salário aqui na cozinha desse restaurante foi 350 dólares. Então, eu ganhava lá meio salário-mínimo, né, porque eu estava de estagiária, trainee. Depois na imobiliária eu ganhei um dinheiro bom por um ano e meio mais ou menos, mas quando eu saí dessa parceria eu voltei para vender seguros na Bradesco. Então era assim, seguros é comissionamento e só. Então eu não conseguia ganhar nem um salário-mínimo nessa época. Eu lembro que eu fazia a minha faculdade e eu conseguia pagar, os meus pais tinham que me ajudar, para eu conseguir pagar as quatro matérias da faculdade, que eu só conseguia pagar quatro, e ainda pagar transporte e alimentação, eu precisava da ajuda dos meus pais. E aquilo já me incomodava demais, eu já estava com 20 anos. Então a matemática, eu falo muito de matemática hoje nos meus treinamentos, principalmente com as mulheres, eu falo gente, essa coisa de não gostar de matemática ou falar, no Brasil é comum, eu detesto matemática, não gosto de matemática, atrasa muito a vida, mais ainda da mulher, que é meio: meu marido toma conta, enfim. E fazer contas para mim sempre foi muito, foi sempre uma dádiva na minha vida. Eu falava: olha, se eu vou ganhar 1.65, que vale dólar, em uma semana eu vou ganhar o que eu ganho aqui, eu tenho três semanas de lucro, digamos assim, não é? E eu tenho caderninhos ainda daquela época tipo de receita e despesa. Então eu consegui, a minha madrinha me emprestou os cheques. Olha só gente, é coisa, tudo coisa antiga, me emprestou os cheques para eu pagar a minha passagem, eu vim com 200 e poucos dólares no bolso, que os meus pais e meu irmão me ajudou. E eu tinha algum dinheirinho ali, porque era muito caro para a gente… Imagina que era o que, mil e poucos reais para dar 200 dólares. Enfim, mas foi isso, para mim eu vim muito disposta a trabalhar, porque eu sabia que eu ia sobreviver. E ela já tinha me falado isso também, através da irmã dela ao telefone, que eu sobreviveria aí com umas duas semanas de trabalho, e teria outras duas semanas para poupar. Então na minha cabeça eu ia conseguir poupar aí dois, três anos, para fazer o que era o meu objetivo. Então esse primeiro passo foi com esse objetivo aí de curto para médio prazo, Juliano.

Entrevistador – E aí alguma coisa mudou, né, porque você está aqui há 20 e tantos anos, então o que aconteceu depois do restaurante?

Simone – 23 anos. Olha, eu fiquei no restaurante em 1999 e no início do ano 2000 eu já comecei a observar que a comunidade brasileira estava crescendo, e tinha uma loja brasileira só em Filadélfia e uma outra prestadora de serviços que faziam remessas para o Brasil e traduções de documentos. E eu falava, gente, vamos, nós podemos fazer melhor. Eu vi que a comunidade estava crescendo, existia a demanda, e eu sabia que eu podia fazer melhor. Porque o atendimento era fraco, enfim, dava para fazer muito melhor. E talvez porque eu sou filha de comerciante, a minha mãe sempre muito focada em limpeza, em bom atendimento, muito exigente ali com esses detalhes que o comerciante, que o bom comerciante tem. E aí eu falei com a Fabiane. Eu falei com a Fabiane tinha um ano que eu estava aqui, e falei: Fabiane, vamos montar uma loja brasileira.  Ela falou: ai, você está maluca. Eu falei: nada, vamos pesquisar e saber como fazer.

Entrevistador – Quando você fala uma loja é tipo um mercado, é isso, uma loja de que, o que que vocês vendiam?

Simone – Era uma loja de produtos brasileiros em geral assim. Então a gente vendia guaraná, biscoitos e perfumes do Brasil, CDs e DVDs, porque é outra época, a gente… revistas, e também fazíamos a prestação de serviços. Ela já falava inglês, então a gente fazia ligações, algumas traduções, a remessa de dinheiro para o Brasil. E nessa época, enfim, em fevereiro a gente tomou essa decisão e demoramos dez meses para abrir a primeira loja. Porque nos custou em torno de 35 mil dólares naquela época. Então a Fabiane tinha uma reserva de quase 5 mil dólares, eu consegui ao longo desses meses também poupar 5 mil e poucos dólares, e ainda fizemos um empréstimo com o tio da Fabiane para completar esse primeiro investimento. Mas o que eu gosto de deixar bem claro é que, hoje eu falo dos 4Ps do business, que é realmente você pesquisar, ponderar, planejar, para depois pôr em ação. E naquela época eu já usava isso talvez de uma maneira inconsciente.

Entrevistador – Intuitivo, né.

Simone – Intuitivo. Está certo. Mas assim, aonde vai ser a loja, onde tem a maior concentração de brasileiros vivendo, que tipo de serviço que as pessoas usavam e o que mais a gente poderia oferecer, fornecedores, preços, como a gente traria coisas importadas do Brasil. Então existe um processo, né, Juliano. Hoje eu treino muitas pessoas que querem empreender nos Estados Unidos. E esse processo é que as pessoas elas não gostam de passar por ele. Eu até brinco, as pessoas têm uma ideia brilhante hoje e acha que se não fizerem amanhã alguém vai roubar a ideia. E não é assim, existem processos. Nós respeitamos esse processo, abrimos a primeira loja Made in Brazil, em 16 de dezembro do ano 2000, poucas mercadorias e com as prestações de serviço. E graças a Deus, assim, a comunidade crescia cada dia mais. A comunidade lá atrás era uma comunidade muito pequena, não chegava a ter três, quatro mil brasileiros. Teve um boom, que essa comunidade chegou aí a ter cerca de 15 mil brasileiros, nesse período aí do ano 2000 até 2007, 2008, a comunidade teve um crescimento constante. E um outro fato foi o dólar que começou a disparar, então nós ganhamos ali em oito meses o que a gente tinha planejado para ganhar nos primeiros dois anos, ou dois anos e meio. Então estávamos sim na hora certa, no lugar certo, com o produto certo. E de lá para cá eu continuei fazendo eventos para a comunidade também, abri outras lojas, revistas. E todo o meu trabalho hoje do S. Group Investiments, ele ainda é focado no brasileiro, não só residente em Filadélfia, mas em todo os Estados Unidos. Nós temos algumas vertentes aí conseguimos atender a comunidades em outros estados. Mas principalmente posso dizer que 90% das nossas empresas estão aqui em Filadélfia e são muito, muito focadas no nicho brasileiro.

Entrevistador – Legal. Então talvez vamos entrar um pouquinho no que é o S. Group então. Conta pra gente quais são as empresas que você tem hoje embaixo desse guarda-chuva, os serviços, etc., que eu acho que tem bastante coisa aí para a gente explorar.

Simone – Sim, sim. A empresa mais antiga do S. Group Investiments é a Made in Brazil, que na verdade ela não é mais loja hoje, ela é só um escritório com a modalidade de envios de dinheiro e tak cashing, que é um serviço bancário limitado a troca de cheques, que não existe isso no Brasil, mas aqui é bem comum para as comunidades desbancarizadas. Então essa minha empresa ela já é a mais antiga, eu retomei ela quando eu voltei para aqui em 2012. Porque eu estou há 23 anos, mas eu tive um intervalo que eu fiquei um ano e cinco meses no Brasil. Então assim, há dez anos eu retornei para a Filadélfia, depois desse um ano e cinco meses no Brasil, e coloquei a Made in Brazil, foi a primeira empresa que eu reativei. Mas ela originalmente ela existe desde o ano 2000. E a outra empresa do grupo é o Instituto Simone Salgado, que é uma empresa que ela nasceu do meu período de quebra, de sofrimento, de aprendizados, que foi entre 2008, em 2010, que eu passei por uma quebra junto com a quebra da bolha americana, eu fui junto nessa onda aí. E hoje eu falo, por muita falta de preparo mesmo, de experiência em gestão. E aprendi muito durante a crise, mas foi doloroso. E o Instituto Simone Salgado ele nasceu do meu recomeço, do meu resgate como pessoa mesmo, com inteligência emocional, intelectualmente também eu comecei realmente a investir muito em mim, em treinamentos, em cursos, em um novo bacharelado, em um mestrado, em escrever. Então de tudo isso, como eu busquei fontes, Juliano, que fizeram muito bem e me deram uma estrutura para recomeçar, eu falei, eu quero, eu preciso partilhar isso. Então o Instituto Simone Salgado hoje a gente além de ter os livros, os cursos, os e-books e as mídias sociais, eu também faço treinamentos de inteligência emocional e treinamentos de business, de gestão, de gestão financeira. A outra empresa ela é o Jumbo. O Jumbo ele nasceu em 2019, uma parceria minha com o meu irmão Gustavo, a minha irmã Joyce e a minha mãe, a dona Inês sempre esteve conosco em todo o processo. Então o Jumbo já tem aí três anos de existência. É um supermercado brasileiro, com todos os produtos que você imaginar. Então você entra dentro do Jumbo você acha que está dentro de um mercado no Brasil. Nós temos tudo ali, muito focado também no açougue, nas carnes, no corte brasileiro, no tempero brasileiro, enfim. O Rio é uma empresa bem novinha, que é um projeto que começou em 2020, nós tivemos que parar o projeto quando a pandemia entrou porque não sabíamos como fazer, a gente tinha todo um desenho para fazer, in person, para fazer mesmo ali com pessoas vindo almoçar e lanchar. E veio a pandemia, então nós frisamos aí, congelamos o projeto por quase oito meses, mas retomamos e inauguramos em o Rio em dezembro de 2021, tem 3 mesinhos só de vida, que é um projeto aonde a gente traz o sabor brasileiro mesmo para a comunidade de Northeast, Filadélfia, não só a comunidade brasileira. Então a aceitação dos americanos é incrível, porque o nosso hambúrguer ele é fresco, ele é feito em casa, com carnes de verdade, e os espetinhos, o açaí. Então assim, o pessoal aceitou o Rio de uma maneira linda assim, a comunidade em geral, não só os brasileiros. Então a gente está bem feliz com o resultado, porque é diferente, não é uma comida espana, não é uma comida americana, é realmente a comida brasileira que fica ali no meio, mas surpreende muito. O americano gosta muito do paladar, porque não é apimentado, e não é tão sem graça. Então eu acho que a gente atende muito bem. E a nossa última empresa da holding, por enquanto, é o Monkey Money App, que é um aplicativo, um aplicativo voltado para a educação financeira e serviços financeiros, que nós vamos estar ao longo de 2022 implementando vários serviços ali, P2P, a remessa de dinheiro, além da educação financeira para as comunidades brasileiras, porque é em português, por mas que tenha ali traduzido, mas o nosso foco mais uma vez é para a comunidade brasileira residente nos Estados Unidos de maneira geral. E o pessoal está aceitando muito. A gente agora está numa campanha aí muito bacana do pessoal, participar de um sorteio, e começarem a conhecer o Monkey Money App.

Entrevistador – Que legal. Simone, eu queria voltar num ponto porque, para quem, para quem chegou agora ou para quem está ouvindo esse podcast e está mais desavisado assim, começa a história falando, olha, eu cheguei aqui com 200 dólares no bolso, depois eu construí o meu primeiro negócio com 5 mil dólares, peguei um empréstimo, e hoje eu tenho aqui essas cinco empresas, em vários segmentos, vários ramos, a gente está expandido, começando coisa nova. Mas tem, no meio ali teve um vale, não é. Você falou assim meio que de leve assim, mas a vida não foi sempre só para cima, não é?

Simone – Não, muito pelo contrário.

Entrevistador – Você topa contar um pouquinho para a gente assim de como foi, o que aconteceu, como foi aquele vale e depois a gente entra na retomada?

Simone – Claro. Eu, na verdade eu chego nos Estados Unidos com 21 anos e aos 26 anos eu já tinha feito o meu primeiro milhão, Juliano. E aí eu gosto muito de falar do primeiro milhão, porque muitas pessoas elas têm a percepção de que ter o primeiro milhão é ficar guardando um monte de notinha ali de 100 debaixo do colchão. E não é. Eu já tinha empresa, eu já tinha bens no Brasil, eu já tinha realmente investimentos. Então aos 26 anos eu já estava aí com duas lojas brasileiras, já tinha colocado uma outra Made in Brazil, trabalhava com eventos aqui. Eu fazia o Brazilian Day de Filadélfia, eu fiz por três anos, o último em 2007 teve mais de 6 mil pessoas na rua. Nós fechamos aqui a avenida, a Castle Avenue,  fazia a Miss Brasil Filadélfia, trazia eventos, cantores do Brasil para se apresentarem aqui duas, três, quatro vezes ao ano. Naquela época era Rick e Renner, Gian e Giovani, Tchakabum, e estou falando de vinte anos atrás, dezoito anos atrás, enfim. E aí o crescimento foi muito rápido. E eu com, muito jovem, e eu tinha chegado aqui solteira, com 26 anos eu já tinha os meus dois primeiros filhos e já estava grávida da minha terceira filha também. Então as coisas aconteceram muito rápido na minha vida, a expansão do comércio, a minha vida no comércio era muito ativa. Muito ativa junto à prefeitura de Filadélfia, associações comerciais, ao público em geral. Como eu te disse, o meu crescimento foi junto com o da comunidade também, que quando eu cheguei tinha 1 mil, 2, 3 mil brasileiros e de repente também com o passar desses anos, num short period ali, num espaço curtinho, de seis, sete anos, ela aumentou 500, 600% o volume de pessoas também que estavam chegando. E houve a explosão do dólar. Então foram muitos fatores que contribuíram, é claro que era a minha atitude, era o meu jeito de fazer o comércio junto com a minha sócia, mas também eu tive vários prós. Mas os contras foram realmente a imaturidade, eu falo que é o ego, o orgulho, não saber lidar com… Eu era uma pessoa muito pública, eu estava à frente de tudo, fazendo eventos, e aquilo era muito para uma pessoa que antes não conseguia pagar a faculdade no Brasil. Então assim, foi tudo muito e muito rápido, e eu não tinha uma base administrativa, financeira, eu não tinha maturidade para aquilo. Então, eu faço o meu primeiro milhão aos 26, mas aos 30 anos eu quebro. E quando veio a crise de 2008 eu… e a minha quebra ela não foi só financeira, ela foi financeira, foi psicológica, foi emocional, eu fiquei com uma dívida demais de meio milhão de dólares. E como eu não tinha estrutura para lidar com as cobranças, com a pressão, com todo aquele inferno mesmo que estava acontecendo na minha vida, eu entrei em depressão e na síndrome do pânico, tendo ataques de medo mesmo. Então quem já teve pânico sabe que é do nada. Eu ia sair de casa e você começa a ter as mãos ali geladas, suando debaixo do braço, a cabeça fica girando, os meus olhos ficavam pretos ali, então eu dava falta de ar e você tem certeza que você vai morrer naquele momento. Então, os ataques de pânico é um negócio muito cruel, porque quando você não sabe que o outro está passando não tem nenhuma reação física exagerada demais, você não desmaia, você não grita, você não está com dor. Mas esses sintomas para quem está vivendo é um massacre, é um massacre emocional e psicológico. Então para mim, eu decidi mandar os meus filhos para o Brasil. Nessa época eu tinha já os meus três filhos, o Lucas estava com 5 anos, o Nicolas estava com 4 e a Maria Eduarda estava com 1 ano de idade. Então a minha mãe volta para o Brasil com os meus filhos, o meu pai já tinha voltado dois anos antes, e a minha escolha foi por eles. Porque os meus pais tinham uma boa casa no Brasil, e a minha mãe se dedicou totalmente aos meus filhos ali, a minha mãe e o meu pai, eles tinham todo o amor, estavam sempre ali na piscina, no clube pertinho de casa, na escolinha, tinha a minha madrinha, a minha prima, a minha cunhada, todo mundo cuidando, paparicando aquelas crianças ali. Eu ia e voltava para o Brasil, e eu comecei a ir, eu cheguei a ir até cinco vezes no mesmo ano. Meu irmão tinha um bar, ele era muito popular lá, e eu levava mercadoria e trazia para eu conseguir pagar a minha passagem, as minhas despesas e ver os meus filhos. Então eu ia a cada dois, três meses, ficava ali 10, 15 dias e voltava para os Estados Unidos. Mas… e nessa época como eu quebrei eu saí de Filadélfia e eu fui trabalhar em uma cidade que chama Kearny, é em New Jersey, que é pertinho ali de Nova York, fica mais ou menos 40 minutos. E eu trabalhei três anos na construção civil, onde eu realmente gerenciava uma loja de drywall, fazia compras, fazia pagamentos. E eu falo que o mais interessante, um dos maiores aprendizados dessa maturidade é que eu era uma pessoa muito, muito popular. E quando eu quebrei não tinha ninguém, foi o meu pai, a minha mãe, minha irmã, meu irmão e esse rapaz, o Sebastião, que na época me ajudou muito, me deu esse trabalho. Ele era um dos meus melhores clientes na Made in Brazil, ele tinha turmas muito grandes. Então como eu falava inglês, falava espanhol e era uma pessoa que comunicava bem, ele falou: olha, eu posso te ensinar. Ele me ensinou, mas assim, eu voltei a ganhar 350 a 400 na semana. Mas foi assim providencial, porque eu saí de Filadélfia. Eu falo muito nos meus treinamentos, nos meus livros, mexa-se, você não é árvore. Quando você fica num lugar aonde o ambiente você já não consegue enxergar mais nada, isso vai te puxar para baixo. E para mim ter saído de Filadélfia, por mais que eu tenha ficado ali praticamente três anos na construção civil, recebendo pouquíssimo, eu tinha oportunidade de ir e voltar para o Brasil para ver os meus filhos, fui aprendendo muito mais de liderança. Porque eu cheguei a gerenciar 120, 150 homens na obra, e isso para uma mulher é assim, abaixo de ofensas, abaixo de desafios diários. Mas foi ótimo, foi ótimo para crescer e espiritualmente eu comecei um processo muito forte de resgate mesmo, de entender toda aquela vaidade, todo aquele ego, todo o sofrimento de estar longe das minhas crianças, eles pequenininhos. Então eu falo, gente, tem coisas que não tem preço. E não vi, principalmente a Maria Eduarda, os primeiros anos da vida dela, ela começar realmente… Eu vi ela começando a andar porque ela andou com 11 meses aqui, mas tudo aquilo, os primeiros anos da vida eu perdi isso tudo. E do Nicolas e do Lucas bastante também, porque eles estavam com 4, 5 aninhos, e por mais que eu fosse e voltasse constantemente, eram só momentos. Então tem coisas que quem dera que eu soubesse hoje, eu teria administrado muito diferente o meu tempo, o meu dinheiro. Porque eu sempre falo, as pessoas falam comigo assim, ah, mas você quebrou por causa da crise, todo mundo quebrou. Eu falo, não, eu quebrei porque eu era uma gestora negligente, porque eu era vaidosa, porque eu não tinha foco suficiente. Só que isso a gente só consegue enxergar depois que passa, depois que você se afasta um pouco. Eu faço até um exercício com os meus alunos nos treinamentos de você se imaginar sentando em uma mureta alta e você observando a si mesmo no seu dia a dia, para você entender o seu movimento. Porque nós entramos muito fácil em rotinas, Juliano, que a gente já não sabe o que está fazendo. Entramos em um piloto automático e conseguir fazer esse exercício… Eu falo: façam aí aos domingos, antes de começar uma nova semana, de fazer um exercício de auto-observação consciente. Porque senão a gente vai entrando nesse looping de trabalho e de conquistas, de metas, focos e anestesias, e quando você vê já passou. Então para mim foi isso, Juliano, foi depois de todo esse sofrimento. Eu fiquei, como eu disse, sete anos longe dos meus filhos, mas eu volto em 2010, depois desses três anos em Kearny trabalhando na construção civil, eu volto para o Brasil, foco um ano e cinco meses. Lá eu tive duas tentativas de negócio com a ajuda do meu irmão, mas realmente para mim não dava, era onde eu realmente ganhava… Eu chegava a movimentar num restaurante que ele me ajudou a comprar, 13, 14 mil reais no mês, mas me sobrava 1.000, 1.200, 1.500 reais e ali já era outro momento. Eu já tinha três filhos, não era possível… Para mim sempre veio aquilo assim, eu falo que ganhar dinheiro é igual andar de bicicleta, depois que você aprende você nunca esquece. Mas eu tinha aprendido aqui, eu não tinha aprendido no Brasil, eu tinha aprendido a me movimentar, a articular, a fazer business aqui nos Estados Unidos, no Brasil era tudo diferente, as leis, a velocidade. E é tudo muito diferente. Então eu fico um ano e cinco meses, foi ótimo, emocionalmente eu me fortaleci muito, fiquei perto dos meus pais, perto dos meus filhos, conheci o Carlos, meu atual marido. Mas chegou uma hora que eu falei não, eu preciso de voltar para os Estados Unidos, que foi muito doloroso, mas já foi consciente. Foi diferente, Juliano, de quando eu tive que mandar os meus filhos para o Brasil no ano de 2007, no finalzinho de 2007, por desespero, por angústia, por depressão, pânico e dívidas. Quando eu volto para os Estados Unidos em 2012, depois de passar um ano e cinco meses no Brasil, eu faço uma decisão consciente, eu falo, não, eu vou voltar para os Estados Unidos porque eu sei que lá eu consigo reconstruir a minha vida financeira, profissional, e os meus filhos nasceram aqui. Então eu queria que os meus filhos andassem de cabeça erguida, queria pagar as minhas dívidas e reconstruir o meu caminho aqui. Então eu venho em março de 2012, e dia 01 de agosto de 2014 eu já tinha uma estrutura para conseguir buscar os meus filhos, e eu busquei os meus filhos, eles chegaram aqui dia 01 de agosto de 2014, graças a Deus estão aí grandes já e ao meu lado desde então.

Entrevistador – Que bom. E você voltou para a Filadélfia mesmo, não é?

Simone – Era um desafio. Eu acho que era uma questão de honra, porque as minhas dívidas estavam aqui e foi muito difícil. Eu falo que quando eu volto para Filadélfia em 2012, eu só consegui voltar, Juliano, porque desde da minha quebra em 2008, no primeiro ano não, mas eu acredito que a partir de 2009 eu já entrei muito nesse resgate emocional, espiritual, intelectual, e eu só consigo voltar para a Filadélfia de cabeça erguida, sabendo o que eu ia enfrentar, porque eu tinha uma estrutura forte mesmo, eu estava emocionalmente, espiritualmente e intelectualmente muito, muito, muito melhor preparada, assim, centenas de vezes. Então eu já estava muito mais consciente e eu queria voltar para a Filadélfia. Era uma questão de honra por mim, mas muito para os meus filhos também.

Entrevistador – É, as vezes a gente precisa um pouco dessa, criar essa distância, a separação, aconteceu um evento naquela cidade, naquele lugar e aí… Eu vejo bastante gente, eu converso com bastante gente que assim, que está, sei lá, está infeliz no trabalho, não gosta, enfim, do que faz ou da empresa que faz e tal, e não se movimenta, só fica reclamando. E eu também eu falo para elas: olha, não adianta, você ficar só reclamando você só vai aumentar a espiral negativa. Mas muita gente tem medo, porque é medo da mudança, né, medo do desconhecido. Então as pessoas preferem ficar sofrendo numa zona, não vou nem falar zona de conforto, mas é numa zona de conhecimento, eu sei que isso aqui está ruim, mas pelo menos eu sei como é ruim, do que tentar algo fora, algo diferente, que assim, pode ser que fique pior, mas pode ser que fique melhor. Mas isso só vai saber se você tentar. Mas muita gente fica um pouco preso e eu entendo o que você passou, eu passei algo parecido também. Mas a sua história realmente acho que dá muita inspiração para quem acha que está no momento difícil da vida, e acho que quando a gente está nesses momentos é difícil ver saída, não é, a gente meio que olha, não consegue ver nem o dia seguinte, a gente não consegue ver o dia. E aí a sua história eu acho que ajuda a gente a enxergar que quando você amplia o horizonte, por mais que você esteja tendo um dia ruim, uma semana ruim, você não vai ter uma vida ruim, você vai conseguir no longo prazo conseguir reverter e sair e etc. Eu fico feliz de ter, ver aqui que você conseguiu reerguer e multiplicar. Porque é isso que é bacana também, hoje você não tem aquele negócio que você tinha antes, é um negócio que é várias vezes maior. Então olhando o negócio hoje, assim, quem que é, o teu carro chefe ele é o mercado, ele é o Institut, ele é o tak cashing?

Simone – É, a Made in Brazil é uma empresa muito sólida, porque por mais que, assim, nós voltamos para o mercado há dez anos, mas ela é uma empresa que ela tem um histórico de vinte anos que não tem como ignorar. Então ela é a nossa empresa mais sólida sim. O Jumbo ele graças a Deus ele é uma benção, ele tomou aí forma e vida e é um mercado muito respeitado, conhecido na região, pessoas de outras cidades, há 10, 15, 20, 30 milhas daqui, onde não existem comunidades brasileiras tão fortes, vem. Eu falo que no final de semana, sexta à tarde, sábado e domingo o Jumbo parece uma feira, sabe. É até divertido, porque as pessoas elas se encontram ali. E elas, na fila ali, um está convidando o outro para ir para o churrasco, e é bem interessante assim, é o encontro da comunidade. O Instituto nós ficamos parados por dois anos com pandemia, então nós estamos, agora em junho eu volto a ter os treinamentos presenciais, mas estamos nos preparando para estarmos aí mais forte no online também. E o Rio ainda é um bebê, ele é um projeto que existe também desde aí 2020, mas que foi muito bem desenhado. Nós fizemos todo um planejamento, a gente tem aí várias ideias e projetos para o Rio, mais precisamos que ele comece a andar sozinho primeiro, não é. E o aplicativo hoje é o nosso, é a menina dos olhos. A gente está aí com grande parte da equipe muito focada no trabalho do Monkey Money App porque representa o grupo, representa todo mundo que está envolvido no trabalho. E hoje a gente sabe o quanto a comunidade precisa desse suporte financeiro, desse direcionamento, porque sabem ganhar dinheiro, mas e depois, como que você realmente direciona isso de uma maneira… o nosso diferencial é, na nossa língua, né, dentro da nossa cultura e entendendo às vezes até uma taxa que você paga, o porque você paga. Então esse serviços que nós vamos implementar no Monkey eu tenho certeza que vai ajudar aí muito e muito a comunidade de maneira geral.

Entrevistador – Não, eu concordo, eu acho que a educação financeira para brasileiros aqui nos Estados Unidos é um mercado que, enfim, que deve ser muito grande e demanda bastante. Porque é bem diferente no Brasil, quem cresceu no Brasil estava acostumado a colocar o dinheiro, sei lá, quem conseguisse poupar, etc. e tal, mas estava acostumado a colocar o dinheiro num fundo, num CDI, etc. e ganhar 10, 15% sem ter que fazer nada. Aqui não, aqui o mercado é mais complexo, tem a própria restrição da língua as vezes também, que a gente não entende, legislação. Então, com certeza assim, eu consigo ver uma demanda grande para esse negócio de vocês sim.

Simone – Sim, e o status imigratório e como você pode poupar. E a grande maioria qual é o comportamento? A grande maioria, por não saber, manda o dinheiro todo para o Brasil. Só que aí é aquela coisa, a moeda é diferente, existe uma desvalorização, e às vezes não tem ninguém lá para olhar os investimentos também. Então a gente, eu ao longo desses 23 anos eu tenho centenas de histórias, centenas assim, se bobear milhares. Eu sou uma pessoa que eu convivo com muita gente e muita história realmente triste, porque as pessoas trabalham, trabalham, trabalham e mandam dinheiro para o Brasil e às vezes, ou compram um imóvel errado, investem na terra errada, ou são vítimas também dos administradores lá, que muitas vezes são seus próprios parentes. Então é bem difícil e eu sei que com a educação financeira, com a ampliação de percepção… porque às vezes no ano ele só vai estar ganhando realmente 3.5 de interest rate, realmente de juros, mas vai estar com o dinheiro na moeda americana, vai estar mais tranquilo, sobre o controle dele. E muitas pessoas elas por não saberem, tem medo, e acabam, é uma pena. Mas eu conheço pessoas que trabalham, dois, três, cinco, dez, quinze anos e ainda não tem nada, porque é difícil e elas, muitas, no status imigratório, que também não podem voltar para o Brasil, tem uma vida escassa aqui diante do que poderia ter, e tem o dinheiro todo lá, mas está a Deus dará, digamos assim. Eu acredito que o Monkey Money vai realmente trazer luz. O nosso slogan aí é o seu melhor amigo brasileiro nos Estados Unidos, que realmente é para orientar. Vamos trazer vários serviços financeiros também, mas o nosso coração ali é conseguir trazer essa orientação financeira e direcionamento para educação financeira, com parceiros do Monkey para o brasileiro que está aqui. Porque às vezes é mais simples do que parece, mas é simplesmente não saber mesmo, Juliano, é a falta de informação.

Entrevistador – E Simone, eu queria voltar um pouco, você falou que teve uma volta ao Brasil, tentou empreender lá, mas não sabia ganhar dinheiro lá. Para você assim, quais são os principais diferenças entre empreender no Brasil versus empreender os Estados Unidos? Por que você acha que aqui você conseguiu dar certo e lá não?

Simone – Olha, em quatro meses e meio eu fiquei meio apavorada mesmo com todos os impostos do Brasil, principalmente trabalhistas. E eu tive que pagar nesses quatro meses e meio que eu tive o restaurante, uma indenização de uma funcionária do dono anterior, porque a menina estava grávida e aí no que ele vendeu para mim era responsabilidade minha. E eu lembro que na época foi para a Justiça e eu paguei quase 5 mil reais. Eu acho que também aqui, como eu trabalho com pessoas que são brasileiros, trabalham na construção, trabalho na limpeza, mas tem um poder de compra muito maior, eu via que o giro era muito mais rápido, mais constante e sem choro. Então assim, tem uma coisa da reclamação no Brasil do chorar preço, de achar coisas caras, que era muito incompatível com a minha experiência aqui. Porque as pessoas aqui elas são consumistas e elas, se é um produto na média de preço todo mundo compra e paga. Existe um giro de moeda muito mais forte, muito constante. E enfim, eu achava que sobrava pouco demais, eu ficava assustada, como eu te disse, era (ininteligível 00:43:58), era um restaurante pequenininho, mas 14, 15 mil reais ali, e no final, depois de pagar todos os impostos, o aluguel caríssimo, eu assustei muito com o aluguel também, então me sobrava coisa de 10%. E eu falo, gente, mas está errado, essa conta não fecha. Eu trabalhava aqui com uma margem em torno de 30% no comércio. Então eu achava tudo muito absurdo. Mas de novo, eu falo de um lugar de uma pessoa que não tinha experiência em empreender no Brasil, então eu acho que, eu não quero ser mal interpretada, eu vim para os Estados Unidos com 21 anos, então eu empreendi e entendi como funcionava o sistema aqui. Então talvez pessoas que sempre empreenderam no Brasil vão chegar aqui nos Estados Unidos e vão ter vários choques culturais e muitos sustos também com a maneira que as coisas acontecem aqui. Mas assim, nós, não tem como negar não é Juliano, estamos em um país de primeiro mundo, uma das maiores potências mundiais, e com um outro poder de compra, aonde indiferente do trabalho, eu repito, trabalho num nicho, comunidades brasileiras, espanas, portuguesas, que a grande maioria dessas pessoas, 80% delas, trabalham em subempregos ou considerados subempregos, mas que giram, que tem um poder de compra muito alto. Então eu acho que a estrutura, o sistema também coopera muito para isso. Então para mim assim, foram vários, vários choques que eu tomei assim culturalmente. E o jeito de fazer negócio no Brasil também. Posso te dizer uma coisa, eu acho que o americano, como eu lido com americanos, para pagar aluguel, fornecedores, os meus brokers com relação aos serviços financeiros, sim é sim, não é não. Tem um poder muito forte de assertividade, de verdade.

Entrevistador – Não tem o cinza, não é, não tem o jeitinho.

Simone – É preto no branco mesmo. Eu tenho inclusive um texto no LinkedIn sobre, chega de jeitinho brasileiro. Porque é uma coisa que eu vejo que as pessoas insistem em carregar e a gente não precisa disso. Eu acho que dá para fazer muito melhor sem o jeitinho brasileiro. E esse compromisso de palavra, eu vejo todo o movimento que a gente faz, é muita coisa, claro que existem contratos para tudo, mas existe uma base de confiança muito mais forte, e existe uma assertividade incrível. E uma outra coisa que para mim é muito diferente, Juliano, eu posso falar dos meus, um dos brokers que eu trabalho há 21 anos, eu sempre trabalhei, um dos meus maiores fornecedores dentro do tak cashing, assim, nós somos, nos respeitamos, temos uma relação profissional incrível, mas nós só almoçamos juntos duas vezes nas conferências de tak cashing. Existem, você não precisa ser amiga, chamar para casa, fazer churrasco. Então existe um comportamento diferente também, sabe, com relação a fazer negócio com assertividade, respeito, confiança, verdade, dando lucro. Porque o foco é claro, eu acho que o americano tem essa clareza, eu estou fazendo business, eu estou fazendo negócio porque eu quero lucro. É muito claro, mas eu não preciso trazer essa pessoa para dentro da minha, eu não tenho que ser a melhor amiga dela, eu não tenho que puxar saco de ninguém. Não é porque… Lá atrás quando eu resolvi migrar também para cá, é porque já tinha passado pela Caixa Econômica, pelo Banco do Brasil, e eu tentei emprego em várias instituições bancárias e eu não tinha quem me indicasse. E eu achava aquilo um absurdo, pela experiência que, eu já tinha experiência de três anos e meio em banco, e ficava aquela coisa de como assim, porque eu preciso de alguém me indicar se eu tenho experiência, se eu tenho competência. E aqui é diferente nesse aspecto, e eu adoro que seja diferente, eu acho que é lindo, sabe, ser mais verdadeiro, ser mais assertivo, e bem preto no branco. É o que você falou, não existe cinza.

Entrevistador – É, um pouco mais de objetividade e pragmatismo, não.

Simone – Sim, com certeza.

Entrevistador – Isso ajuda. Isso é uma diferença que eu noto também. E Simone, você diz que na sua primeira passagem você acabou, enfim, quebrando, e com uma dívida de 500 mil dólares. Na época você precisou (ininteligível 00:48:54) ou não,  você ficou com a dívida? E aí como foi na retomada para você levantar caixa para você começar outro empreendimento? Porque imagino que assim, você começou o tak cashing de novo, então você precisava investir. Com uma dívida como é que… eu fiz duas perguntas em uma, mas estão juntas.

Simone – A minha dívida ela era muito alta quando eu quebrei, então eu desfiz de tudo o que eu tinha no Brasil para pagar essa dívida. Então assim, apartamentos, sítio, todo o dinheiro que eu tinha guardado, eu fui usando para poder pagar muita, muita coisa. Então quando eu volto para os Estados Unidos eu ainda tinha uma dívida bastante alta, então eu até conto isso, eu vou lançar dois livros esse ano e no que sai no segundo semestre eu conto essa história, Juliano, estou contando antes aqui. Primeiro foi a negociação, as pessoas eles já tinham dado que meio que perdido, eu não tive que fazer bank (ininteligível 00:49:55) porque eu tinha muitas dívidas com pessoas físicas. Eu era muito, muito popular na época, tinha credibilidade de muita gente, então eu tive várias pessoas que antes de eu quebrar eu fiz dívida com elas. Eram pessoas que realmente, muito ricas, e me conheciam, emprestavam dinheiro e enfim. Então quando eu voltei, eu tinha 17 credores ainda. Eu já tinha pago como? Desfazendo do meu patrimônio, eu já tinha pago muita gente que faziam remessas comigo, fornecedores, etc. e tal. Então o meu primeiro passo foi realmente falar que eu voltei, entrar em contato com essas pessoas e falar: olha, eu voltei, continuo quebrada, mas eu vou trabalhar e vou pagar vocês. Está aqui o meu telefone, eu estou nesse local. E a verdade. Então eu falo que a verdade é aquela coisa, eu sabia que eu ia sofrer muitos ataques porque querendo ou não eu volto para a mesma comunidade. E volto, e não volto para trabalhar para ninguém, eu volto para empreender novamente. Então é claro que os primeiros meses eu fiz limpeza algumas vezes, porque realmente eu não tenho talento, eu era muito mais talentosa com atendimento. Então eu volto no final de semana para fazer part time em restaurantes, fazia traduções e trabalhei como baby sitter num período aí de três, quatro meses, até recolocar a Made in Brazil. Como? Através de parceria, com alguém que tinha dinheiro e eu tinha know how, porque eu não tinha dinheiro. Só que eu além de know how eu falo inglês fluente, eu falo espanhol fluente e eu tinha licença, que é uma licença bem difícil. O licenciamento aqui para coisas financeiras nos Estados Unidos é bem delicado, você tem que estar legal no país, você passa por checagem do FBI, de todo o seu background de crimes e de dívidas, enfim. Então talvez essa foi uma vantagem, porque eu devia muito mais pessoas físicas e um ou outro fornecedor, do que realmente grandes instituições. Bancária eu tinha uma ou duas pendências, e fui negociando, inclusive com as minhas duas pendências que eu tinha bancárias, que isso é o que eu trago muito forte ali no livro, é você buscar o seu credor. A partir do momento que você: olha, estou de volta, estou devendo, e negociar dívidas de uma maneira pagável. Porque isso também é um outro problema, vamos fazer uma conta, vamos supor que eu estou ganhando aí 5 mil reais e eu tenho várias pessoas para receber de mim. Se o meu custo de vida, se a minha sobrevivência, se a subsistência minha e da minha família me custa 2.500, eu não posso me comprometer com mais 2.000, 2.500 para pagar as minhas dívidas. E as pessoas, Juliano, no desespero elas fazem muito isso. Elas comprometem todos o seu salário e começam a fazer outras dívidas para sobreviver. E aí você entra numa bola de neve pior. Então eu falei com as pessoas: olha, por enquanto eu não posso pagar nada. Daqui dois, três meses, assim que eu conseguir pelo menos me sustentar a gente vai se falando. E aí foi assim que eu fiz, eu demorei cinco anos para pagar as minhas dívidas. Então, eu fui pagando pessoas e inclusive as empresas que achavam que já tinham perdido aquele dinheiro e estavam felizes em receber 100 dólares por semana, 200 dólares por semana, 300 dólares por semana. E aí eu fui realmente pagando aí três, quatro pessoas por vez, fui eliminando as dívidas e demorei esses cinco anos para poder pagar essas dívidas. Em paralelo eu crescia a minha renda. Eu falo, gente, eu fazia, eu sempre, eu gosto de trabalhar, eu acredito que a prosperidade vem através do trabalho sim. E é lógico que se é um trabalho inteligente ela vem muito mais forte. Então eu continuei, enquanto eu abria a Made in Brazil em parceria com dois amigos, eu ainda no final de semana trabalhava no restaurante. Enquanto os meus filhos não estavam aqui eu trabalhava praticamente os sete dias na semana. Depois que eles chegaram eu parei de trabalhar aos fins de semana. Mas enquanto eles não estavam, estava na loja, no escritório, final de semana estava no restaurante subindo renda, pagando ali as dívidas Negocie com as pessoas, se eu posso dar uma luz ou um conselho é seja honesto, seja verdadeiro e não comprometa mais do que você precisa. Porque senão você vai entrar, aí no Brasil porque aqui não tem, cheque especial, juros altos de cartão, e uma loucura para poder pagar uma dívida..

Entrevistador – Nome no Serasa.

Simone – Sim, ao invés de você pagar você vai aumentar. Então essa matemática, e a gente volta para fazer contas. Então é isso, primeiro foi negociar com as pessoas, pagar dentro do possível. De novo, foram quase cinco anos para falar: olha, eu não devo nada para ninguém. Essa é a verdade. E buscar mesmo ajuda. O que eu não busquei quando eu foz dívidas lá atrás, eu desesperei, eu fui me desfazendo de tudo o que eu tinha, assim, por 50% do que valia. Eu não busquei ajuda de advogados ou de contadores ou de finantial advisers que pudessem me ajudar. Eu no desespero de pagar as minhas contas eu cometi inúmeros erros, que hoje estou colocando aí no livro e nos meus treinamentos. E gente, não adianta, é o que eu te falo, tem que dar um passo atrás, tentar olhar a sua realidade e buscar ajuda para, inclusive para negociar dívidas, se você não sabe negociar as próprias dívidas ou se está em situação com uma pessoa que não é flexível. Porque as vezes o credor se torna extremamente agressivo. E eu já passei por isso e é por isso que eu fui desfazendo de tudo por medo, por pânico, por desespero. E hoje não faria novamente de jeito nenhum. E eu tenho certeza que teria resolvido o meu problema talvez com um ano, e não teria passado por tanto sofrimento. Mas foi a minha imaturidade e o meu desespero, e o não pedir ajuda especializada que fez com que eu perdesse tudo e enfim, hoje eu faria diferente. E como que eu voltei? Através de parceria. Eu tinha licença, o meu know how, fui usufruindo, como eu te falei durante o nosso bate papo, eu já estava muito mais fortalecida emocionalmente, mentalmente, buscando ferramentas pra me comunicar cada vez melhor, para negociar melhor. Então assim, leiam. Eu li muito, muito, muito, muito, coisas aí, nem sei, 50, 60 livros/ano, de buscar primeiro, eu fui por etapas, o meu resgate foi muito mais emocional, espiritual em um primeiro momento para depois realmente ser administrativo e de gestão. E eu acho que foi esse o caminho que eu fiz. Eu não sei se eu respondi as duas perguntas.

Entrevistador – Não, respondeu sim. Tem, acho que, só para poder comentar nessa tia resposta, duas coisas. Uma é esse negócio, o ideal, se possível, tentar evitar dívida, né, não entrar em dívida, etc., você vai dormir muito melhor à noite. Porque eu lembro que o meu pai sempre me contava uma história que é assim: o meu nome não tem preço. Então quando você conta isso, olha, quando você fizer uma negociação e você falar que vai pagar 100, paga os 100. É melhor você falar que vai pagar só 100 do que falar que vai pagar 1.000 e não conseguir pagar. Então, trouxe isso, trago isso do meu pai e sempre fica na minha cabeça. O meu nome não tem preço e consequentemente a palavra. E outra coisa que eu acho que, pelo que eu estou ouvindo a tua história, você aprendeu nessa sua segunda, vamos dizer, no seu segundo ato, foi realmente cercar de gente que pode te ajudar. E isso eu tenho visto aqui no podcast muito constante. Eu pergunto para as pessoas assim meio que qual foi uma receita de sucesso, etc., todo mundo diz, sem exceção que olha, foi me cercar de gente boa, foi ter gente junto comigo que eu não só pudesse confiar, mas que me complementasse. Então, se eu sou bom em finanças, eu vou trazer alguém que é bom em marketing. Se eu sou bom em vendas eu vou trazer um bom jurídico, um bom advogado, etc. Se eu, eu vou trazer uma pessoa de operações, ainda mais você agora que está em educação, em varejo, em alimentação com restaurante, em fintech, e em tecnologia com o app, não tem outro jeito, gente é a resposta.

Simone – Com certeza, com certeza. E o meu pai sempre falou para a gente para viver com no máximo 70% do que você ganha. E talvez por, e eu vivia assim, o problema foi que quando estourou todas as dívidas eu entrei nesse desespero de desfazer das coisas, perdi a sabedoria. Então hoje, se tem um aprendizado é, gente, se você está desesperado saia um pouco, vai esfriar a cabeça e buscar pessoas realmente que consigam te iluminar. Então eu não ouvia, eu falo que eu fiquei cega, surda, naquele efeito liquidificador que eu falo muito, que são pensamentos acelerados que só entram num espiral e me puxavam ali para baixo. E hoje eu continuo vivendo. Eu realmente eu vivo com menos de 70% do que eu ganho. Esse é um grande aprendizado que eu acho que, indiferente do que você ganhe 1.000 reais ou 1.000 dólares ou 10 mil ou 50 mil ou 100 mil, esse é aprendizado da vida. Porque é outro erro que as pessoas fazem, eu volto a falar do nosso povo aqui imigrante, trabalhador, mas que chegam aí ganhando 2.000 dólares no mês, depois ganham 3, 4, 5, 10, mas o padrão de vida ele vai subindo.

Entrevistador – Vai acompanhando.

Simone – Muito, e até maior do que a renda, e a conta não vai fechar, que era a minha experiência no Brasil. Eu falei essa conta não fecha. Então, ter essa humildade de falar, nossa, que bacana, eu estou ganhando X, eu vou viver com um pouco menos do que . Porque senão você entra nessa espiral de gastar, de consumir e nunca é suficiente. Então é fazer conta, é fazer com que a matemática feche foi um grande aprendizado, e hoje eu passo isso para os meus filhos, não é porque você pode ter que você vai ter. Você precisa, quando e o porquê e o para quê? Porque a gente vê o excesso de coisas aqui nos Estados Unidos jogadas fora e enfim, todo o desperdício, todo o excesso, que não é necessário. Então eu acho que até para isso foi bom. Eu falo que, é claro que eu não queria viver de novo, Juliano, nunca, principalmente pela dor de ter ficado tanto tempo longe dos meus filhos e eles de mim, mas assim, os aprendizados foram gigantes. Talvez eu não tivesse a metade da maturidade e do aprendizado que eu tive financeiro, de gestão, de relacionamento, de entender pessoas, o comportamento das pessoas também quando elas são credoras. Então assim, foram várias aprendizados dolorosos, mas que realmente valeram aí por muitos e muitos anos de faculdade, digamos assim.

Entrevistador – Com certeza talvez se não tivesse chegado onde você chegou hoje se você não tivesse passado por aquilo, por mais doloroso que tenha sido naquele momento, com certeza te fez uma pessoa melhor, mais bem preparada. Talvez te fez até alcançar mais coisas do que você teria alcançado se você não tivesse passado por essa lição.

Simone – Sim.

Entrevistador – Naquele, assim, eu suponho que aquilo deve ter sido o momento mais difícil da sua vida. O que te fez continuar? Porque você não desistiu, isso está claro. O que te deu aquela força para continuar?

Simone – Eu acho que por um período eu não digo que eu desisti, mas por um período eu me anestesiei e me escondi. Na época da síndrome do pânico, na época da depressão eu vivia num ciclo, eu volto a falar, eu chamo de efeito liquidificador, de pensamentos acelerados negativos me puxando sempre para baixo com culpa. Então eu me questionava muito, esse período aí de 2008 até 2010 eu vivi uma inércia que eu só continuava levantando da cama as 4:30 da manhã para ir trabalhar na construção civil, ficar ali até 5, 6 horas da tarde para no final da semana ter 350, 400 dólares no bolso porque eu tinha três filhos no Brasil e tinha que mandar dinheiro para lá e tinha que continuar sobrevivendo. Mas eu estava anestesiada pela culpa, Juliano, era um negócio de, mas como assim, eu cheguei com 21, me tornei uma pessoa milionária, e como que eu não vi essa onda vindo? E hoje eu sei que não foi 2008, por isso que eu falo muito quando eu conto a minha história, eu não quebrei por causa da crise, eu quebrei, eu comecei a quebrar um ano, um ano e pouquinho antes. Então foram os meus comportamentos errados, o meu excesso de gastos, o meu excesso de coisas. Porque eu fazia várias coisas, mas eu não tinha as equipes que eu tenho hoje. Eu tenho hoje, o grupo, o S. Group Investiments ele tem hoje mais de 70 pessoas trabalhando, cooperando. Eu tenho o gerente e o diretor administrativo do grupo, a secretária executiva, cada empresa tem o seu gerente. Naquela época eu fazia tudo muito no intuitivo, vamos fazer um evento aqui e uma revista do outro lado, e uma loja mais uma loja, mais outra loja. E tinha ali os funcionários, mas não tinha essa estrutura. Então na verdade, de 2008, quando eu fico sozinha trabalhando na construção civil e que eu fico vivendo em Kearny até 2010, o que não me fez desistir foi, eu tinha três filhos no Brasil para sustentar, eu tinha que continuar, comendo, bebendo, dormindo, e me recuperar. Eu acredito que o primeiro ano era, foi blackout total, fui anestesiada total. Eu acho que eu fazia aquilo ali, o ano de 2008 para mim, provavelmente início de 2009, é como se nem tivesse existido, porque foi tanta pressão, tanta depressão, tanto pânico, tantas dívidas, tantos cobradores que eu vivi ali num caldeirão de emoções e de pressão que muitas pessoas próximas a mim elas falam: a gente não sabe como é que você aguentou. Então eu acho que eu sempre fui uma pessoa de muita fé, de muita fé mesmo, eu sou de uma família muito católica, o meu pai e a minha mãe são ministros da palavra, ministros da eucaristia, e eu sempre tive muita fé. E eu acho que isso é até inconsciente, está dentro do coração, está dentro da nossa alma, essa sustentação espiritual. Eu acredito muito em oração. Então os meus pais, meus irmãos, as pessoas que estavam com os meus anjos ali nesse momento difícil da minha vida, eu sei que eles seguiram em oração ali para me ajudar nessa sustentação. E eu acho que foi isso. O primeiro ano foi dor mesmo, foi muito choro, foi muita tristeza, foi muita culpa, e como é que eu faço, como é que eu faço, mas eu não conseguia acho que nem pensar. Eu acho que depois aí, vamos pegar de um ano, já vivendo em Kearny, já acostumada com o novo trabalho, com a nova rotina, tendo certeza que os meninos estavam muito bem, os meus três filhos no Brasil. Então quando deu alguma estabilizada eu acho que aí eu comecei a questionar, a partir de 2009, o que eu posso fazer, o que eu faço, o que eu vou fazer com o que me aconteceu? Eu acho que eu começo a sair desse estado de culpa e começo a buscar realmente a inteligência emocional, que foi… Eu falo, hoje todo mundo fala, todo mundo quer comprar, digamos assim, o business, os cursos de business. E eu falo para as pessoas: gente, se você não tiver inteligência emocional você pode fazer curso em Harvard, mas não é sustentável. Então eu sou assim da bandeira da inteligência emocional porque para mim foi o que conseguiu me reestruturar para que eu voltasse realmente a ter até a disposição. Então, esse processo de autoconhecimento, de fortalecimento emocional, junto com o espiritual e forte com o intelectual foi me fazendo a ter essa coragem de recomeçar. Mas que é fácil, não é, que é do dia para a noite não é. E aí num segundo momento, eu acho que depois que você passa dessa camada, a gente pode pegar ali a Pirâmide de Maslow ali, depois que você passa da camada do sobreviver, quando eu voltei a ter condição de sustentar os meus filhos, então você está comendo, está dormindo, está pagando as suas contas, aí eu falo ok, então como que eu posso agora prosperar novamente, como que eu vou reconstruir? Porque eu queria muito que os meus filhos realmente fossem prósperos. Eu sei o quanto é bom ter uma família carinhosa, amorosa, que está ali te protegendo, cuidando. Mas eu também sei o quanto é bom ser próspero. Não digo nunca de ostentação porque eu sou completamente contra e para mim é fútil. Eu acho que eu já passei por muitas coisas na vida para ter que ostentar qualquer coisa para qualquer pessoa. Então, não gosto, não concordo, acho que a mídia adoece muito, muito as pessoas hoje. Porque o conceito de riqueza é mentiroso. Mas de imagem de ostentação do que de prosperidade. Mas eu gostaria muito mesmo, eu queria muito que os meus filhos vivessem uma vida sem dores financeiras. Porque eu via o meu pai e a minha mãe trabalhando demais. O meu pai trabalhava na Usiminas, trabalhou na Cesip, a minha mãe costurava 10, 12 horas por dia, só para conseguir a sobrevivência e não a prosperidade. Então como eu já tinha experimentado a prosperidade eu falei ok, como que eu faço isso de novo? Então eu acho que dali eu comecei a realmente estudar. Falei eu errei aonde? Então eu faço outro curso, eu fiz um outro bacharelado, que eu tinha já me formado em International Business como Associate Degree, que aqui é um curso de dois anos. Esse curso eu tinha feito em 2000, eu me formei em 2006. Então em 2009 para 2010 eu volto ao estudo sozinha primeiro, porque eu não tinha financeiramente condições de estar estudando fora. E nunca mais parei. Eu me formei com 40 anos, eu me formei em Console, pela Flórida Christian University, e já segui com o mestrado, fiz o mestrado em Coaching, e fiz cursos de negociação em Harvard depois, e fiz curso em Stanford de comunicação e persuasão, e continuo estudando sem parar. Eu quero muito, está aí já no meu planejamento fazer o meu doutorado em Business também, porque eu sou fã de conhecimento, e foi isso que me fez uma pessoa diferente, não só o sofrimento e a dor, mas também essa busca de evoluir espiritualmente, intelectualmente, emocionalmente. E falar ok, quando acontece um erro eu falo assim, dentro das empresas eu tenho um termo que é pivotar, eu falo nós vamos pivotar e vamos ajustar e vamos fazer o que for preciso até a gente entender o que é que o nosso cliente quer, até a gente acertar nessa linha de servir com excelência, mas também de gerar lucro. Então nós temos esses pilares de ter um ambiente de trabalho saudável, de estar servindo o cliente com excelência, mas nós temos que dar lucro. O livro que sai agora ainda esse semestre, que é o Gestão com Gentileza, ele é gestão com gentileza e dando lucro, porque, enfim, não dá para ser não pragmático como os americanos são nesse sentido. Você não tem um livro só para falar que é dono de negócio, e é isso que eu pressiono muito os meus alunos nos treinamentos também, porque que você realmente quer ser empresário, é pelo status, é um sonho, é porque você tem habilidade? Porque muitos só querem pela ideia de ser bem sucedido, pela ideia de prosperar, ou pelo status. E talvez não conheçam toda a trajetória. Mas eu acho que é isso, Juliano, eu acho que eu saí da sua pergunta algumas vezes aí, mas é porque é muita coisa mesmo.

Entrevistador – Não, foi legal, que história bacana. E assim, Simone, eu podia ficar aqui mais umas cinco horas, fazer mais um monte de pergunta, mas eu quero respeitar o seu tempo também.

Simone – Não, tranquilo.

Entrevistador – E acho que talvez assim, para a gente ir encaminhando para finalizar aqui, tem um quadro que eu brinco que são as rapidinhas, então eu faço quatro perguntinhas aqui, e aí me diz um pouco a primeira coisa que vem a sua cabeça sem elaborar muito assim.

Simone – Você não me preparou para isso não hein Juliano, vamos lá.

Entrevistador – É isso aí, é para pegar o convidado de surpresa.

Simone – Isso não é legal não, mas tudo bem.

Entrevistador – Mesmo já estando aqui há tanto tempo, o que você ainda sente falta do Brasil?

Simone – Do bem estar assim. Eu sou uma pessoa de Minas, Vale do Aço, aonde tem violão e voz, então barzinho violão e voz, sabe, final de tarde, fim de semana, essa coisa dos amigos, do violão e voz, desse momento, eu sinto muita falta.

Entrevistador – E o que você descobriu aqui que agora você não vive sem?

Simone – Eu posso falar que é a praticidade da vida. Eu sou uma pessoa extremamente prática, o americano ele é prático, é assertivo, e sem mimimi. É o que eu mais amo, sabe. Não tem jeitinho, é vamos que vamos mesmo, e você consegue, você tem aquilo que realmente você está buscando. Não existe, não existe o cinza como você disse.

Entrevistador – E assim, ao longo desse nosso papo você deu vários conselhos, mas enfim, se você tivesse que dar um conselho para quem quer empreender aqui nos Estados Unidos, qual seria esse um conselho?

Simone – Seria um conselho em quatro, que seria os quatro Ps do business, é você realmente pesquisar. E é pesquisar de verdade, não é pesquisar dois minutos no Google. A minha pesquisa e depois o meu ponderar se era aquilo mesmo que eu queria. Junto com a minha sócia lá atrás no ano 2000. E depois planejar, para depois pôr em ação, é como você disse, foi intuitivo naquela época, mas hoje é o que eu sigo. Então são os quatro Ps do business, eu acho que eles servem para os Estados Unidos, para o Brasil, para qualquer lugar do mundo, é realmente saber onde você está entrando e não ir pela emoção.

Entrevistador – Legal. E Simone, você também contou que teve, tem um aprendizado grande, você passou a se dedicar para obter conhecimento, etc., buscar conhecimento. Tem algum livro ou um filme ou um podcast que você indicaria aqui para quem está acompanhando a gente?

Simone –Olha, eu acho que tem muita coisa. Eu acho que é o estudo contínuo mesmo, que eu comecei pelo Monge e o Executivo lá atrás, quando eu comecei os meus estudos, foi mais aí por volta de 2009, 2010. Mas eu nunca parei. Então eu acho que é muito do, O monge e Executivo eu vou aconselhar para qualquer pessoa, assim como o Poder do Hábito, com certeza, leiam O Poder do Hábito, entenda que você… é de verdade o que Aristóteles já falava, somos repetidamente aquilo que a gente faz. Então excelência não é por acaso, excelência é pela constância. E Inteligência Emocional, eu acho que eu estudei muito com o doutor Augusto Cury, eu li mais de 40 livros do doutor Augusto Cury, que é sempre o mesmo conceito, mas em histórias diferentes, e que aí você vai se encontrando naquelas histórias. E com o Daniel Goleman, que é o Inteligência Emocional I, que é um best-seller aí, incrível, que ele é fonte dos meus estudos e da minha tese de mestrado. Eu tenho um livro que chama Inteligência Emocional – A Feminina. Mas eu acho que também, Juliano, é a pessoa descobrir para qual caminho ela está indo, sabe, de coração, que é bem importante também essa clareza. Até para estudar. Hoje, por exemplo, eu estou estudando muito sobre fintech, então acho, entenda com clareza, senta nessa mureta aí que eu falei com vocês, olha a sua vida do lado de fora, porque às vezes eu vou estar te falando aqui a história do Monge e o Executivo é incrível, O Poder do Hábito é incrível, Inteligência Emocional é incrível, mas às vezes você está num momento que realmente você precisa de entender sobre comunicação assertiva, ou sobre a expressão corporal, ou sobre realmente, talvez é o relacionamento conjugal ou com os filhos que está atrapalhando todo o resto. Então eu acho que quando você é honesto suficiente e consegue olhar a sua própria vida de fora, fica mais fácil de você desenhar esse planejamento. E acho que o conselho da vida é entender que é uma jornada. Eu falei com você, amanhã eu faço dez anos que eu retornei para os Estados Unidos, então tudo é uma jornada mesmo.

Entrevistador – Que legal. E vamos fazer a propaganda do outro livro aqui também, olha.

Simone – Inteligência Emocional Feminina, foi best-seller aí na Amazon, no Brasil, como saúde, por duas vezes já. E eu convido a todas as mulheres aí, aos homens também, porque dá, principalmente homens casados aí ou com filhas, eu acho que dá para aprender um pouquinho aí, foi a minha tese de mestrado, nasceu esse livro da tese de mestrado. Foi feito com muito estudo e com muito carinho.

Entrevistador – Que bacana. Show. Simone, obrigado demais. Assim, te agradeço muito pelo seu tempo, foi um papo bem bacana, delicioso, parabéns pela história. Como eu disse no começo, uma história acho que não só de determinação, de superação, mas de fé também. Então acho que merece tudo o que você está colhendo aí hoje. Parabéns. E onde o pessoal te acha, onde o pessoal acha a Simone? Dá, é a hora do seu merchan aí, deixa onde o pessoal acha você, LinkedIn, onde você quiser.

Simone – Maravilha. Primeiro eu tenho que agradecer a Silvia Baleiro, que foi a pessoa que nos conectou, Juliano, ela foi assim…

Entrevistador – Grande Silvia, obrigado.

Simone – De uma doçura, de uma generosidade. Ela está trabalhando comigo nos outros livros, e eu tenho um carinho imenso por ela. Então Silvia, obrigada. Obrigada Juliana pelo espaço também, muito bom poder de alguma maneira contribuir ou inspirar e contar a minha história aí. Eu estou no Instagram com @simone_salgado_usa, e no LinkedIn como Simone Salgado, vocês vão me ver lá como a CEO do S. Grupo Investiments. O meu site é institutosimonesalgado.com. E no Facebook também tem a página da Simone Salgado, como Instituto também. Então eu espero que vocês possam me encontrar por lá e estou aí à disposição. Em breve com mais livros e novos treinamentos aí também no online para poder atingir mais pessoas, mesmo quem não está por aqui.

Entrevistador – Bacana. A gente vai colocar o link do Instituto na descrição do episódio para o pessoal poder acompanhar.

Simone – Obrigada.

Entrevistador – Legal. E é isso, gente, assim, para a gente terminar aqui eu queria de novo agradecer a Simone pelo tempo e queria agradecer todo mundo que acompanhou a gente aqui, seja nas plataformas de streaming, Spotify, Apple, e também no YouTube. Então a gente tem um canal no YouTube, vai lá, por favor, dá aquele joinha, dá aquele like, se inscreve no canal, deixa um comentário para a gente. Sempre digo e vou repetir, para mim o tempo é o bem mais precioso que a gente tem, então o fato da Simone ter me dado esse tempo, o fato de você ter acompanhado a gente aqui durante essa hora e pouquinho significa muito para mim e enche meu coração de orgulho, de gratidão. Obrigado por estar aqui com a gente. Mas essa história é tão bacana que eu preciso de ajuda para espalhar, e o jeito de espalhar é combatendo os algoritmos do YouTube. Então vai lá, compartilha episódio, você também me acha no Instagram, é @jg.julianogodoy, me marca lá, se tiver algum comentário, compartilhe o episódio. Se tiver algum convidado que você quer que eu traga aqui no episódio, põe lá também, manda uma sugestão, a gente está começando e quer trazer bastante gente para dividir a história deles. Gente, é isso, eu fico por aqui hoje. Obrigado.

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