Parceria na vida e nos negócios Com Rodolfo e Cátia Coelho

Parceria na vida e nos negócios   Com Rodolfo e Cátia Coelho

Parceria na vida e nos negócios Com Rodolfo e Cátia Coelho

03/26/2022

Quando um casal empreende juntos, a motivação e a vontade são dobradas, mas é preciso que os dois estejam na mesma página para que o negócio dê certo.

Este é o caso de Rodolfo e Cátia Coelho, um casal de brasileiros que está empreendendo no setor alimentício dos EUA. Neste episódio do podcast “ImiGrandes”, vamos conversar com o casal co-fundador da Nutreat Snacks saudáveis, e juntos vamos falar de empreendedorismo na América, parceria nos negócios, e na vida.

Entrevistados
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Podcast

Transcrição

Juliano Godoy – Oi pessoal, tudo bem? Sejam muito bem-vindos. Eu sou Juliano Godoy e este é o ImiGrandes. Aqui a gente bate um papo com brasileiros que tiveram a coragem e ousadia de empreender fora do Brasil. Para mim, empreender já é foda. Empreender fora de casa é foda ao quadrado. Bora aprender com eles? Hoje tem novidade por aqui. Pela primeira vez, nós vamos entrevistar um casal que está empreendendo juntos. Nossos convidados de hoje são a Cátia Coelho e Rodolfo Coelho, ambos tiveram uma carreira corporativa de muito sucesso e hoje são co-fundadadores da Nutreat, que é uma empresa de Sneacks saudáveis. Pessoal, tudo bem? Prazer em ter vocês aqui com a gente em nosso podcast.

Rodolfo Coelho – Fala Juliano, tudo bom?

Cátia Coelho – Oi Juliano, tudo bem? Enorme prazer.

Rodolfo Coelho – Obrigado pelo convite.

Juliano Godoy – Que é isso. Obrigado vocês pelo tempo, pela disponibilidade. Acho que para a gente começar, eu queria que vocês dividissem com a gente um pouco da história de vocês, assim, como vocês… De onde vocês são no Brasil, como foi a carreira, como vocês chegaram aqui nos Estados Unidos. Cátia vamos começar com você?

Cátia Coelho – Vamos começar, então. Eu sou Cátia, sou carioca, nasci, obviamente, no Rio de Janeiro, eu me formei no Rio em Psicologia. Eu tenho minha licença no Brasil como psicóloga e também meu mestrado aqui nos Estados Unidos como mental health [ininteligível] (00:01:20). A minha… Desde nova, desde o meu estágio, eu comecei a minha carreira na Ambev e lá fiquei por dez anos. Foi uma experiência fascinante. Eu tive experiência com RH e controle de qualidade também. Nessa época, a Ambev tinha as duas áreas juntas e eu pude ver também toda essa parte de gestão, processo… Foi muito interessante, me ajudou… Me ajuda muito até hoje. Eu conheci o Rodolfo nova ainda, quando eu era estagiária, nós dois éramos e aí anos, anos, anos depois a gente se reencontrou. Dois anos depois casamos, temos três filhos lindos. Uma já formada, dois no college. Nessa… Nessa… Enfim, eu não falei… Não falo muito misso, mas, assim, já acompanhava ele. O Rodolfo é um líder brilhante. Estava sempre lá [ininteligível] (00:02:22). Tinha esse privilégio. Sabia tudo da vida dele, mas aí ele foi transferido. Quando a gente veio para os Estados Unidos, eu tinha dado um break na minha carreira, mas claramente, assim, ficou…

Juliano Godoy – Foi em que ano essa primeira transferência, Cátia?

Cátia Coelho – Foi em 2004, não é?

Juliano Godoy – Uhum.

Cátia Coelho – E aí nesse… Assim que eu cheguei nos Estados Unidos, nossos filhos um tinha 30 dias, um ano e o outro 6 anos. E eu… Antes eu achava que eu falava inglês, mas eu não falava nada. Quando eu cheguei aqui eu falei: “Não, eu preciso [ininteligível] (00:02:55), assim, ter essa experiência fascinante” e aí eu comecei meu mestrado aqui com os filhos. Eu falei: “Não, não vou parar”. Eu gosto de trabalhar, então eu sou… Assim, é uma coisa que está dentro de mim, não é? Que eu preciso fazer alguma coisa útil e ser ativa, acho importante isso. E aí quando a gente veio para os Estados Unidos, falei: “Cara, é a minha oportunidade. Eu tenho que fazer alguma coisa” e comecei… Bom, a gente se mudou, a gente saiu dos Estados Unidos, voltou para o Brasil e depois tudo com… Com as transferências do Rodolfo. Depois a gente voltou para a Flórida e a gente foi para Connecticut, depois Austrália, agora mais recentemente Estados Unidos. Então, todas essas experiências, como eu te falei, eu nunca fiquei parada. Ou eu estudava ou eu estava fazendo alguma coisa non-profit ou estava no meu consultório ou estava, enfim, fazendo alguma coisa para a minha carreira também. Me ajudaram muito e aí quando a gente estava na Austrália, eu falei: “Caramba”… Fiquei, assim… Uma experiência fascinante com todo esse mundo de alimentação que eu já tinha um pouco de experiência com isso porque você imagina. Eu trabalhava aqui com pacientes com doenças mentais severas. Assim, vamos dar um exemplo. Uma… Uma depressão profunda e pessoas drogadas também, envolvidas com drogas e tudo isso eu tive que ter… O tratamento envolvia também a parte de alimentação. Então eu sempre estudei muito sobre isso, as minhas pesquisas também. É uma coisa que eu acredito de, como eles chamam, Food as Medicine e não só na nossa experiência, família também. Experiência de saúde, a minha experiência pessoal também que eu precisei de alimentação, enfim. Tudo isso me ajudou, me impulsionou a pensar no Nutreat. Obviamente eu não ia conseguir sozinha, então o Rodolfo, com toda a experiência que ele tinha, já não é a primeira vez que a gente trabalha junto. Então, já é a terceira. Então, nessa experiência, eu falei: “Eu preciso de você. Você é o líder e a parte do time que eu acho”… Isso é importante quando você é líder. Você tem que saber no que você é bom e no que você precisa das outras peças do time para você estar completo, ter sucesso. Então, acho que isso foi… Resumidamente. Tem muita coisa para contar, mas acho que é isso.

Juliano Godoy – Não, a gente vai… A gente vai entrar. Você falou bastante coisa aqui que a gente vai explorar um pouco. Obviamente, de como foi a descoberta da Nutreat, etc. Mas acho que antes de a gente chegar lá, eu queria dar a chance de o Rodolfo também contar um pouco da história dele e a versão dele de como que a Cátia entrou na sua vida, Rodolfo. Conta aí para a gente.

Rodolfo Coelho – Juliano, a Cátia entrou na minha vida pelo elevador. Desde quando a gente era estagiário na Brahma, a Brahma ainda era no Rio de Janeiro nessa época. Ela entrava no elevador e eu olhava aquele monumento entrando, eu falava: “Nossa, que maravilha”. Dava um bom dia esfuziante. Ela não dava nem bom dia. Ou seja, demorou um tempo, mas quis o destino que depois de eu dar muita volta, fui… Vim fazer o mestrado aqui com uma bolsa da Fundação Estudar e da Brahma na época, fiquei dois anos aqui nos Estados Unidos, depois fui para a Argentina, voltei para o Brasil, fui para o Espírito Santo e quando eu voltei de novo para o Rio de Janeiro, a Cátia foi… Ela era a head de RH de lá, de gente e gestão, que a gente chamava e ela que me recebeu e deu o azar de me colocar sentado na frente dela lá na sala da gerência e o resto é história. Pouco tempo depois a gente começou a namorar, do namoro, casamos, enfim. E aí entrando naquele circuito que ela já contou um pouco de idas e vindas com as transferências todas aqui até… Até a gente está aqui de volta. A gente já trabalhou junto duas outras vezes e quando ela montou a Nutreat foi interessante que, assim, eu confesso que eu não imaginava o quão longe isso ia chegar. E ela começou, assim, mandando alguns protótipos para a Universidade de Cornell, que é o melhor programa de ciência de alimentos aqui dos Estados Unidos, de Food Science e eles se encantaram com os protótipos e aí chamaram ela para desenvolver o produto lá. Quando Cornell se envolveu, apareceram investidores e, enfim, o negócio tomou outra proporção e assim que ela resolveu me contratar como funcionário número um. Para todos os efeitos, a gente fala que eu sou co-founder, mas, na verdade, eu sou o primeiro funcionário que ela contratou, primeira daquelas peças que ela trouxe para a equipe quando ela começou a expandir.

Cátia Coelho – Trabalho [ininteligível] (00:07:46) Work.

Rodolfo Coelho – É, assim, o mais bacana é que a gente já sabe como a gente trabalha juntos. Não é a primeira vez e a gente está vendo cada vez mais casais empreendendo e muito tem a ver com essa dinâmica de você conhecer o outro profundamente e confiar cegamente porque na hora que você está empreendendo e está todo mundo alucinado não dá tempo, às vezes, de coordenar tão bem quando a gente idealiza e tem que ser muito no voo cego. Eu confio no que ela está fazendo, ela confia no que eu estou fazendo e a gente vai em frente.

Juliano Godoy – Que legal. Eu queria entrar um pouquinho nesse… Nesse de empreender como um casal, não é? E aí eu vou plagiar um pouquinho o Gustavo Cerbasi aqui e perguntar para vocês, não é? Assim, casais inteligentes empreendem juntos?

Rodolfo Coelho – Eu já vi de tudo nessa área. Se eu não acreditasse, a gente não estava fazendo.

Cátia Coelho – Já não estaria junto. Com certeza.

Rodolfo Coelho – Essa é a primeira, mas acho que o principal é: Depende da dinâmica do casal. Tem casais que são mais parecidos entre si e talvez não exista tanta complementaridade. Ou têm interesses diferentes. Um quer empreender, o outro quer ser funcionário público. Cara, não tem nada de errado. No nosso caso, a gente é complementar e a gente tem essa fome de empreender. A gente teve carreira de executivo, mas no fundo, o que a gente gosta mesmo é de meter a mão na massa e tomar risco e viver desse risco de fazer o negócio andar.

Cátia Coelho – É, não vou falar que, assim, que é uma coisa fácil e talvez não para todos os casais. A nossa… A nossa experiência começou como executivo e nós dois trabalhando juntos. Então, obviamente que isso ajudou que eu já… Eu já conhecia o Rodolfo líder, o Rodolfo profissional. Então, existia a confiança, a admiração, o respeito, que é uma coisa que, assim, o tempo constrói. Não é uma coisa… Então, e é a terceira vez que nós estamos trabalhando juntos. Então, a gente sabe exatamente a formação, cada habilidade, cada talento de cada um porque a gente já viveu isso em outros momentos. Como a gente falou é a terceira vez que nós estamos juntos, então com certeza isso contribuiu muito para dar certo, não é? Não é todo mundo que tem essa possibilidade.

Juliano Godoy – Mas como que é, assim, fazer tudo junto, não é? Vinte e quatro horas. Para mim, acho que é meio impossível separar, assim, a empresa, a família, acaba ficando tudo junto. Não sei vocês, mas, assim, hoje… Sei lá, eu tenho meu trabalho, minha esposa tem o dela e, de vez em quando, no jantar a gente fala: “Puxa, tive uma reunião hoje, foi uma porcaria. Aquele cara é muito chato”. Como é que vocês fazem? Na mesa de jantar, como é que você reclama do seu funcionário número um, Cátia? Ou seu funcionário número um nunca faz nada para você reclamar? Como é que…

Cátia Coelho – Olha, eu vou te falar que a gente… A gente trabalha muito. A gente tenta respeitar esses… Esses momentos assim, mas eu não vou… Eu não vou mentir. Não é… Às vezes, você está na hora do jantar e você tem que falar de trabalho e tem que falar de trabalho, não é? Então, isso é uma coisa que eu acho que também ajuda porque eu trabalho bastante e gosto de trabalhar e ele também. Então, acho que se a gente estivesse num ritmo diferente, se a gente tivesse um ritmo diferente de trabalho eu acho que isso talvez não contribuísse tanto e mesmo quando a gente… Eu estava atendendo paciente e ele, por exemplo, na outra empresa que ele falou que era Health Care também, a gente falava de trabalho. Então, porque tinha coisas, assuntos em comum. Então, eu acho que é isso. A gente… Para a gente funciona. Não sei se é certo ou errado, se vai funcionar para todo mundo. Não estou aqui dizendo que é o modelo certo, mas funciona para a gente. Então… Mas sim, na hora do jantar a gente vai falar de trabalho sim.

Rodolfo Coelho – Aí eu acho que entra uma outra parte, Juliano, que tem a ver com empreender de modo geral. Você tem que fazer alguma coisa que você seja absolutamente apaixonado, que… Assim, que o trabalho se misture com aquilo que você, por exemplo, busca de: “Ah, eu quero aprender mais”. No nosso caso, a gente quer aprender mais sobre o que a gente está fazendo. A gente quer aprender sobre empreender, sobre o ecossistema de venture capital e coisas do gênero. Então, acaba sendo para a gente algo que a gente faz com um prazer que não seria a mesma coisa se a gente estivesse fazendo alguma coisa que não fosse, assim, absolutamente, nossa escolha no momento. Calhou de ser a mesma escolha para os dois. Eu acho que essa é a grande… O grande diferencial. Os dois queriam a mesma coisa ao mesmo tempo, mas esse negócio de ter uma missão e fala-se empresa que tem uma missão, etc. Eu acredito que para você operar em alta performance com o comprometimento que empreender requer, não tem outra saída. Você tem que fazer primeiro algo que você seja apaixonado e, segundo, que não seja… Você não sinta que é um trabalho no sentido assim: “Caramba, eu tenho que acordar e fazer isso”. Não. É: “Caramba, que bacana. Tenho mil coisas para fazer hoje e amanhã vai ter mais mil e a gente faz juntos”. Não tem receita de bolo nesse negócio, mas eu acho que fazer o que você quer…

Cátia Coelho – O que você gosta, é.

Rodolfo Coelho – É um bom ponto de partida.

Juliano Godoy – Que legal. Bom, eu estou doido para ouvir mais dessa história de onde vocês estão agora, mas eu não posso deixar de perguntar uma coisa. O seu primeiro… Quando você vem, o seu primeiro assignment aqui no Estados Unidos, acho que em 2004, como a Cátia falou, você veio para tocar a expansão do Guaraná. Foi essa época ou não?

Rodolfo Coelho – Foi.

Juliano Godoy – Eu queria que você contasse um pouquinho dessa época, como foi e vou te falar por que, cara. Não sei se você sabe ou não, para quem… Para quem está ouvindo e não conhece, o Rodolfo teve essa missão na Ambev de tocar o guaraná nos Estados Unidos e aí você veio morar em Miami, é isso?

Rodolfo Coelho – A gente… O escritório era Miami e a gente morava em Boca Raton, que é uma hora ao norte. Eu ia e voltava todo dia.

Juliano Godoy – Nessa época, o Rodolfo tinha o cargo mais invejado da Ambev, entendeu? Até mais que CEO. Então, cara, entre como treinee, assim, inspiração de carreira de todo mundo lá era o cargo do Rodolfo. Colocava lá, não é? Plano de carreira, eu quero tocar o guaraná nos Estados Unidos. Cara, foi tudo isso mesmo? Como é que foi chegar aqui para desbravar esse mercado? Como é que foi vir sozinho para tocar isso? Como é que é ser o cara mais invejado na empresa?

Rodolfo Coelho – Eu acho que tem… Tem… Tem a versão e tem a realidade. E é verdade. Era um cargo assim de muita visibilidade, todo mundo olhava isso, mas se você voltar um pouco no tempo, eu sempre tive na parte empreendedora da Ambev. Então, nos primórdios, quando a gente começou a internacionalização, eu fui direto do meu MBA para a Argentina no primeiro time que chegou lá para desbravar, enfim, e conquistar mercado e que terminou com a compra da Quielmes algum tempo depois. Mas quando eu vim para os Estados Unidos, a gente não tinha essa… Essa experiência de expatriar muita gente e principalmente quando não era uma… Uma estrutura grande que vinha com dinheiro para montar a fábrica, etc. que era um negócio muito mais empreendedor. Brincadeiras à parte, mas a gente ficou três meses sem receber salário porque não conseguia sequer mandar o dinheiro para cá, não tinha conta, etc. então, assim, era realmente empreendedor e foi fantástico porque era fora da caixa, era fora da máquina central e isso obviamente tem os prós e os contras, mas a verdade é que era testar um modelo diferente de negócio com uma parceria com a Pepsi na época e entender se tinha viabilidade a gente trazer a marca através da Pepsi que era uma coisa que a gente tinha muita vontade de fazer e explorar. Mas, assim, foi totalmente empreendedor e acho que é uma… Foi um aprendizado fantástico não só para entender o mercado americano, a complexidade, o tamanho, a magnitude do mercado, mas também para entender muito como penetrar mercado. O mercado maduro porque a Argentina na época, só para usar o exemplo que eu conheço de perto, ainda tinha muita coisa para construir. Aqui não. Você entra na categoria de soft drinks que o americano inventou. É o rei desse negócio. E entrar como um pequeno player do Brasil ensinou muita coisa e eu credito, assim, os ensinamentos bons e ruins porque a gente sempre fala da parte boa e a gente sempre conta muito do sucesso, mas, às vezes, os fracassos ensinam a gente mais do que o sucesso.

Juliano Godoy – Com certeza. Com certeza. E o que eu acho fascinante dessa história é que, assim, tem muita gente que quer empreender e tem um pouco desse glamour, um pouco dessa ilusão, às vezes, mas, assim, dá para empreender também dentro da sua própria empresa, não é? Tem empresa que dá essa possiblidade de você meio que testar dentro da empresa, ter um pouco da estrutura da empresa. Acho que a tua história conta um pouco disso, não é? Assim, não preciso ir sozinho. Eu posso ter uma estrutura por trás e fazer acontecer aqui dentro.

Rodolfo Coelho – É. Tem até um nome para isso. Algumas pessoas falam do “introprener” em vez do entrepreneur é o cara que faz isso dentro das grandes empresas e acho que uma das grandes receitas de sucesso da Ambev, hoje AB Ambev é exatamente isso. É deixar alguns loucos furiosos trilharem caminhos experimentais e com isso enriquecerem a cultura, enriquecerem o business e também enriquecerem a experiência pessoal de cada um, o que faz com que o todo seja maior do que só a soma das partes. Acho que esse é um grande segredo que a AB Ambev tem até hoje de desbravar, de inovar e, muitas vezes, dar responsabilidade de dono de negócio para pessoas bastante jovens na carreira ainda e a gente aprendeu muito com isso. A Cátia tocando a parte de gente e gestão de uma fábrica, ajudando na certificação, primeira certificação de ISO que a Ambev fez ela estava lá. São coisas que, assim, via de regra as empresas não dão para pessoas tão jovens na carreira, mas sempre foi uma característica da Ambev e acho que isso ajudou muito a gente a entender essa veia empreendedora.

Juliano Godoy – Eu queria que vocês falassem um pouquinho mais, então, de como foi essa virada, então, de ser “intraempreendedor” para empreendedor, não é? Vocês, assim, se preparam financeiramente, psicologicamente? Foi um assunto que foi discutido nos jantares aí por muito tempo ou foi uma coisa que: “Olha, amanhã, chega. Vamos começar o nosso negócio”? Vocês falaram que vocês tiveram outros negócios antes, não é? Então, assim, como… Teve uma árvore decisória? Como é que vocês se prepararam para esse movimento?

Rodolfo Coelho – Eu acho que foi mais natural do que planejado. Na verdade, o impulso sempre existiu. A gente teve uma empresa de consultoria no passado bem-sucedida, mas é aquele negócio. Tem que ser paixão e consultoria não é minha paixão. E a Cátia, apesar de ser uma excelente consultora também, também gosta de meter a mão na massa. E aí, na verdade, o movimento aconteceu quando a gente estava voltando da Austrália. A Cátia já tinha começado a fazer as pesquisas para criar os protótipos na Austrália. Quer dizer, a decisão de criar uma empresa aconteceu na Austrália, foi a Cátia. E, naquele momento, eu ainda estava pensando em seguir a carreira de executivo. Estava voltando para os Estados Unidos para tocar outras coisas e acho que foi o sucesso inicial que acelerou a tomada de decisão de eu me juntar a ela. Ela já ia ser empreendedora. O que faz sentido. Alguém fica com uma certa estabilidade e a outra pessoa tem a possibilidade de empreender, tomar risco, etc. O sucesso inicial dela acho que acelerou a minha entrada no negócio. Então, assim, teve discussão? Teve. Muito rápida. Já estava ajudando informalmente ela, mas, assim, a discussão veio a partir dos primeiros investidores que falaram: “Olha, a gente quer entrar, mas a gente quer fazer disso um negócio maior, full time para os dois e estamos dispostos a bancar”. Tem um risco? Tem. A gente costuma dizer que a gente queimou os navios, não é? Chega no novo continente, queima os navios para não ter aquela vontade de: “Ah de repente vamos voltar”. Não, não vamos. A gente realmente entrou de cabeça 100% nisso. A decisão eu diria que não é 100% racional. Não teve um planejamento estratégico com dois anos de preparação e vamos fazer aqui e ali. Foi muito mais assim: Olha, tem um negócio, tem uma oportunidade, está acontecendo. A Cátia já tinha caminhado bastante com isso. Então, assim, foi meio que em função da necessidade. Muito empreendimento acontece assim, não é?

Cátia Coelho – É porque, assim, é aquilo que eu falei para você. Você como empreendedor, você tem que saber dos teus… Do que você… Dos teus limites, dos teus skills e o que você não tem e trazer para o time. Quer dizer, toda essa parte de investiment, BC era uma coisa que era muito nova para mim. Hoje, obviamente, hoje em dia já entendo um pouco mais, tem investidor, já posso falar de BC, já posso falar algumas… Já entendo mais. Estou vivendo isso e o Rodolfo já tinha vivido. Então, essa parte toda eu precisava dessa… Dessa pessoa no time e ele, com certeza, tinha um knowledge que a gente precisava.

Rodolfo Coelho – Tem uma outra parte, Juliano, que eu acho que é interessante que quem me falou isso foi o Mário Chady e o Eduardo Ourivio que são os empreendedores do Spoleto, do que hoje é o Grupo Trigo e a gente sempre conversou muito, começou eu dando mentoria de marketing para eles quando eles estavam no começo do Spoleto e depois passou eles me dando mentoria de startup porque naquela época eu ainda estava na Ambev, etc. Mas eles me ensinaram um conceito que eu acho fantástico. É o empreendedor de segundo estágio. Assim como o foguete que tem o primeiro estágio e tem o segundo estágio, você precisa de pessoas que entram depois da fase do zero para o um, que é o cara que entra como segundo estágio. Ele entra para impulsionar mais ainda. Então, foi isso que eu fiz numa empresa de health care, de teleterapia, antes de pandemia, etc. em Manhattan, em Nova Iorque e lá eu entrei como segundo estágio. A gente estava fazendo a transição do fundador, que era o CEO também, o principal investidor era uma pessoa que eu conhecia e me pediu para ir lá fazer a transição. Então, fiquei três anos fazendo essa transição numa área que eu nem conhecia muito na época. Eu conhecia muito mais através da Cátia de acompanhar o mestrado dela. O consultório dela, etc, mas eu não conhecia muito da área, mas ali foi onde eu realmente fui exposto a venture capital e como funciona todo esse sistema. A gente tinha um board bastante complexo com os três principais planos de saúde dos Estados Unidos – Aetna, United and Bluecross Blueshield – representadas. A empresa acabou sendo vendida para a United através da Optimum, mas foi ali que realmente eu aprendi muito do empreendedorismo dentro do sistema de venture capital dos Estados Unidos e é isso que a Cátia está se referindo. Mas, assim, não só “intrapeneur”, mas também o empreendedor de segundo estágio eu acho que é uma figura fundamental no ecossistema e muitas vezes a porta de entrada para pessoas que querem entrar no empreendedorismo, mas ainda não estão 100% seguras ou maduras ou convencidas ou sabem exatamente qual o setor para fazer carreira solo, para ser fundador. Então, acho que é outra parte para considerar também quem estiver pensando nisso.

Juliano Godoy – Ah faz todo o sentido, não é? As habilidades são diferentes em cada estágio do negócio. Você precisa de gente que traz um certo conhecimento diferente, background diferente. Mas Cátia, eu queria, então, que você contasse um pouco para a gente… Primeiro, assim, fala o que é Nutreat. A gente está falando aqui. A Cátia fundou a Nutreat. A Cátia teve a ideia da Nutreat, não sei o quê. A gente já tem o fundo de investimento da Nutreat, mas o que é a Nutreat? O que vocês fazem e como é que teve essa ideia? Você estava lá na sua cozinha e falou assim: “Olha, preciso fazer uma sobremesa” e teve a ideia do Nutreat? Conta aí.

Cátia Coelho – Aqui para vocês…

Juliano Godoy – Olha só.

Cátia Coelho – Conhecerem um pouquinho da Nutreat. Esse é um dos sabores que é o chocolate. Então, a gente tem chocolate, a gente tem berries e a gente tem coco também, não é? Então, o Nutreat é um sweet sneak, é um doce que você pode comer como sneak ou como sobremesa também. A diferença e o barato do Nutreat é que ele é… Ele tem um índice glicêmico baixo. Então, assim, a quantidade de açúcar é baixíssima. Como eles falam aqui, ele tem zero de added sugar, ou seja, não tem açúcar refinado. Aí só tem açúcar natural, no caso da fruta e de algumas coisas que a gente usa, alguns ingredientes. Então, se a pessoa está buscando alguma coisa que… Algum doce e ela, enfim, está preocupada com… Sei lá, não quero consumir açúcar, então… Mas quero a nutrição, algum nutriente, algum benefício, Nutreat é, vamos falar assim, o substituto dos que estão com muito açúcar. Então, é isso. E a ideia surgiu exatamente por isso. Porque, assim, quando eu pensava em comida, primeiro que eu queria… Eu passei… Eu não sou totalmente plant based, não sou vegana, nada, mas eu tendo a ter uma alimentação mais saudável. E só que aí quando você vai pensar em comer um doce, um chocolate você não tem muitas opções. Você tem as opções, assim, com muito açúcar ou então é zero de nutriente, você não tem benefícios. Então, por exemplo, o Nutreat tem fibra, ele tem muitas fibras que tem uma série de benefícios. Ele tem a boa gordura, o good fat que eles chamam, que também tem uma série de benefícios. Então, foi com esse… Com essa necessidade, eu diria, para mim e eu via no mercado porque eu procurei até mesmo em outros lugares que são mais plant based, Austrália e tudo, você não vê muita opção. Então, a ideia surgiu dali e eu comecei a fazer protótipos. Óbvio que Austrália é o paraíso da comida. Você tem muitas opções, você tem muitos ingredientes, você tem… E eu comecei a fazer testes e aí o Nutreat eu mandei o protótipo para Cornell, eles falaram: “Uau, vem para cá. Amamos”. A fibra que a gente usa é prebiótica. Não é uma fibra normal. É uma fibra que ajuda com o teu… Com o intestino, com toda essa parte que eles chamam de gut health e aí entra um pouco da ciência que eu trouxe, que é: Qual é a relação do cérebro com o teu gut. Aquela coisa que todo mundo fala: “Ah, tá dando um frio na barriga”. Isso tem uma razão. Tem uma forma de funcionar aí o teu organismo que ajuda também.

Juliano Godoy – E a receita inicial foi você mesmo que desenvolveu? Foi meio tentativa e erro tentando montar?

Cátia Coelho – Foi meio tentativa e erro. Lógico que eu imaginei coisas que eu gostava. Chocolate, coco. Então, assim, como carioca, eu dei água de coco para os meus filhos na mamadeira. Então, assim, coco era uma coisa que é parte da minha vida e sempre foi da minha alimentação e eu sei os benefícios que tem e aí eu comecei a fazer algumas receitas, alguns ingredientes de coisas que eu gostava e coisas que eu gostava dos Estados Unidos também, não é? Quando eu cheguei nos Estados Unidos, eu falei: “Caramba, berries”. Eu fiquei fanática por berries. A gente… Não é em todos os lugares que a gente tem tantas opções e aqui você tem riseberry, você tem blueberry, você tem outras berries supernutritivas, que têm antioxidantes, você tem um monte de benefícios. Então, foi acontecendo. [ininteligível] (00:29:08).

Rodolfo Coelho – Ela falou um pouco tentativa e erro. Não, vamos ser… Vamos dar número aqui. Foram mais de 150 protótipos para chegar só no chocolate e aí daí as derivações continuaram.

Cátia Coelho – Rodolfo fala que eu sou humilde.

Rodolfo Coelho – Mas é…

Juliano Godoy – Diz algumas tentativas. Só 150.

Rodolfo Coelho – Não, e assim, de novo, com método, não é? Faz, varia, muda uma coisa só, testa, volta, muda de novo e manda para a Cornell para análise e aí fazendo dentro de Cornell obviamente melhorou muito e não é só a parte… Assim, tem a parte nutricional, que é fundamental, mas não vamos esquecer as outras duas. Tem que ser gostoso. Para falar a verdade, tem que ser delicioso para se destacar nessa indústria hoje em dia e tem que ter um processo que seja escalável, com custo escalável, etc. Então, esse foi o tripé do desenvolvimento de produto que continua até hoje. A gente gosta de pensar no Nutreat como quase software que você vai tendo releases que você vai aprimorando, melhorando dentro do mesmo produto, mas com funcionalidades cada vez melhores. Então, a gente está sempre pesquisando e estamos em breve lançando novos formatos também. Na caixinha de surpresa aqui da Cátia tem muita coisa acontecendo. Eu quase diria, assim, que uma das minhas funções é segurar a Cátia porque ela tem várias ideias e a gente tem que ter foco, não é? É uma mistura de inovação com foco. Então, a gente já tem algumas coisas no pipeline de novos formatos, mas a gente tem que estar extremamente focado na execução do que a gente tem hoje no mercado. Então, mas, assim, o que ela falou da junção de low sugar, high nutrition, quer dizer, pouco açúcar e muita nutrição porque você tem o pouco açúcar, toda a linha zero, diet de refrigerantes, mas que é zero nutrição. E, por outro lado, você tem suco de fruta que é supernutritivo, mas tem um quilo de açúcar. Suco de laranja tem mais açúcar do que um refrigerante normal. Então, quando a gente estava conversando com consumidores, vários deles mencionaram isso. Teve gente que falou: “Olha, faz sentido. Existe uma oportunidade de baixo açúcar”, baixo índice glicêmico que a gente chama que é, assim, o que vai acontecer com o açúcar no teu sangue, que é a medida verdadeira. Quer dizer, não adianta você controlar caloria. Não adianta você olhar só carboidrato, você tem que olhar qual é o fim disso. O fim disso é açúcar que está no teu sangue. É isso que é prejudicial à saúde e é isso que a gente minimiza com o Nutreat. Então, tem muita pesquisa, tem teste clínico com validação científica pesada por trás de um potinho de sobremesa.

Cátia Coelho – E aí eu acho que isso que é legal que me moveu, assim. Todo mundo fala da missão. Por exemplo, pessoas que têm diabete podem comer e não vai ter o pico de açúcar no sangue. Acho que isso que é a diferença. É a missão. Quer dizer, o que a gente está podendo… Porque uma pessoa que tem algum problema de saúde, uma diabete, por exemplo, não é sempre que ela pode comer. Então, assim, a gente está falando de criança. Tem criança que já tem diabete e esse índice está aumentando. Tudo isso porque a gente vê a quantidade de açúcar refinado e coisas que não têm essa pegada com saúde. Então, para mim, eu sei que sou uma profissional de saúde, assim, há anos, comecei a minha… Escolhi, optei por uma formação na área de saúde, isso é uma coisa que faz parte da missão. O que a gente pode mudar na alimentação das pessoas, na indústria de um modo geral de comida que vai afetar a vida das pessoas? Acho que isso é o grande ponto que a gente tem na missão da Nutreat.

Juliano Godoy – E hoje, assim, tem muito açúcar escondido em tudo, não é?

Cátia Coelho – Exatamente.

Juliano Godoy – Com nomes variados. Que as empresas escondem o açúcar com outros nomes. Ouvindo vocês, pelo visto assim, vocês devem também basear um pouco o trabalho do Mark Hyman que é um expert aqui, etc.

Cátia Coelho – Adoro ele.

Juliano Godoy – Também sigo bastante, etc. e ele fala bastante disso de controlar o açúcar, tal. Mas é uma missão porque hoje, assim, tudo que você olha tem açúcar. Não tem como. O molho de tomate tem açúcar. Coisa que você não imagina que tem açúcar, ela está lá escondidinha e ele fala como isso cria uma dependência química na gente que a gente nem percebe. Que isso acaba sendo até uma droga assim. E, muitas vezes, a gente acha que a pessoa que está começando uma… Tentando começar uma dieta, etc. que ela não consegue cortar o açúcar, tal. Às vezes, a gente acha que isso: “Ah, não está se esforçando o suficiente”, mas, às vezes, não é nem isso. É a reação química mesmo que impede a pessoa de largar aquele vício.

Cátia Coelho – É isso aí.

Rodolfo Coelho – É. E açúcar é comprovadamente viciante, estimula áreas do teu cérebro que criam essa dependência. E a Cátia fala um negócio sempre, assim, desde o começo, ela fala: “Cara, a indústria de alimentos, alimento de um modo geral, serve para nutrir e desenvolver e proteger o ser humano”. Essa é a função do alimento. A indústria inverteu isso daí e transformou alimento em causa de doença crônica. Diabetes, pressão alta, obesidade, etc. Tudo são doenças, vamos chamar, modernas causadas pela indústria de alimentos. Então, a gente quer voltar a um approach antigo que alimento é para ajudar o ser humano. É tão simples quanto isso. E, de preferência, assim, lembra. 90% da sua decisão, o ser humano médio vai muito pelo desejo e o desejo tem a ver com sabor. Então, não adianta você fazer um alimento ultrasaudável que não é gostoso e também não conveniente. A gente vive sempre acelerado de um lugar para o outro, etc. tem que ter uma conveniência. Por isso que a gente escolheu entrar nessa área de alimentação saudável com um produto que é uma sobremesa que você pode levar com você para a academia, para o escritório, botar na mochila da criança, na merenda da criança, enfim. É versátil. Principal é: Como é que a gente reduz açúcar, traz nutrientes, a Cátia falou, principalmente fibra e antioxidante, que são coisas que não têm na dieta da população. A gente hoje em dia tem uma explosão de alimentos com proteínas. Tem barrinha de proteína, tem shake de proteína, tem tudo de proteína. O americano, assim falando do no mercado, mas o Brasil é a mesma coisa, existe proteína suficiente já. A gente consome, principalmente aqui nos Estados Unidos, mais proteína do que precisa. Não precisa de mais proteína. O que precisa, na verdade, é fibra. Essa é a grande diferença. Então, a gente tem muita pesquisa por trás e agora a gente está indo para o mercado levando essa novidade e começando a entender quais são as maneiras que a gente consegue ajudar a população com o que a gente chama de nutrição preventiva. O meu tempo na área de saúde a gente viu claramente isso. O sistema de saúde está quebrado. Os custos são exorbitantes, a solução não é mais remédio ou mais cirurgia, mas é prevenção. Só que o lobby total da indústria, seja dos médicos ou seja da indústria farmacêutica é contrário à prevenção. Então, a gente sabe que a gente tem uma briga morro acima, como a gente chama, mas a gente acredita que é a única solução que a gente tem para aumentar a longevidade é através da prevenção. E alimentação é uma parte do que a gente acredita que é um tripé porque tem também saúde mental e exercício. Então, a gente escolheu atuar na área de nutrição.

Juliano Godoy – É fascinante ouvir isso, cara. Porque, assim, hoje, de novo, vamos focar aqui nos Estados Unidos que a gente está aqui, etc, mas acho que deve ser uma tendência meio global, acho que a maioria das pessoas e aqui principalmente não tem uma tendência a ter hábitos alimentares saudáveis. É só a gente andar na rua dá para a gente ver. Fast Food, conveniência, esse tipo de coisa. Mas não só esses. Assim, só para citar, você falou um pouco de alguns dados, mas eu peguei aqui alguns dados para dividir com todo mundo. Aqui nos Estados Unidos, CDC (Center of Disease Control) considera que hoje quase 43% da população americana é obesa e, com isso, todas as consequências que você falou de diabete tipo II, de doença do coração, etc. E o custo, assim, é estimado que a gente gasta mais de 147 bilhões de dólares tratando essas doenças. Então, é o que você falou. Se ao invés de a gente investir na prevenção, como essa indústria é muito grande, a gente acaba investindo ou gastando dinheiro muito mais na correção. Então, pensando um pouco nisso, cara, para mim faz total sentido esse papel que vocês estão querendo praticar na indústria, entendeu? Realmente é uma inversão de valores praticamente.

Rodolfo Coelho – É. Só para dar mais número, então. Um em cada três americanos é pré-diabético e um em cada dez, 34 milhões de americanos têm diabetes tipo I e II. Os números são alarmantes e a tendência é de crescimento. Continua crescendo ano após ano. Então, realmente, assim, quando a gente fala da loucura de empreender, ter uma missão desse tamanho é fantástico porque, primeiro, te inspira e te ajuda a acordar mais cedo e trabalhar mais. Não vamos nos enganar porque só a genialidade e boas ideias… 90% disso é execução. Transpiração. Mais do que inspiração. E ter uma causa desse tamanho ajuda para cacete você focar e saber exatamente o que você quer fazer e na hora de tomar decisões, por exemplo, sobre produto, fica muito claro o que pode e o que não pode, o que a gente vai focar, recurso que a gente não vai focar. É mais fácil quando você tem isso claro desde o começo.

Cátia Coelho – Eu não vou dar muito detalhe, mas nós… Dentro da nossa família, a gente teve um problema de saúde e aí a recomendação do médico foi: “Tem que dar medicação” eu como mãe escolhi não usar medicação e escolhi fazer a alimentação como parte do tratamento e funcionou muito bem. Então, assim, eu realmente acredito que comida… Óbvio que alguns casos você tem que ter a medicação, dependendo do caso, mas eu realmente acredito nisso e eu apliquei isso dentro da minha família e comigo também mais nova. Então, acho que é por aí.

Juliano Godoy – Que legal. Bom ouvir. Bom ouvir. O Mark Hyman fala também, não é? A gente vota todo dia com o garfo, não é? Então, toda ordem a gente faz… Vota com o garfo que a gente vai colocar para dentro. E aí a gente tem que ser mais consciente nessas escolhas. Mas eu queria voltar um pouquinho e queria, Cátia, que você contasse um pouco da história de Cornell. Porque vocês citaram várias vezes: “Não, a gente tem uma parceria com a Cornell, etc”. Para quem não sabe, Cornell é uma das melhores universidades aqui dos Estados Unidos. Como é que vocês chegaram nele? Qual o papel que eles têm? Assim, você colocou uma amostra no Correio e falou: “Olha, sou a Cátia. Prazer. Olha só que eu tenho”? Conta um pouquinho como foi isso.

Cátia Coelho – Primeiro, eu já queria… Na minha pesquisa, eu pesquisei Food Science, os melhores do mundo e obviamente Cornell, outras universidades, tem Califórnia, tem outra e outras também. E aí eu fui desencorajada pelo Rodolfo a mandar para Cornell.

Rodolfo Coelho – É fato.

Cátia Coelho – Não manda para Cornell não que eles não vão nem olhar para você. Falei: “Não, vou mandar”. Ok, aí no início eu não mandei. Mandei para um outro laboratório que você tem que mandar para fazer alguns testes, aquelas coisas todas. E aí eu mandei para um laboratório e aí o próprio laboratório, que é próximo da Cornell, falou: “Por que você não manda para a Cornell?” E aí eu mandei para a Cornell. Lá a gente… As primeiras análises foram feitas lá e aí um pouco depois eles convidaram a gente, o centro de excelência, vamos falar assim, resumindo, de comida e agricultura também, convidou a gente para ir para uma reunião e aí nessa reunião eles fizeram o convite: “Olha, a gente tem todo um centro aqui dedicado a empresas que a gente pode fazer o teste, as análises e também sair desse início de prototype para uma produção realmente. Então, o trabalho, quando a gente começou, começou com análise em laboratório, microbiologia e outras coisas mais, e passou para essa expansão para a gente ter realmente uma linha de produção. Isso começou em Cornell. E, além disso, também todo um trabalho com os alunos porque eles têm os alunos, os seniors de Food Science têm o que eles chamam de [ininteligível] (00:43:18) Project, um projeto que eles fazem com as empresas. Esse é o terceiro ano que a gente está com esses alunos e que a gente tem, vamos falara assim, pequenos pedaços dos nossos desenvolvimentos, eles participam também e aí a gente tem toda essa tecnologia, essa coisa inovadora vinda dos alunos também. Não só vindo da Nutreat. É óbvio que a gente… A linha de chegada… Eu falo que tudo tem que ter a linha de chegada, eu tenho essa coisa da meta, do número. Essa linha de chegada é um trabalho da Nutreat, mas a gente também tem toda essa… Vamos falar assim, esses três pedaços vindo de Cornell e nós temos toda a parte de Food, que eles chamam de Food Autority, que também vem de Cornell. Nós temos a licença para produção, mas a gente tem que ter… E Cornell é o maior Food Autority ligado ao FDA, forma pessoas e tudo. Também vem de Cornell, que é uma coisa difícil. Não é tão fácil. A gente teve auditoria, passo por todo o processo e tudo. Então, a gente produz lá dentro de Cornell. Então, acho que isso é a outra parte. E hoje nós temos um advisor de Cornell também que está com a gente que também é uma pessoa excepcional, um profissional excepcional que também faz… Contribui bastante para o que a gente… Para toda essa parte de desenvolvimento e de Food Science que é complementar. Acho que tem tanta coisa para falar…

Rodolfo Coelho – Acho que o relacionamento… Eu não sei se é replicável isso porque foi uma coisa inusitada. Eles não têm uma incubadora oficial, mas basicamente é isso. A gente começou lá dentro e à medida que a gente foi crescendo, em determinado momento a gente estava saindo para um copacker, para uma empresa que ia fabricar os nossos produtos na Califórnia, eles falaram: “Não, se a gente investir numa linha de produção aqui vocês ficam?” Cara, isso é uma oferta que você não pode recusar. Então, hoje tem uma linha de produção nossa dentro de Cornell bancada com recursos de Cornell. Fantástico que, obviamente, beneficia todo o ecossistema ao redor de Cornell. Essa é a função deles de criar melhorias econômicas para a região através de produção de alimentos. Eles estão numa região eminentemente agrícola, mas a gente se sente assim absolutamente abençoado de ter um parceiro desse nome, dessa reputação e desse conhecimento porque no dia a dia, assim, a gente continua contando com o conhecimento deles para aprimorar. Como eu falei, a gente está sempre mudando e criando versões melhores do produto e do processo e eles são parte integral disso.

Cátia Coelho – O relacionamento é ótimo. O relacionamento é ótimo e foi uma coisa que, como o Rodolfo falou, a gente construiu. Então, agora a gente tem Cornell e o ecossistema todo da região ali de Nova Iorque, tudo e acho que isso também ajuda. Não só com Food, mas investidores, outros BCs e outras… Então, é bom robusto o que a gente tem oportunidade de aprender. A gente… Nós fomos finalistas do Grown New York, também foi uma experiência excepcional de você ter mentoring e ter todo o business completo ali ligado a Cornell. É muito… É excepcional.

Juliano Godoy – Não deixa de ser uma baita chancela. Não só você tem um selo e você tem acesso ao que você falou de pesquisa, aos estudantes, etc. Mas também é um selo de qualidade, é um selo de que… E não só do seu produto, mas também como você falou, para investidores, etc. E aí eu queria entrar um pouco nesse lado e você falou do desenvolvimento de produtos, etc. O Rodolfo também falou que tem coisa no forno aí. Não sei se vocês vão querer contar um pouco ou não, não sei se pode ainda, mas quando vocês desenvolvem alguma coisa nova, a patente é de vocês ou a patente é compartilhada? E aí, assim, até para quem não sabe, como é que para registrar uma patente aqui nos Estados Unidos? É algo fácil, algo demorado, é burocrático?

Rodolfo Coelho – Então, vamos lá. Primeira e principal resposta. Toda a propriedade intelectual é da Nutreat. Nós temos advogados de propriedade intelectual que fizeram todos os nossos contratos com Cornell para ser desta maneira. Então, a gente tem contratos de, vamos chamar, prestação de serviços, de Cornell. Mas toda propriedade intelectual é nossa. As marcas, o trademark é nosso e a gente aplicou para uma patente baseada nas funcionalidades do produto. É muito difícil ter patente em alimentos porque, de um jeito ou de outro, todo mundo já fez alguma coisa parecida ou pode dizer que foi parecido. Então, mas baseado na funcionalidade e no efeito do Nutreat no ser humano, a gente aplicou para uma patente. Patente não é um bicho fácil, eu diria, em nenhum lugar do mundo. É complexo, é supertécnico e você realmente precisa de pessoas que tenham o conhecimento dessa área de direito de propriedade intelectual que é uma mistura de direito com ciência e tecnologia. Então, assim, vale a pena você investir um dinheiro. Se você está indo por um caminho de inovação tecnológica, 90% dos investidores, vamos lá, 100% dos investidores, vão te perguntar: “E a sua propriedade intelectual está registrada? É sua? Você tem direito sobre isso?” Então, assim, é uma grana que você vai gastar, é um tempo que você vai gastar. Mesmo que dê tudo certo, é um processo de anos e é uma coisa para você pensar porque existe também o que a gente chama de segredo industrial. Em vez de fazer uma patente, você também pode optar por segredo industrial. Porque, na patente você acaba tendo que contar a receita secreta. Você tem que botar lá passo a passo, etc. e, enfim, você está dando… Entregando o ouro para o bandido. O que a gente tem na nossa propriedade intelectual é uma mistura de patente, que a gente aplicou, e trade secret. Segredo industrial porque a gente conta um pouco da receita, mas a gente não diz como executar a receita. E isso é o nosso trade secret, que é importante para você efetivamente conseguir bloquear cópias. Cada vez mais comum hoje em dia aparecerem cópias e hoje, dentro de alimentos, você vê muito o próprio varejo, Amazon, fala-se muito disso que eles pegam os best sellers, os produtos que dão certo e copiam e fazem com marca própria. A [ininteligível] (00:50:55) que agora é parte da Amazon faz muito isso também. E a parte do business. E isso é competição saudável, acontece. Você tem que ter capacidade de se proteger, mas definitivamente uma coisa para você estudar e planejar com bastante cuidado.

Juliano Godoy – Legal. E você não vai dar palinha de sabor novo, produto novo? Isso aí você não vai contar. É isso mesmo? Tá bom.

Rodolfo Coelho – Eu vou deixar aqui… Primeiro que a gente não pode, por diversos motivos, mas eu diria o seguinte. A gente está sempre trabalhando a partir do consumidor, de como o consumidor se comporta para que a gente ajude o consumidor no problema chamado açúcar. Então, parte disso tem a ver com formatos diferentes que tenham a mesma funcionalidade. Então, por aí já dou a dica, mas é nesse caminho. É muito mais entender momentos de consumo, ocasiões de consumo do consumidor e adaptar o produto para você oferecer um formato que seja interessante, que resolva o problema açúcar em diferentes momentos junto com, obviamente, as funcionalidades nutricionais que a gente tem.

Juliano Godoy – Legal. Bacana. Vou fazer mais uma pergunta que eu não sei se você vai querer responder, mas tudo bem. Vou tentar. Vamos falar de grana agora. Assim, brincadeira à parte, fica super à vontade para dividir o que você puder dividir, mas o que realmente eu queria… Que eu acho interessante dividir com quem está ouvindo, é como foi esse… Como foi esse processo no começo. Assim, vocês começaram com investimento próprio? Você citou que agora vocês têm investidor, conseguiu venture capital, etc. Mas no começo, tinha um business case? Vocês falaram assim: “A gente vai colocar tanto, depois a gente vai tentar um aporte”? Como foi achar esses caras? Porque, de novo, lembra que a nossa audiência também é gente tentando empreender aqui. Então, mesmo que você não queira abrir os seus números, etc, mas se puder explicar para quem estiver ouvindo um pouco desse mundo… A Cátia mesmo falou: “Era um mundo que eu conhecia. Hoje eu conheço”. O que você pode compartilhar com esse pessoal que hoje não conhece, mas quer saber um pouquinho desse mundo?

Rodolfo Coelho – Não precisa falar de número, mas a estratégia eu acho que sempre vale acertos e erros e por aí vai. Muito pouco por ovalmente você vai conseguir começar de outra forma que não seja botando o seu dinheiro e o seu tempo. Mesmo que não seja dinheiro, tempo é dinheiro e isso, assim, todo começo é… A não ser que você já venha com uma grana, você compre alguma coisa que já está rodando e aí dali seja seu ponto de partida, que é uma estratégia interessante. Vou falar disso depois. Tem umas ideias para compartilhar. Mas se você vai começar o seu negócio, não tenha dúvida. O primeiro dinheiro é o seu. O segundo dinheiro também é o seu e tempo e dedicação e custo de oportunidade. Muitas vezes, a gente não coloca isso na conta, mas tem que estar lá. O custo de oportunidade existe, é real e você vai sentir na pele. Uma vez que você consiga, através disso, colocar alguns… Alguns passos iniciais, o próximo passo as pessoas chamam de friends and Family. Seus amigos, a sua família. Cara, passa… Passa o chapéu, coleta tudo que você puder porque essas são pessoas que estão apostando no profissional que você é, na sua ideia, mas muito mais na sua capacidade de execução. Eu e a Cátia, com certeza, a gente não tem a resposta para todos os problemas que a gente enfrenta todo dia, mas a gente sabe procurar resposta, sabe procurar ajuda e sabe trabalhar bastante até chegar na resposta e o que ela fala de linha de chegada é uma coisa que a gente sempre coloca muito claramente. Qual é a linha de chegada? A gente está aqui desenvolvendo um produto, mas o que a gente quer efetivamente dizer que é sucesso? Com é que a gente define sucesso? Sucesso é produto na prateleira? Sucesso é só uma fórmula desenvolvida? O que é sucesso? Então, isso daí eu acho que é importantíssimo. E aí a gente começou com o nosso tempo, com o nosso dinheiro, investimos bastante do nosso dinheiro. Acho que isso é algo importante quando você vai falar com friends and Family. Eles falam assim: “Vem cá, você está querendo que eu bote o meu porque você não está botando o seu?” Não. É assim. Já esgotamos o nosso e estamos enfiando tudo, enfiamos as duas carreiras, todo o nosso tempo full time, aí o investidor inicial vai ser alguém que te conhece e você vai alavancar isso ao máximo e de novo, a necessidade de investimento é diretamente proporcional a quanto você está queimando todo mês. Quanto você precisa botar de dinheiro. Se você é frugal, se você tem a possiblidade de não ter um escritório, de não contratar muita gente, de principalmente gasto fixo, manter ele mais próximo de zero possível, você tem uma grande chance de criar alguma coisa que possa atrair mais investidores e investidores cada vez mais sofisticados. O que a gente chama de investidor institucional, que são fundos que administram recursos de terceiros, vai ser último degrau, o último tipo de investidor que vai entrar. Antes disso, normalmente você vai ter o que a gente chama de [ininteligível] (00:56:51), quer dizer, pessoas que têm uma grande que estão dispostos a investir, mas que é a grana deles. O passo seguinte, Family offices que gerenciam os recursos de uma família, mas são recursos próprios. Eles não têm que prestar contas a terceiros. O último nível, de novo, investidor institucional que são fundos que gerenciam, administram recursos de terceiros. Esse é o investidor mais complexo que vai fazer as perguntas mais cabeludas e que vai exigir você estar numa etapa de desenvolvimento mais adiantada. Então, acho que tem… E, como tudo na vida, engatinhar, caminhar e correr. Nesse mundo de venture capital tem muito disso e eles querem que cada etapa seja vencida, se comprove o desenvolvimento da empresa, o desenvolvimento dos investidores que estão vindo com você, se os investidores iniciais continuam acompanhando ao longo do tempo. Porque eles estão vendo por dentro, não é? Eles conhecem por dentro como está o negócio e se eles estão investindo é porque eles estão vendo a sucessão de milestones, de etapas vencidas ao longo do processo. Acho que é muito por aí. E, de novo, a métrica que todo mundo quer olhar é venda porque se você faz alguma coisa fantástica, mas que ninguém mais reconhece o valor a ponto de te dar dinheiro em troca daquele bem ou serviço que você está fazendo, você não tem uma empresa. Você tem um projeto pessoal ali. Então, a métrica… Make no Mistakes. Você pode falar o que você quiser. Ah porque eu tenho a patente, tenho o que for. Se não traduziu em venda, você não anda. É tão fácil quanto isso.

Juliano Godoy – Entendi. Ou seja, tem que começar com [ininteligível] (00:58:52) in the game. Tem que colocar o seu dinheiro. Não tem escapatória. Tem que… Uhum. Legal. Cátia, eu queria voltar para você e aí um pouco agora… Um pouco do teu papel que você começou lá atrás, você falou que trabalhou em recursos humanos, etc.  E agora nesse papel de CEO da Nutreat. Como que você faz para recrutar e atrair gente aqui nos Estados Unidos? Porque, assim, bem ou mal vocês são uma startup, têm um… O mercado aqui é supercompetitivo, etc. Eu sei que o funcionário um você consegui convencer relativamente fácil, mas e os outros? Assim, quais são as dificuldades e como que você consegue atrair gente? Além da missão de vocês que é superbacana?

Cátia Coelho – Olha, eu diria que tem diversas formas. Eu sou… Apesar de ser tímida, também me comunico bastante. Então, acho que a minha facilidade de me comunicar e de… Eu sou uma pessoa muito mais… Como eu vou falar assim? Eu gosto de contato com as pessoas ao vivo e, assim, próximo e essa coisa informal para mim é importante. Então, existe a contratação quando eu começo a comunicação informal e a formal também, obviamente, não é? Então, a informal é assim. Quando a gente vai em eventos, quando a gente está em Cornell, quando a gente está trabalhando, quando a gente está [ininteligível] (01:00:32), enfim, todo esse ecossistema que eu falei com você de Nova Iorque. Eu estou sempre me aproximando das pessoas e, enfim, perguntando sobre os desafios e é genuíno. Tenho interesse genuíno em conhecer as pessoas, em saber como elas são, o que elas estão fazendo, quais são os desafios. Então, acho que essa é a parte informal. Formalmente, a gente tem contato com as escolas daqui. Lembra que a gente também teve, como a gente falou, um outro business e uma das coisas que o outro business que a gente fazia era captação de pessoas. Então, a gente manteve o relacionamento com as universidades, a universidade que o Rodolfo estudou, que eu estudei, o próprio Cornell, as outras pessoas também e eu acho que… E outras ferramentas formais[ininteligível] (01:01:32) outras plataformas também a gente também faz contratação e acho que é basicamente isso. Assim, desses dois lados. Informalmente… Eu diria que o informal é muito mais… Acaba sendo muito mais…

Rodolfo Coelho – Produtivo.

Cátia Coelho – Rico e produtivo do que o formal, para eu ser bem sincera. E as pessoas perguntam para a gente, a gente tem relacionamento com a Fundação Estudar, Smart, outras coisas também que tem pessoas aqui. Os nossos…Os nossos “board members” (01:02:02), investidores. A gente também tem essa… A gente…

Rodolfo Coelho – A rede deles.

Cátia Coelho – A rede deles. A gente escuta, a gente entrevista, a gente está sempre conhecendo gente e acho que isso é fundamental para isso.

Rodolfo Coelho – Recrutamento é tudo.

Cátia Coelho – Sempre. É constante.

Rodolfo Coelho – Startup, startup é gente. Startup não é uma ideia e uma marca e máquina e software e computador, etc. É gente. E o que a Cátia fala é impressionante. Ela brinca e eu acho que é verdade. Eu só tenho medo que seja verdade no fim das contas que se ela não fosse empreendedora, ela ia trabalhar na CIA. Esse negócio de conectar as pessoas, saber o que a pessoa está fazendo, com quem que ela falou, qual… E juntar tudo isso e começar a puxar… Ah não, fulano conheceu fulano, quem sabe não conhece outro cara. E quando você vê você está conversando com a pessoa certa. Isso é uma habilidade que, assim, graças a Deus a gente tem dentro de casa, então isso nunca vai ser o problema. Quer dizer, vai ser, mas a gente pelo menos sabe como atacar. Agora, a outra coisa é assim. Sonho grande e gente boa. Se você tem um sonho grande você consegue compartilha ele, você consegue comunicar ele claramente, isso é contagiante, isso traz as pessoas certas. Muito do que a gente faz em Cornell com os estudantes acaba sendo uma grande fonte de recrutamento porque eles entendem por dentro, eles vivem dentro do projeto aquilo que a gente faz. E aí faz sentido, clica e aí a pessoa proativamente vem e fala: “Cara, quando vocês estiverem precisando de alguém assim, assim, assim, eu tenho interesse”. É muito mais você estar constantemente criando pipeline do que efetivamente assim: “Ah, temos uma posição, então agora vamos recrutar para isso”. Você tem que estar constantemente conectado com o mercado.

Cátia Coelho – E acho é uma troca, não é? Isso que eu falei para você. As pessoas… A gente… A gente ajuda, não é? Óbvio, que quando é um concorrente aí a gente não… Talvez não ajude tanto, mas… Mas, assim, quando é alguém que… É genuíno. A gente está sempre ajudando também. Então, acho que isso atrai…

Rodolfo Coelho – Muito mentoring.

Cátia Coelho – É. É essa coisa de você… O business é feito de pessoas, não é? Então, você tem que… E nós somos pessoas também. Nós somos seres humanos. Então, acho que as pessoas sentem isso também, essa coisa genuína de a gente querer ajudar. Então…

Juliano Godoy – Que bacana. Deixa eu perguntar uma coisa assim. Ouvindo um pouco da história de vocês, vocês têm uma história super rica. Assim, bastante tempo junto, moraram em um monte de lugar, tiveram uma carreira de sucesso, moraram em vários países, construíram mais de um negócio. Mas eu queria também que vocês dividissem um pouco, assim, qual foi o momento mais difícil que vocês já passaram? Assim, qual foi o maior perrengue, a maior dificuldade e se em algum momento deu… Quer dizer, deu aquela vontade de desistir? Falou: “Não, esse aqui é muito difícil” ou “não consigo sair disso. Deixa”… Move on, tal. Ou não, vocês conseguiram superar essa dificuldade, como foi?

Rodolfo Coelho – Eu acho que todo mundo, nenhuma carreira é feita por só momentos de sucesso e é quando a gente mais aprende. Assim, sem entrar na palavra exata, mas todo mundo fala, não é? Conhecimento entra pelos olhos, pelo ouvido e experiência entra por outro lado. Acho que isso é muito verdade. Teve coisa que não deu certo tanto na carreira profissional quanto na parte de empreendedor. Quando a gente montou a consultoria, por exemplo, no Brasil, nosso foco era startup. A gente já queria interagir com startup. Um dos nossos primeiros clientes foi o Marquinhos Leta, que fundou o Sucos do Bem e hoje está na Fazenda Futuro, mas, assim, rapidamente, a gente viu que startup não conseguia pagar consultoria. Startup precisava de mentor que doasse o tempo. Então, a gente olhou aquilo e falou: “Caramba, complicado aqui o negócio”. Rapidamente pivotamos e, no final, os nossos clientes eram grandes empresas. Cyrela, GlaxoSmithKline, etc. então, assim, foi… Hoje em dia a gente usa a palavra “pivotar”. Fica até chique, não é? Não, eu pivotei, não sei o quê. Cara, pivotar, basicamente, não é uma coisa, assim, dinâmica que você vai virando graciosamente alguns graus e quando você vê você está virado para o outro lado, você pivotou. Você dá de carro numa parede, você fica todo ensanguentado, você escorre pela parede e aí você tenta se recompor. Assim, falta um dente, você está sangrando, está feio o negócio, coisa e tal e aí você… Assim, a gente já ficou três meses sem receita na empresa um olhando para a cara do outro e falando assim: “Ok”. E, naquela época, não existia esse verbo “pivotar”. Então, era assim: “E aí? Faz o quê?” E aí a gente conseguia entender que a gente tinha um valor grande para empresas maiores que tinham recursos e projetos que precisavam exatamente do que a gente estava entregando. Então foi, assim, uma mudança de rumo drástica. Aqui mesmo dentro da Nutreat a gente já viu coisas complicadas. O mercado de diabetes é gigantesco, mas é um mercado difícil de penetrar e você vai ver ter que tem poucos produtos focados exclusivamente em diabetes porque é um mercado que a pessoa tem uma renda menor, por várias características de como a doença se manifesta, uma delas é pessoas que comem mal. E por que comem mal? Porque não têm todo o dinheiro disponível para fazer uma alimentação superequilibrada. Então, é quase perverso isso, mas é verdade. A diabetes é uma doença com uma classe baixa mais… Com mais incidência. E aí a gente viu: Cara, não adianta focar só em diabetes. É importantíssimo, é parte da nossa missão ajudar essa população, mas só a diabetes não vai levar a gente no tamanho do potencial do produto. Então, a gente… Não chegou a ser uma pivotada porque a gente não saiu de um, mas a gente incorporou o outro segmento. Tem um milhão de histórias assim. A nossa ida para a Austrália, falando da parte corporativa, tinha um projeto muito maior na Austrália que acabou não acontecendo e a gente voltou. Por duzentos motivos, entre eles, que os nossos filhos que hoje estão na universidade, não iam entrar nas universidades que entraram se estivessem lá porque o sistema é diferente. Não é melhor nem pior, mas é diferente. E a gente sabia que o end game era Estados Unidos. Então, tem uma série de coisas nesse sentido que a gente fala: “Caramba, aprendemos para caramba”. Agora, na época dói, custa, custa dinheiro, custa sono, ansiedade, estresse, etc. Ninguém fala multo disso, mas não se iluda.

Juliano Godoy – Todo mundo gosta de contar as vitórias, não é?

Rodolfo Coelho – Cara, as vitórias estão todas no Facebook, no Instagram e no Linkedin. As porradas na parede a gente divide entre nós e, de vez em quando, a gente fala de algumas. Mas eu acho que é fundamental. E mais, acho que uma coisa que aqui nos Estados Unidos é bem diferente do Brasil é que aqui quando você não dá certo numa startup conta no currículo como positivo. Foi, fez, tentou. Óbvio, não dá para ser por burrice ou falta de empenho. Mas se você fala: “Olha, eu fiz isso, não aconteceu, fiz isso, não aconteceu, fiz isso, não aconteceu e aqui acabou a grana e aí eu fechei a empresa”. Você aprendeu em cada um desses momentos. Você se enriqueceu. Você é o melhor empreendedor para a próxima. E o Brasil, o fracasso é um peso que você carrega…

Juliano Godoy – É um estigma, não é?

Rodolfo Coelho – É um estigma, talvez, desproporcional ao que deveria ser. Aqui o sucesso é compartilhado. Não é que nem no Brasil. Olha, se você é rico, tem uma mentalidade assim. Se você é rico, você roubou, você fez alguma coisa, enfim, tem sempre uma culpa que eu atribuo à Igreja Católica. Tem que ter uma culpa no meio do caminho para você ter controle do indivíduo, da população. Sem querer entrar em religião ou polícia aqui, mas aqui não tem. Aqui o sucesso é assim: Caramba, você trabalhou. Vai ter picareta em tudo quanto é lado? Não tenha dúvida. Tem picareta nos Estados Unidos. A diferença é que aqui tem consequência. Então, o cara pensa três vezes antes de fazer. Mas via de regra você aqui tem uma tolerância maior ao fracasso e eu acho que isso é importante na cultura de empreendedorismo de um país.

Cátia Coelho – E não é que você tenha que ser irresponsável. Não é bem assim. Como ele falou, tu tem consequência aqui. Então, são coisas medidas. Você também não pode eliminar a pessoa porque, assim, uma fase ou algum resultado que foi um fracasso. O contrário. Você fala: “Pô pega isso, traz isso para a tua experiência de vida e vamos fazer uma coisa”… Mas isso é, assim, realmente importantíssimo.

Juliano Godoy – É. Cátia, eu queria que você contasse um pouquinho para a gente agora de go to Market. Eu, obviamente, antes de a gente agendar aqui, eu fui lá no Nutreat.com, pedi a minha caixinha, está aqui. Chegou toda bonitinha. Aí eu preciso mostrar. Vem aqui uma cartinha superfofa… Aqui, a cartinha da Cátia. Superfofo. Eu pedi aqui. Eu pedi o trio. Então, eu pedi o de berries, o de coco. O de chocolate, minha filha comeu. Eu comi um pedacinho, deixei na geladeira, quando eu cheguei lá para terminar: “Cadê meu docinho?” Aí minha filha comeu. Eu falei: “Não, não era para você ter comido. Eu precisava disso aqui” e tal. Mas, enfim, adorei.

Cátia Coelho – Que bom.

Juliano Godoy – Se eu puder, meu favorito foi o de coco. Adorei o de coco. Muito bom.

Cátia Coelho – Ótimo.

Juliano Godoy – Mas eu queria saber assim, onde é que… Qual que é a estratégia go to Market de vocês. É 100% online ou vocês estão indo para o retail também? Como é que o pessoal acha? Qual que é… Tem vários combos. Vocês vendem três, seis, assim? Tem algum que é um sabor mais comprado, um combo mais comprado?

Cátia Coelho – Tem. Deixa eu… Vamos por fase. A gente começou online, a gente… Inicialmente, a gente fez a nossa venda no nosso website. Então, foi… O início foi 100% online. Hoje a gente já está em Amazon, continua online, mas a gente está migrando, vamos falar assim, para o que a gente pode chamar de um mix de retail online, que seria, sei lá, um exemplo, lojas que você… Que têm… Que vendem comida e você pode comprar online, mas que é meio retail e a ideia é sim a gente ir para retail também, mas a gente vai começar nesse mix de retail online para depois a gente ir para lugares maiores. Óbvio que eu tenho sonho de ir para o Go Foods e tudo isso, mas tu tem que ser, como o Rodolfo falou, medido, bem pensado e bem planejado, não é? Mas a ideia é sim ir para retail no futuro próximo. Você perguntou também o que vende mais. A gente tem uma caixinha que a gente chama de diversity, que são os três. É um mix de todos os produtos. Esse é…

Juliano Godoy – É. Foi o que eu comprei.

Cátia Coelho – Esse é o que vende mais. Com certeza, seguido do chocolate, depois coco e depois berries, não é?

Rodolfo Coelho – Mas no coração da Cátia berries vem primeiro.

Cátia Coelho – Berries vem primeiro porque eu, enfim, adoro fibra. Ele tem bastante fibra e tem especificamente um ingrediente que é a linhaça que um [ininteligível] (01:14:35) que eles chamam, a linhaça, que eu adoro que é supersaudável. E tem a “macberry” (01:14:39), tem as berries que, enfim, têm muito antioxidante. Então, eu tenho uma paixão porque eu sei que todo… Não que os outros não tenham benefícios. Todos têm, mas eu tenho essa… Essa paixão por berries e [ininteligível] (01:14:54). Então, ele é meu favorito, com certeza, mas a caixinha com mix é o líder de vendas, com certeza. Seguido do chocolate.

Rodolfo Coelho – Chocolate é chocolate.

Cátia Coelho – Chocolate é também.

Rodolfo Coelho – E a gente… E a gente usa chocolate 100% orgânico…

Cátia Coelho – Cacau.

Rodolfo Coelho – Vindo do Peru. Falando um pouco, complementando a parte de go to Market, o online é importantíssimo para você ter o contato direto com seu consumidor e aprender e escutar feedback e interagir e testar. Eu acho que é um passo importante quando você tem um produto. Mas falando de números, mesmo com o empurrão do Covid e pandemia, etc. e-commerce só representa de 15% a 17% das compras totais de alimentos e bebidas aqui nos Estados Unidos. O resto ainda é o varejo de loja mesmo. Loja física. E mesmo dentro desse e-commerce, desse percentual de e-commerce, tem uma parte grande que é o que eles chamam de click and collect que você compra no online, mas pega na loja. No Wal-Mart, no Target, onde quer que seja. Então, você tem que estar no varejo, loja física, para participar dessa parte do e-commerce também. Então, assim, não tem como você escapar do varejo. A única coisa que a gente faz, de novo, falando, vou repetir até cansar. Engatinhar, caminhar e correr. O nosso engatinhar é no e-commerce para aprender do consumidor, pegar feedback e aí você joga isso, depois você começa a crescer. O que a Cátia chama de varejo misto, de online retail são lojas que compram de você para revender. Ou seja, funcionam como um varejista, só que eles não têm loja física e, com isso, facilita enormemente a logística. É um shipment, é uma entrega centralizada e eles pulverizam depois para os consumidores deles. A gente está tendo muito sucesso com empresa de entrega de refeições prontas. Aqui nos Estados Unidos é um segmento que a gente está vendo crescer bastante, tem muito investimento de venture nisso. No Brasil tem a Liv Up, da Stella Abrantes, ex-Ambev também. Está arrebentando nesse segmento, mas aqui é superdifundido e a gente está vendo que o Nutreat tem uma aceitação muito grande. Então, a gente começa a ver, assim, entrega uma refeição e um Nutreat de sobremesa ou lanche. A gente… Eu, particularmente, adoro Nutreat no fim da noite, aquele lanchinho de fim de noite vendo Netflix. É campeão, mas é um canal que a gente está explorando agora e está muito interessante. O canal de varejo, a penetração dele hoje em dia, assim, está começando a abrir uma porta que é a degustação. É muito importante no alimento você dar o produto para provar e isso não estava acontecendo no Covid até agora.

Cátia Coelho – Nós vamos ter a primeira…

Rodolfo Coelho – Vamos ter a primeira degustação agora.

Cátia Coelho – Primeira degustação em março.

Rodolfo Coelho – Então, assim, imagina que é um instrumento fundamental em toda a estratégia de penetração de mercado era a degustação e a gente não podia fazer. Principalmente, e a Cátia vai me matar por falar isso, mas não adianta. Eu firmemente acredito que essa é uma boa explicação. Quando você tem um bom produto você tem que usar o que a gente chama de marketing colombiano. O primeiro grama de cocaína é sempre grátis porque daí para a frente o produto faz o resto e a gente acredita muito no produto. Então, a gente vai investir em degustação. É uma parte importante, mas que estava travado até agora. Então, agora a gente está começando a ver as portas se abrirem.

Juliano Godoy – Fascinante. Eu estou aprendendo um monte.  A história de vocês foi legal. O produto seu é bacana. Eu podia ficar horas aqui, mas eu quero respeitar também o tempo de vocês. Mas para a gente… Indo meio aqui para os finalmentes, para a gente terminar até… Depois a gente fazer o paralelo com a Colômbia, tal. Acho que eu queria terminar [ininteligível] (01:19:08) note. Tem… Pô, tem alguma história curiosa ou engraçada que vocês passaram assim de diferença cultural mesmo, seja aqui ou na Austrália? Às vezes, de língua que a gente fala alguma coisa pensando que é uma coisa e é outra. Alguma coisa que vocês lembram disso?

Rodolfo Coelho – Cara, eu tenho umas 10.

Cátia Coelho – A gente pode escrever um livro.

Rodolfo Coelho – É. Tem uma da Cátia que ela vai contar. Ela já está rindo por conta.

Juliano Godoy – Já sabe… Já sabe o que é, não é?

Rodolfo Coelho – Mas, assim, eu tenho várias em espanhol porque eu morei na Espanha, fiz parte do meu mestrado na Espanha e depois, pouco tempo depois eu estava na Argentina. E o espanhol é completamente diferente de um país para o outro, até mesmo na própria América do Sul e tem um verbo que é “coger’ que em espanhol da Espanha significa pegar alguma coisa e em espanhol de 90% da América Latina significa o ato sexual. Estoy cogendo esta persona, enfim. E, por aí vai. Cara, eu dei umas 10 dessa até alguém parar de rir e me contar o que eu estava fazendo, não é? Assim: “Pega isso aí”. Não, não é pega isso aí. Veja bem. Então, essa é uma. E eu deixo para a Cátia contar a dela de inglês.

Cátia Coelho – Vou contar a minha, a minha que ela até recentemente ela complementou. A história se complementou. Quando eu cheguei aqui logo e eu achava que… Eu estudei inglês a minha vida inteira. Então, eu achava que eu falava inglês e tudo.

Rodolfo Coelho – Cursinho no Brasil.

Cátia Coelho – E quando eu cheguei aqui eu vi que não era… Não era bem assim. A história era diferente. Eu tinha que estudar mais. E aí quando eu estava num evento da escola das crianças, numa mesa e aí eu perguntei baixo para uma pessoa do lado, uma outra mãe: “Where’s the toilet?” Ela: “Oh, the lady’s room. The lady’s room is over there”. Daí eu olhava [ininteligível] (01:21:08) toda sem graça eu falei: “Já sei que eu falei alguma coisa errada”. Voltei para o Rodolfo. Falei: “Rodolfo, perguntei para a moça Where’s the toilet, ela me olhou como se eu estivesse falando alguma coisa… Ela não… Quáquá. Você perguntou para ela onde é o vaso sanitário. E aí eu aprendi que não era…

Rodolfo Coelho – Toilet.

Cátia Coelho – Não é toilet que falava, não é? Onde é o toilet? Aquela coisa toda achando que eu estava sendo supereducada e ela: “Oh, the lady’s room. The lady’s room”. Gravei e eu falo: “Where’s the lady’s room?” Hoje. Porém, cheguei eu… E eu fiquei com aquilo, não é? Eu falei: “Pô, eu falei errado. Aquilo faz parte da minha história. Cheguei na Austrália, bem grande: “Toilete”. Eu falei: “Uá, então eu não estava tão errada”. Então, assim…

Rodolfo Coelho – Só estava no país errado.

Cátia Coelho – Só estava no país errado. Mas é tudo inglês. Então, isso foi uma história… Então, acho que essa história do inglês by the way, você está falando de language, é uma coisa que eu diria assim. A gente… A gente estuda, então, continua estudando quem pensa em vir para os Estados Unidos porque é uma coisa importante. Eles respeitam muito as pessoas. Mesmo que você fale errado, não tenha medo porque eles respeitam você respeitar a cultura deles e você se… Aquilo que a gente falou. Você está se esforçando porque você falou, não falou bem, não é uma coisa mal vista. Pelo contrário, é uma coisa que você está tentando, você está respeitando a língua deles e eles têm isso muito forte, o respeito pelo país, pela língua, então se não está falando bem, não tenha medo. Continue, continua estudando e treinando porque é importante e faz você se sentir… A tua autoestima fortalecer e você ser capaz de se apresentar e falar, de você… Inglês. Mesmo que não seja com um inglês perfeito. Então, acho que isso é muito importante, não é?

Juliano Godoy – É. Mesmo porque aqui é um país de imigrantes. Então, as pessoas são mais tolerantes até com isso.

Cátia Coelho – É isso aí. Então, é por aí. Então, depois eu fiquei feliz. Eu falei: “Ah não estava tão errada assim”.

Juliano Godoy – Ficou mais tranquila. Que legal. Gente, assim, para finalizar, eu tenho um quadro aqui eu chamo de as rapidinhas, não é? Então, não é o que o Rodolfo pensa também porque eu já vi que o Rodolfo tem meio mente poluída, mas são perguntas rapidinhas que eu queria… Assim, eu faço e vocês falam para mim a primeira coisa que vêm à cabeça, tá? Deixa eu começar com você, Cátia. O que você mais sente falta do Brasil?

Cátia Coelho – A minha família, minha mãe, minhas irmãs, meus amigos, com certeza. É difícil.

Juliano Godoy – O que você descobriu aqui que hoje você não vive sem?

Cátia Coelho – O que eu descobri aqui que hoje não vivo sem? Educação. Essa coisa dos recursos e você e você… Mesmo quando você não sabe, você tem a possiblidade de, através da educação, aprender e aí você… Blossom. Você floresce, você consegue. Isso é… Eu vou contar rapidamente, assim. No Brasil, eu fiz psicologia, mas eu… A psicologia era muito voltada para a psicanálise e aqui eu vi com a educação, com o que eu aprendi que o negócio era mais vasto. Então, que eu podia, por exemplo, tratar de uma doença, de uma depressão, mas com resultado. Isso foi tudo através da educação que eu tive aqui. Então, isso foi realmente diferente para mim e é uma coisa que eu gosto. Da educação daqui.

Juliano Godoy – E que conselho você daria para quem quer empreender aqui nos Estados Unidos?

Cátia Coelho – Eu faria um pouco disso. Não para de estudar inglês. Lê, se informa, enfim, não desiste, mas continua estudando e fale bem, fale inglês. E também se não for bem, continua tentando.

Juliano Godoy – E qual seria um filme ou um livro ou um podcast que você poderia compartilhar com a gente para inspirar nossos ouvintes aqui?

Cátia Coelho – Recentemente… Eu não sou uma pessoa de marketing, eu li [ininteligível] (01:25:19), enfim. E ele fala exatamente de uma nova forma de você olhar o marketing, de… Assim, por exemplo, de você montar uma história autêntica do teu business e como você tem que escutar teu consumidor também para mudar, às vezes, se for necessário. E muito do que a gente construiu foi baseado numa história autêntica, verdadeira, minha, dele, da nossa experiência profissional, da nossa experiência com a nossa família. A gente não falou isso, mas dentro da produção quando veio [ininteligível] (01:25:54) a gente levou os nossos filhos para produzir dentro de Cornell porque você não podia levar ninguém. Então, assim, é uma história muito forte, muito real, muito autêntica. Então, acho que isso faz parte do nosso marketing, mas não é uma coisa forçada, não é criada. A gente não é fake. A gente está lá, é isso. É a gente. Então, adorei o livro dele falando sobre isso.

Juliano Godoy – Que legal. Rodolfo, e você, meu camarada? O que você mais sente falta do Brasil?

Rodolfo Coelho – Essa daí não dá para ser criativo não. Vou repetir. É família. Meu pai, toda a família que está lá. A gente… Quando a gente vem para fora, a gente sempre quer o melhor dos dois mundos, mas não tem jeito. E isso é uma constante. A gente está sempre preocupado, a gente está sempre com saudade, a gente está sempre pensando neles e vice e versa. Eles também estão sempre pensando na gente sentindo a nossa saudade, mas essa é a vida do imigrante. Não pense que vai ter molezinha nessa não. Você vai ficar com saudade.

Juliano Godoy – Legal. E o que você descobriu aqui que agora você não vive sem?

Rodolfo Coelho – Cara, a palavra consequência. Eu acho que essa é a maior diferença que faz o Brasil ainda não ter deslanchado, apesar do potencial e das pessoas maravilhosas. Aqui você tem um sistema jurídico, um sistema legal que, assim, enforca, que coloca consequência para os atos das pessoas. Isso para mim é a grande diferença da sociedade americana que explica… Não é que as pessoas aqui nos Estados Unidos são mais civilizadas ou menos civilizadas. O ser humano é ser humano em qualquer lugar do planeta. Viajando e morando fora, eu aprendi isso. A diferença é que aqui você faz uma besteira vai ter uma consequência, você faz uma coisa boa também vai ter uma consequência. Que, às vezes, no Brasil burocracia e uma série de outras coisas impedem a consequência positiva também. Então, acho que a palavra consequência para mim é o divisor de águas, é o que faz os Estados Unidos ser o que é e o que eu mais prezo aqui.

Juliano Godoy – Entendi. E para aquela pessoa, de novo, então, que está com aquele sonho de vir para cá empreender na América, o que você… O que você diria para ela?

Rodolfo Coelho – Eu acho que a primeira coisa é simplificar e não tentar ser perfeito. Nenhum empreendimento nasce perfeito e a gente viveu em ambientes de excelência, não é? Ambev realmente, assim, tem um nível de excelência fantástico, mas na hora que você está empreendendo não tenta chegar perto do ideal não. Vai com aquilo que você tem e mete a cara. Não tem que ficar começando assim: “Ah não, eu gostaria de ter os controles financeiros”. Cara, vai e faz, entrega para o seu consumidor e entende o que o seu consumidor achou do seu produto ou serviço. O seu consumidor vai ser o seu maior aliado na hora de fazer uma empresa. E a outra coisa, se puder, não começa do zero. O zero tem uma inércia absurda. Isso aí foi um conselho que um grande amigo nosso, que é um superempresário aqui deu. Cara, não começa do zero. Burros, começamos do zero. Estamos gramando, comendo capim pela raiz, mas estamos aprendendo muito. Estamos criando uma base que ninguém fala do nosso produto, seja da fabricação, do marketing, etc, que a gente não entenda mais ou tanto quanto a pessoa. Então, assim, seja simples, direto ao ponto, fale com o consumidor e não busque a perfeição.

Juliano Godoy – Legal. E, por fim, o que você está lendo ou vendo ou ouvindo que você quer dividir com a gente?

Rodolfo Coelho – Cara, tem um livro que é impactante e é até engraçado porque ele meio que fala do que eu acabei de dizer para não fazer, não é? O livro se chama Zero to One, do Peter Thiel, que foi um dos fundadores do PayPal e algumas outras empresas. É um cara absolutamente brilhante. Superpolêmico. Ele tem opiniões políticas, culturais e, enfim, é um cara que… Assim, eu não estou dizendo: “Concorde com o Peter Thiel ou se junte à mentalidade dele, mas o livro dele Zero to One eu diria que é uma Bíblia para quem quer empreender e entender o tamanho da encrenca, tá? Ele dá exemplos, ele fala do que ele fez, do que os outros sócios dele fizeram depois. Elon Musk vem dessa época também de PayPal, era sócio dele. Enfim, eu acho que é um livro básico para você entender o tamanho da encrenca de uma maneira brilhantemente escrito. De novo, o cara é polêmico. Não estou aqui advogando a favor ou contra o pensamento dele, mas o livro é fora da curva.

Juliano Godoy – Legal. Vou adicionar na minha lista aqui. Sensacional. Gente, poxa, muito obrigado. Adorei o papo. De verdade. Superbacana conhecer um pouco mais de vocês, a história de vocês, poder compartilhar isso. Eu queria agora… Eu brinco que é o momento merchan, não é? Pô, onde é que o pessoal acha vocês? Se vocês quiserem compartilhar o link do Nutreat, enfim.

Rodolfo Coelho – Muito simples. Primeiro, a gente só está aqui nos Estados Unidos, então galera aí do Brasil aguarde. Aqui nos Estados Unidos você encontra fácil na Amazon. É só digitar Nutreat, N-u-t-r-e-a-t ou no nosso próprio site. nutreat.com. É a maneira mais fácil e à medida que a gente for entrando no varejo a gente vai contando para o povo também e pode seguir as novidades no nosso Instagram que também é o @nutret.

Juliano Godoy – Legal. Se alguém quiser… Olha, colocar vocês no [ininteligível] (01:31:54) que eu adoro fazer isso com os convidados, não é? Bora fazer um cuponzinho aqui do ImiGrandes ou não? A gente põe aqui no site, tal?

Rodolfo Coelho – Bora fazer. Vamos embora.

Cátia Coelho – Vamos fazer. Vamos sim.

Rodolfo Coelho – Fechado.

Juliano Godoy – Bacana. Então…

Rodolfo Coelho – 10% de desconto na primeira compra está garantido para todos os imigrandes.

Juliano Godoy – Legal. Então, a gente vai… Depois a gente coloca no episódio o link, etc, para o pessoal entrar e fazer degustação do produto. Bacana.

Cátia Coelho – Ótima ideia.

Rodolfo Coelho – Boa. Muito bom.

Juliano Godoy – Isso aí. Gente, queria, de novo, agradecer todo mundo. Para terminar, quem ouviu aqui o episódio pelas plataformas de streaming, para quem viu a gente no Youtube, muito obrigado. Para mim, o Rodolfo falou isso também e eu concordo, o tempo é o bem mais precioso que a gente tem. Então, o fato de você ter passado um tempo aqui com a gente nos ouvindo, ouvindo essa história mesmo tendo milhares de opções por aí, poxa isso enche meu coração de alegria, de gratidão e de orgulho. Então, do fundo do meu coração, superobrigado. Só que, obviamente, eu também vou te pedir um favor, não é? Se você gostou, me ajuda a espalhar esse conhecimento. Vai lá no… Vai na sua plataforma de streaming, dá um like. Se você está vendo pelo Youtube dá um comentário, compartilha o episódio, se inscreve no canal. Manda um comentário para mim. Então, você também me acha no Instagram que é jg@julianogodoy… Jg.julianogodoy. Se tiver alguém que você quiser que eu entreviste aqui no canal, poxa, manda sugestão. É isso aí, gente. Obrigado, papo bacana. Até a próxima. Valeu.

Rodolfo Coelho – Muito obrigado.

Cátia Coelho – Obrigada, Juliano. Tchau.

Rodolfo Coelho – Um grande abraço. Tchau, tchau.

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