Você está pronto para viver em outro país? Com Fabio Brancati
Você está pronto para viver em outro país? Com Fabio Brancati
03/26/2022
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Convidado:
Fabio Brancati
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Postado em :
03/26/2022
O sonho de muitos brasileiros é viver e empreender em outros países, e cada vez mais vemos gente que alcançou esse grande objetivo.
Eu sou Juliano Godoy e trago para vocês o ImiGrandes, o podcast que irá contar a história de brasileiros que realizaram este sonho.
Neste episódio de estreia, converso com Fabio Brancati, brasileiro que chegou aos EUA como funcionário de uma empresa de tecnologia, e hoje empreende na área de corretagem de imóveis.
Entrevistado
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Host
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Transcrição
Juliano Godoy – Fala pessoal, tudo bem? Bem-vindos ao ImiGrandes. Eu sou Juliano Godoy e aqui a gente vai bater um papo com brasileiros que tiveram a coragem e ousadia de empreender fora do Brasil. Para mim, empreender já é foda. Empreender fora de casa é foda ao quadrado. Hoje, a gente vai bater um papo com Fabio Brancati. O Fábio é um grande amigo que hoje mora lá em Naperville, que é subúrbio de Chicago. O Fábio está no ramo imobiliário desde 2014. Desde então, desde quando ele entrou com essa carreira, ele já ganhou vários prêmios, principalmente aí pelo uso de tecnologia como drones, como mídia social. E o Fábio está sempre ranqueado entre os Top [iningeligível] (00:00:41) de Chicago. Ou seja, o cara é bom para caramba. Mas eu sei que a chegada até aqui não foi fácil. Então vamos ouvir um pouquinho dele para ele contar como foi a chegada até aqui e o que a gente tem para aprender um pouco. Fábio, tudo bem cara? Prazer estar aqui com você no nosso podcast.
Fabio Brancati – E aí Juliano, tudo bem? Primeiramente, eu que a agradecer o convite. É uma honra poder participar aí do seu vídeo e ter a chance de mostrar para o nosso povo que, apesar dos Estados Unidos ser a terra dos sonhos, as coisas não são sempre fáceis, mas é uma honra estar aqui, um prazer poder compartilhar aí pouco da minha história.
Juliano Godoy – Show, cara. Obrigado. Então, porque você não começa, então, contando para gente um pouquinho da sua história e como é que você chegou até aqui?
Fabio Brancati – A história começou lá atrás no Brasil. Nasci… Sou original de Guarulhos, não é? Minha mãe mudou a gente para o interior quando eu tinha 12 anos de idade. Fiz faculdade na PUC, de análise sistemas, turma de 2004. A graduação. Dali, eu tive a oportunidade… Trabalhei na Unicamp já, depois eu tive a oportunidade de entrar em uma filial da SAP, uma empresa que chama Softech. E quando eu aprendi o inglês, fiz inglês na Cultura Inglesa, estudei seis anos lá fazendo todos os cursos de férias e os intensivos que eles tinham. E quando eu peguei a parte do inglês e já tinha esse certificado foi aí onde as portas se abriram. Em 2007, a empresa que eu trabalhava me transferiu para o México primeiro.
Juliano Godoy – Mas espera aí, você fez um curso de inglês e foi para o México. É isso mesmo?
Fabio Brancati – É. E sem saber espanhol nenhum. Porque foi onde apareceu a vaga, entendeu? Eles falaram: ”Olha, todo mundo quer ir para os Estados Unidos. A gente não tem vaga lá. Você quer ir para o México?” Eu falei: “Tá bom. Estou subindo o mapa estou bem.
Juliano Godoy – Como é que foi chegar para a esposa, para a Elile, e falar: “Estamos indo para o México”? Ela falou: “Opa, fechou” ou ela falou: “Tá maluco?”
Fabio Brancati – O pior é chegar para a esposa grávida, onde a nossa filha ia nascer mais ou menos… Isso aí foi lá no comecinho de janeiro, a Laura, nossa mais velha, nasceu em junho. E eu falei: “Olha, a proposta de ir para o México é exatamente depois que a Laura nasce e ela era a primeira neta dos dois lados”. Então… Mas a minha esposa é bem empreendedora também. Ela não tem medo de coisa nova e tudo mais. Ela falou: “Olha, a hora que a Laura nascer a gente vai”. A Laura chegou no México tinha 26 dias e nenhum dos dois falava espanhol. Nem eu e nem a minha esposa. Aí eu aprendi o espanhol feio primeiro, depois eu aprendi o espanhol bom e a gente viveu lá dois anos e eu era consultor da SAP de vendas e distribuição no Brasil. Quando eu mudei para o México, eles me promoveram a gerente de vendas da América Central e em 2010 saiu uma vaga para vice-presidente da América Latina para morar nos Estados Unidos. Porque tem muito cliente no Brasil comprando empresa americana. Tem a Burger King, “Heisenbuch” (00:03:38), a Votorantim, todo esse pessoal aí precisa de um brasileiro para representar eles no mundo SAP.
Juliano Godoy – Então era meio que um gerente de contas brasileiro para falar com os investidores brasileiros, é isso?
Fabio Brancati – Isso. E deixar os americanos mais calmos porque o americano, como você sabe, ele não gosta muito… Normalmente, quando você é adquirido, as coisas ficam aqui. No nosso caso, que é no Brasil, as coisas vão para o Brasil. Então, era acalmar um pouco o pessoal. Aí eu mudei para… Aí eu não sabia onde morar. Eu falei: “Aonde é que eu vou?” Fui convidado para ir para lá, a empresa já me falou assim: “A gente vai falar para onde você não pode ir. Você não pode ir para nenhum lugar da costa oeste, você não pode ir para a Flórida”, então a Flórida já estava fora. “Não pode ir para Dallas, nada do Texas. Do meio dos Estados Unidos para cima ou para o leste.
Juliano Godoy – Ah então eles deixaram aberto para você escolher aonde se instalar? Não tinha uma vaga num lugar específico, então?
Fabio Brancati – Não. Aí eu tinha que estar perto de um aeroporto sem conexão. Aí você tem Nova Iorque, Chicago, Atlanta e tudo mais. Aí eu virei para a minha esposa e falei assim: “Então, a gente nunca viu neve, vamos lá ver a neve. A gente mora lá, vai ser superlegal ver a neve”. Aí a gente escolheu… Aí eu pus no Google: Melhor cidade para morar nos Estados Unidos. Aí a primeira foi uma que chama Peachtree Georgia, que é a árvore do pêssego. Na Georgia e era perto de Atlanta. Eu falei: “Não, não vou para lá não”. E a segunda era Naperville (Illinois). Eu falei: “Essa Naperville aqui parece ser legal. Vamos para lá”. Aí a gente chegou aqui em junho de 2010.
Juliano Godoy – E ela levou melhor essa mudança do México para os Estados Unidos do que do Brasil para o México? Como é que foi também essa mudança com… Quer dizer, aí vocês não tinham mais só a Laura, não é? Tinha mais gente.
Fabio Brancati – Não, aí depois… Os outros filhos nasceram aqui. Eu tenho quatro filhos hoje. Então, Felipe, Olívia, Isabela nasceram aqui, mas até então era só a Laura. Eu acho que a mudança do México para cá foi mais tranquila porque o México foi um período muito bom para a gente se adaptar. Para você não chegar com aquela febre americana que todo brasileiro chega, que todo mundo que muda para cá, eu vejo que, como as coisas no Brasil são muito caras e a pessoa muda para cá e vê que tudo é muito barato do que ela poderia pagar no Brasil, a pessoa gasta muito dinheiro no começo. E o México não é tão caro como o Brasil. Então, foi uma fase de adaptação para a gente se acalmar um pouco para… Quando a gente mudou para cá. Então, foi mais fácil morar… Mudar do México para cá do que do Brasil para o México. E foi mudança, assim, sem nada porque a gente vendeu tudo no Brasil, mudou para o México, compra tudo lá. Vende tudo no México, muda para cá e compra tudo de novo.
Juliano Godoy – Chegou sem nada aqui?
Fabio Brancati – É. Seis malas só e um carrinho de bebê.
Juliano Godoy – Ou seja, a primeira semana passando para visitar Ikea, [iningeligível] (00:06:28), sei lá.
Fabio Brancati – É. A primeira semana foi… Aí quando você chega tem toda aquela dificuldade. Eu não vou entrar muito no detalhe de crédito, mas no Brasil o crédito é: “Você é bom pagador ou você é mal pagador”. Esse é o sistema de crédito no Brasil. Aqui tem uma conta muito doida que o sistema faz para saber se você é bom pagador, se você não é bom pagador, quanto tempo você é bom pagador, quanto tempo você é mal pagador. Resumo da história é: A pessoa para ter crédito na América tem que se endividar controladamente. Agora, vai explicar para o meu pai isso. Se endividar controladamente. Você chega, você é um zé ninguém, você não tem… Você não tem histórico e não tem crédito, você não consegue comprar nada. Então, foi muito difícil no começo ter crédito para poder alugar uma casa, comprar um carro. O cartão de crédito foi fácil porque a empresa tinha parceria com o Brasil e do México, então eu herdei esse crédito de lá, mas o resto não foi fácil não meu amigo. Você pena. Tem que trazer dinheiro e ficar preparado para pagar tudo em dinheiro porque não é fácil.
Juliano Godoy – Então, isso já era então 2010, é isso?
Fabio Brancati – 2010.
Juliano Godoy – 2010. Então, você ainda veio para cá ainda como executivo. Ainda veio para cá trabalhando para a Softech.
Fabio Brancati – Trabalhei para eles até 2014, a metade de 2014. Até aí a gente já tinha… Já tinha nascido o Felipe, tinha nascido a Olívia, a gente já tinha mudado do aluguel para a nossa casa e a minha esposa estava grávida da Isabela. Só que essa vida de executiva de vendas é uma vida muito corrida. A gente viajava Canadá, Estados Unidos, México e Brasil e ficava indo para lá e para cá. E com 3 filhos e mulher grávida não era fácil. Aí foi onde eu encontrei um grande amigo meu voando drone na época, não é? Eu tenho até aqui os brinquedinhos. Na época, eles eram maiores e um pouco mais complicados. Hoje é mais fácil e ele me falou assim: “Olha, deixa esse trabalho seu aí, você vai se dar muito bem com o mercado imobiliário, você tem jeito para a coisa, você entende de casa. Eu sempre fui muito curioso com essa parte como as casas aqui funcionam. E em junho de 2014 eu pedi demissão do meu emprego e falei para a minha esposa: “Vamos esperar a Isabela nascer e quando ela nascer a gente resolve se a gente volta para o Brasil ou se a gente continua por aqui”.
Juliano Godoy – Então, espera aí. Deixa eu entender uma coisa aqui. Você estava com 3 filhos, a esposa grávida, de repente chegou em casa para o jantar e falou assim: “Meu amor, o que tem de janta?” Ela Falou assim: “Ah, tem macarrão, bife e tal”. Ah que legal. A propósito, eu pedi demissão” e ela grávida do 4º filho. Acho que foi um jantar bem tranquilo, não é?
Fabio Brancati – Não. Ela estava… Mas, assim, já estava… Era uma situação de você ganha muito dinheiro nesse mundo executivo, só que você viaja muito. Então, o fato de eu viajar muito, eu ficava muito tempo fora de casa.
Juliano Godoy – Então teve um trade off ali de qualidade de vida, de estilo de vida com remuneração, etc.
Fabio Brancati – É. O problema disso tudo é… Assim, eu sempre trabalhei com emprego assalariado, quando você passa para a área imobiliária, você vira um PJ americano que eles chamam aqui de self employed. Aí ficava pensando: “De onde que vai vir o meu salário? Será que eu vou vender alguma coisa? Será que não vai acontecer nada?” E esse amigo meu me dava muita confiança. Só que eu comecei a monitorar algumas pessoas que estavam no mercado imobiliário e eu percebi… Eu descobri mais ou menos o quanto eles ganhavam de acordo ao estilo de vida deles. O jeito de eles trabalharem, o que eles investem para vender e era normalmente gente que não fazia nada. O cara estava lá, tinha o carrinho velhinho dele, vendia uma casinha aqui, outra ali. Eu falei: “Bom, o pior cenário eu já tenho. Agora eu preciso trabalhar para ter o melhor cenário”. E a benção dos Estados Unidos é que aqui para se abrir uma empresa, meu amigo, é a coisa mais fácil do mundo. Eu falei: “Primeiro eu preciso de uma empresa para receber salário”.
Juliano Godoy – Como é que foi? Acho que esse é um negócio legal para a gente explorar, cara. Porque, assim, no Brasil é famosa já a burocracia. Fazer um CNPJ demora meses e aí cartório, reconhece firma e toda aquela burocracia do caramba. Como é que foi o processo para você aqui para você abrir a sua firma, quanto tempo demorou? Como é que você… Conta para a gente um pouquinho como é que foi esse processo.
Fabio Brancati – Quando eu saí do meu trabalho, eu fui trabalhar para esse corretor amigo meu, ele não conseguia dar conta do volume de trabalho dele. Só que ele falou: “Você precisa abrir uma empresa porque se você virar corretor, você vai precisar receber seu salário e para eu te pagar eu preciso ter essa empresa aí”. Aí eu achei uma… Entrei num site lá que chama Legal Zoom. Fui lá no Legal Zoom, aí aparece lá: “O que você quer fazer?” Eu coloquei: “Eu quero abrir uma empresa”. Aí pergunta: “Que tipo de empresa?” Eu falei: “Uma empresa do ramo imobiliário e do ramo fotográfico”. Eu estava tirando foto com meus aviõezinhos aqui, não é? Aí eles falam: “Ok”. Aí eu paguei uma taxa lá de 920 dólares na época. Uma semana depois chegou um monte de… Uma pasta, uma papelada, eu assinei 3 vias, mandei de volta, empresa aberta.
Juliano Godoy – Ou seja, em uma semana e 900 dólares você abriu uma empresa aqui nos Estados Unidos?
Fabio Brancati – Eu abri uma empresa que já podia operar e fazer e faturar e tudo mais. Eles mandam a pasta, superorganizado, você já tem todos os contatos do Governo Federal, do Governo Estadual, já está… Sua empresa está pronta para operar. Aí eu paguei 250 dólares para poder ter a empresa registrada no Estado e aí pronto. Trabalhei para ele uns dois ou três meses mais ou menos como assistente e naquela época estava começando essa coisa de foto aérea e eu já brincava com isso. Aí eu lembrava que eu cobrava… Cada corretor que eu via pela rua assim eu cobrava dele 600 dólares por casa para poder tirar foto. Hoje já está incluído no serviço, a gente não cobra nada separado, mas deu assim para… Trabalhando para ele e fazendo uma foto aérea deu para sobreviver muito, ganhava mais do que eu ganhava antes.
Juliano Godoy – Só fazendo foto?
Fabio Brancati – Só fazendo foto. Está na frente do que o povo não sabia o que era porque foto aérea era uma coisa nova. Então, assim, de julho até janeiro de 2015, fevereiro, ninguém conseguia fazer isso. Só quem entendia mesmo e esse tipo de tecnologia era nova. Não é o que a gente tem hoje. Aí novembro, eu falei: “Quer saber? Eu vou tirar minha licença, gostei desse trabalho aqui. Vou tirar minha licença e vou virar corretor”. Tirei minha licença… E para tirar licença, assim, é outra coisa inacreditável.
Juliano Godoy – É. Eu queria saber isso também. Como é o processo para você, enfim, poder vender um imóvel aqui, não é?
Fabio Brancati – Aqui você precisa ter como se fosse o CRECI no Brasil. Você precisa ser registrado a nível federal e a nível estadual. E você só pode vender no Estado que… Eu posso vender em outros Estados contando que eu tenha a licença lá nesse Estado. Então, hoje eu sou registrado no Estado de Illinois, mas se eu precisar ir para o Texas eu tenho que tirar a licença estadual do Texas.
Juliano Godoy – Então, você só pode vender no Estado de Illinois?
Fabio Brancati – Se eu precisar ir para fora, daí eu tenho que tirar a licença da Flórida, mas o federal eu já fiz a prova. Então, não preciso fazer de novo. E para tirar licença foi também a mesma coisa. Entrei lá na… No escritório que eu trabalhava para esse amigo meu já tem lá os anúncios das escolas, aí você entra lá, compra a classe, um mês depois, passou no teste, passou na prova. Parabéns, você é um corretor. Hoje eu acho que demora mais ou menos… Depende de como você quer fazer. Presencial ou não, demora entre um mês a um mês e meio. E se você quiser não fazer nada, você pega o que eles chamam de self study. Você estuda na sua própria velocidade. E aí passa na prova do Estado, na federal, você se afilia a uma agência. No caso, eu hoje trabalho para a At Properties.
Juliano Godoy – Todo mundo tem que estar filiado a alguma agência ou você pode ter a sua própria ou não? Como é que funciona isso?
Fabio Brancati – Você pode ter a sua própria depois de 2 anos sendo afiliado… Trabalhando para alguém. Você tem que estar trabalhando para um… A gente chama de manager broker, que é uma licença acima da minha, mas você escolhe ter ela se você quer gerenciar um escritório. Então, eu ainda acho que é muito trabalho gerenciar um escritório. Então, eu trabalho para um escritório e lá eu tenho o meu gerente que é o manager broker da empresa. Mas você pode abrir sua própria empresa depois de dois anos sendo… Tendo a sua licença em mãos. Você tira essa outra licença, mas é como se fosse fazer um upgrade da licença.
Juliano Godoy – Cara, eu queria voltar um pouquinho lá no seu amigo, cara. A pessoa que te introduziu aí nesse mercado de imóveis, de real state. Ele deve ser um cara muito bom de argumentação, não é? Porque ele te convenceu pelo visto meio… Razoavelmente fácil. Pô, esse negócio é bom. Vem cá ganhar dinheiro, tal. Fora, assim, você teve mais alguma outra influência ou não? Porque no Brasil você não mexia com isso, não é? Foi só… Você colou nesse cara e falou assim: “Acredito nele, confio nele e vamos embora?”
Fabio Brancati – De casa eu aprendi… Meu pai era pedreiro no Brasil, não é? Minha mãe era dona de casa, então querendo ou mão meu pai me forçou a trabalhar com ele. E eu acho que foi a melhor coisa que ele fez. Apear de eu não gostar do que ele fazia, porque acho que ninguém gosta de trabalho duro, forçado assim, mas eu aprendi muita coisa. Quando eu vim para cá, aquela curiosidade me ajudou, mas esse amigo meu conheci ele por… Foi um desastre do lado dele que me ajudou a conhecer ele porque ele também voava esses drones aí e um dia saiu a foto dele no jornal porque ele perdeu um drone. Ele voou… Naquela época, lembra? Não tinha lei de drone, não tinha regulamentação, não tinha nada. Ele estava voando lá e o negócio perdeu o controle, desapareceu. Aí a cidade de Naperville colocou ele no Chicago Tribune que ele era líder em tecnologia e não sei o quê e já tinha perdido um e ele estava contando a história do drone que ele perdeu e aí um amigo meu me mandou. Aí eu fiz um café com ele lá, mas, assim, ele fez… Ele mostrou que a coisa era fácil para mim, mas hoje trabalhando eu sei que não é tão fácil assim. Mas ele falou: “Olha, se a sua preocupação”…
Juliano Godoy – Fez parecer?
Fabio Brancati – É. É não morrer de fome, você não vai morrer de fome, mas você tem o dom para isso. E ele me ajudou muito. Me ajudou muito com o escritório, quando comecei. Tinha a assistente dele que me ajudava muito. Hoje, a assistente dele, para você ter uma ideia, ela trabalha full time para mim. Ele já está há 35 anos trabalhando com isso, então ele está se aposentando e agora ele falou: “Olha, eu não tenho mais necessidade de usar o serviço da Joane. Já faz 4 anos que a Joanne trabalha full time para mim. Já temos aí… São dois corretores, uma assistente no meu time, mas tudo tem dado muito certo. Graças a Deus a gente está prosperando bastante, crescendo bastante.
Juliano Godoy – Que bom, cara. Que bom. E, assim, você se preparou… Teve essa transição, não é? Então, teve um momento que você resolveu virar a chave, de trabalhar para um… Ser executivo de uma empresa para virar um empresário, primeiro virar até um autônomo, é um self employed, para depois virar um empresário. Tem gente trabalhando para você, tal. Você se preparou seja financeiramente para: “Cara, se eu precisar ficar um tempo sem renda, como é que vai ser?” Ou foi: “Cara, estou de saco cheio, não aguento mais esse trabalho, não aguento mais viajar, etc. Estou indo embora amanhã”. Como é que foi esse processo? Conta aí?
Fabio Brancati – Com 3 filhos e esposa grávida eu tive que me planejar porque o problema não é nem… Assim, eu sou… Como eu disse, meu pai era pedreiro, então basicamente… Não cresci pobre de morrer de fome, mas a gente cresceu com pouco recurso. Então, você fica meio acostumado com aquela vida. Mas eu tinha ali, acho que uns seis meses, sete… Oito meses de salário mais ou menos quando eu saí. Eu lembro quando eu peguei a minha licença na mão, eu virei para a minha esposa e falei assim: “Olha, o dinheiro vai acabar dia 15 de abril”.
Juliano Godoy – Isso era quando?
Fabio Brancati – Dezembro de 2014. Então, eu falei: “O dinheiro acaba em 15 de abril” e o que eu sabia do ramo imobiliário é que demora três ou quatro meses para você fechar uma casa. Aí eu falei: “Bom”… Aí o meu amigo falou: “Não, vai fazer open house, vai encontrar pessoas, vai fazer isso”. E aí, meu amigo, era sábado e domingo open house, open house, trabalhando sem ganhar nada. Aí eu arrumei um cliente lá para janeiro e tal e a vida andando. Demorou de dezembro… Dia primeiro de abril, o meu primeiro fechamento, a primeira casa que eu vendi, que o meu cliente comprou a casa foi 620 mil dólares. Aí já deu aquela: “Ufa“. Já deu aquela respirada. Aí a segunda casa fechou dia 3 de abril, foi 675 mil dólares. Aí a outra fechou mais ou menos par ao dia 14, foi 480 mil dólares e aí a coisa foi andando, eu falei: “Agora sim”.
Juliano Godoy – Aí engrenou?
Fabio Brancati – E aí eu sempre ia falando para a minha esposa: “Bom, agora o dinheiro via acabar em agosto. O dinheiro vai acabar em dezembro”. Até que um dia ela virou para mim e falou assim: “Olha, não fica pensando como dinheiro… Quando o dinheiro vai acabar porque senão você… Seu trabalho está focado em: O meu dinheiro vai acabar”. Para de pensar no dinheiro vai acabar e começa a pensar: Não esquenta mais a cabeça porque já dá para ver que a gente consegue sobreviver com isso” e aí eu mudei o foco, parei de pensar nisso, mas, assim, foi apertado. Eu tentava não me preocupar muito com isso porque a pessoa se planeja, mas, assim, você está à mercê do que vai acontecer. Eu não tenho controle de quem vai comprar e quem vai vender.
Juliano Godoy – Como diria Mike Tyson: “Todo mundo tem um plano até que leva um soco na cara”, não é?
Fabio Brancati – Exatamente. E essa era a parte que eu estava meio, assim… O que me agrada hoje no trabalho que eu tenho não é só a flexibilidade de fazer… De ter o tempo livre para poder fazer o que eu quiser, mas ao mesmo tempo ter a responsabilidade de saber que eu tenho compromisso com cada cliente que eu tenho. Então, eles são meus chefes apesar de eu não ter que bater cartão às 8h e às 17. Desde que eu saí da faculdade eu nunca me dei bem com o sistema de cartão para dizer bem a verdade para você. Eu acho que eu era meio… Eu não posso dizer “rebelde”, mas eu não gostava… Eu não me sentia bem a empresa falar: “Olha, você tem que estar aqui às 8h e às 17 você ter que sair”. Só que o que acontece se eu terminei todo o meu trabalho, as minhas tarefas naquele dia? Preciso ficar sentado até as 17h só para bater o cartão? Então, eu fiz isso uma vez só numa empresa farmacêutica e ali foi a gota d’água. Foi por isso que eu escolhi virar consultor. Porque a vida de consultoria você não tem hora para entrar, só que também você não tem hora para sair. Então, eu saía de lá 11h30, meia noite, uma da manhã, tinha dia que a gente saía duas da tarde, mas você tem tarefas para serem feitas, então você não precisa ficar se preocupando. Então, eu acho que esse espírito empreendedor que as pessoas têm é esse incômodo de estar engessado num certo período, entendeu? Eu sei que isso não é para todo mundo porque tem aquela coisa que a pessoa tem que ver que você tem todas as maravilhas de ser uma pessoa que trabalha para você mesmo, por outro lado você é responsável financeiramente e também toda a parte de cuidados de saúde da sua família. Se acontece alguma coisa com você, você tem que ter seguro, você tem que ter seguro de saúde, você tem que ter todas essas proteções aí atrás de você. E isso custa cara.
Juliano Godoy – É o trade off, não é? Assim, por um lado, como você funcionário você sabe que todo dia, sei lá, dia 15 ou dia 30, dia 1 e dia 15 está na conta, você tem aquela segurança de, enfim, plano de saúde e etc. Por outro lado, tem a questão de flexibilidade. O que mais que você vê assim acho que de trade off entre o mundo que você estava antes com esse mundo que agora, não é? Porque você falou um ponto importante. Assim, acho que essa questão de segurança é um ponto importante. Você não tem para onde correr, não é? Você tem que se virar e ser responsável por fazer acontecer.
Fabio Brancati – Por exemplo, quando começou… Não para tocar aí no assunto do Covid, mas quando começou o Lockdown que todo mundo tinha que ficar em casa, se você é um assalariado, você está na sua casa, seu salário vai vir de qualquer forma, então você está tranquilo. Eu fiquei pensando assim… Eu comecei a analisar o que eu ia fazer. Eu falei: “Bom, se eu saio, eu vou correr risco e vai que eu morro e minha família fica sem dinheiro. Mas se eu ficar em casa também eu vou ficar sem dinheiro”. Então, eu fiquei em casa duas semanas, mas depois eu falei: “Quer saber? Eles”… O governo aqui foi muito proativo na minha área porque eles colocaram aqueles trabalhos essenciais. Então, você tinha policial, bombeiro, o povo que trabalhava em hospital e os corretores. Aí tinha o pessoal… Os caminhoneiros, tinha toda aquela coisa para a logística do país não parar, para a gasolina chegar no posto, o povo tinha que comprar casa, os advogados que trabalhavam no ramo imobiliário tinham que trabalhar, as companhias de título, que são os cartórios daqui, para fazer os fechamentos tinham que trabalhar. A hora que eles colocaram isso na lista eu falei: “Bom, agora eu vou sair para trabalhar e seja o que Deus quiser”. Naquele ano, a maioria das pessoas saíram do ramo imobiliário onde eu estava. Trinta por cento dos corretores deixaram de ser corretores, mas o trade off que eu vejo é o seguinte. Eu acho que tem mais prós do que contra. Por exemplo, eu, graças a Deus, consegui ver todos os meus filhos crescerem. Quando eu… Eu consigo levar eles na escola, quando eles vão sair da escola eu estou lá esperando eles, então eles estão acostumados a ver o pai sempre na volta deles, entendeu? E eu sempre tento fazer. Eu acho que isso não tem valor porque agora que eu vejo que a minha mais nova, contando toda essa história, já está aí quase com 14 anos e da minha altura você vê que o tempo passa muito rápido. O americano tem aquela… Ele fala para você: “Os dias são… Os dias são longos, mas os anos são muito rápidos”, então você vê isso acontecendo e, assim, não me arrependo não.
Juliano Godoy – É verdade. Legal, cara. E vamos explorar esse negócio de Covid um pouquinho mais. Eu sei que está todo mundo já de saco cheio de falar de Covid e tal. Mas eu queria entender um pouco mais como é que isso impactou o seu negócio, não é? Porque um dia seu negócio era… Faz open house, vai lá com o cliente, mostra a casa, um monte de gente vendo a casa. Talvez é só bom você explicar o que é open house. Eu não sei como é que é no Brasil também ou não, mas, enfim. E aí no outro dia, cara, Lockdown, não pode sair de casa, ou seja, o modelo de negócio que você conhecia teve que mudar. Então, como é que foi essa… Como é que você se adaptou para esse cenário de Covid?
Fabio Brancati – Para o nosso público brasileiro, assim, o ramo imobiliário aqui é muito diferente do Brasil. É muito mais organizado. Burocracia quase zero. Aqui todo mundo vende casa exclusivamente. Você assina com um corretor e ele é responsável de fazer a venda da sua casa, o marketing e tudo mais. Além disso, essas casas são conectadas num sistema central e isso espalha para o país inteiro. Então, todo mundo vê tudo. Não é igual no Brasil que você quer morar no bairro A, você vai ter que ir lá no bairro ver qual a imobiliária da região e procurar sua casa. Ah não gostei do bairro A, vou para o bairro B. então, tem outra imobiliária… Aqui não funciona assim. Aqui todo mundo vê tudo. Quando você tem uma casa para vender, open house é: O dono da casa sai, a casa está pronta para ser mostrada e você abre a casa para as pessoas que ainda ou ela não está 100% comprometida na compra ou ela só quer ver e talvez ela vai mudar de ideia e comprar. Então, a gente abre a casa para o público. Normalmente, acontece de sábado ou domingo. São duas ou três horas e as pessoas vêm conhecer a casa. Isso acabou no Covid. Na Covid não podia fazer mais nada. Mas quando eu… Eu sempre observo muito o que está acontecendo ao redor. Se você lembrar, o Covid começou na China em 2019 até que foi se espalhando pelo mundo e eu tenho um cliente que na época ele era… Ele é da Inglaterra. Ele estava vendendo a casa dele e fui encontrar com ele lá para dezembro, mais ou menos, de 2019 e eu cheguei, a hora que ele abriu a garagem eu vi caixas e caixas de clorox, desinfetante, de tudo que você imagina, de máscara, de luva e olhei para ele e falei assim: “Meu amigo, o que está acontecendo que eu não estou sabendo?” Ele falou: “Olha, isso vai acabar. Se você não comprar agora, vai acabar no mundo inteiro. A Europa já está caindo, papel higiênico está faltando”. Aí eu cheguei em casa e falei assim: “Caraca, se eu fizer uma ordem dessa na Amazon e chegar em casa, a minha esposa vai arrancar a minha cabeça. Aí eu comprei do mesmo jeito. Cheguei na hora falando com ele, fiz a minha ordem lá. Setecentos dólares de produtos de limpeza, de clorox, de luva, de tudo que você imaginar e chegaram 11 caixas aqui em casa. A minha esposa olhou para mim e falou: “O que é isso? Você está ficando louco?” Eu falei assim: “olha, a gente não… Não tem”… Assim, você tem que lembrar que até esse momento, os Estados Unidos estava trabalhando normal. Não tinha Covid, o Covid estava só na China, tinha atacado a Itália, mas a gente estava business usual, funcionando normal. Falei: “Olha, está tudo isso acontecendo lá, o meu amigo da Inglaterra me falou isso, então se… Pior dos casos, se não tiver nada aqui, eu devolvo” porque aqui a gente tem essa facilidade de: Não usou, devolve. Aí deu Lockdown, meu amigo, eu olhei para aquelas caixas lá, eu montei um kit para as pessoas que estavam vendo casa. Era uma caixa de luva, é um vidrinho de Clorox, uma garrafinha de [iningeligível] (00:27:46) para limpar a mão, álcool gel, tudo mais e falei para eles: “Olha, cada casa que a gente entrar, você vai fazer isso, joga sua máscara fora” porque a gente não sabia. Vai que eu pego Covid, eu vou virar zumbi? Então, muita gente precisou de casa. Então, ao invés de o meu negócio ir para baixo, ele, na verdade, subiu. Durante o Covid a gente cresceu 35% comparado a 2019.
Juliano Godoy – Ou seja, aquilo que… Você vê uma oportunidade num negócio que todo mundo estava vendo só o downside, não é? E aí acho que você usou bem essa oportunidade adicionando valor para o seu cliente. Ou seja, prestando um serviço melhor, trazendo mais coisa para ele, não é?
Fabio Brancati – Como brasileiro, eu acho que a gente tem uma coisa dentro da gente que é o seguinte. Eu não… Por exemplo, eu não tenho medo do que eu não sei. E eu lembro que eu liguei para a minha mãe, ela falou assim: “Fábio, a hora que Deus puxa seu tíquete lá em cima, meu amigo, não tem quem segure. Você pode esconder debaixo da cama… Vai trabalhar, meu filho”. A minha mãe sempre foi assim muito corajosa com as coisas dela, entendeu? Aí ela falou: “Vai trabalhar”. Minha mãe tem uma frase que ela fala: “Mete as cara. Mete as cara”. Quando eu ia para a escola, ela falava: “Mãe, estou indo para a faculdade sozinho lá em Campinas”. Mete as cara. Vai embora. Então, eu falei assim: “Bom”… Estava todo mundo fazendo aquele drama e recuando e parando de trabalhar e não fazendo nada. Eu falei: “Se nada acontecer, quando tudo isso se acalmar, as pessoas que estão na frente”… Por exemplo, eu falava para a minha secretária… Ela me ligou um dia perguntando que droga que eu estava usando porque ao invés de o trabalho cair, ele começou a subir porque eu não queria deixar ela desempregada. Estava todo mundo mandando o povo embora, a gente não vai ter nada, o Covid vai fechar tudo e ela estava trabalhando o dobro. A gente contratou outra pessoa para ajudar ela na época do Covid porque o trabalho estava crescendo e eu falava: “Olha, confia em mim, vai dar tudo certo e a hora que essa poeira de Covid baixar e a gente olhar para trás e ver que só a gente está ali, está todo mundo com medo lá atrás, com medo de trabalhar, com medo de sair de casa, a gente precisa fazer essas pessoas que estão vendendo”… Porque o plano das pessoas não para. A pessoa que quer vender a casa para mudar de trabalho vai vender. E a pessoa que quer comprar uma casa porque está mudando para cá vai ter que comprar. Então, eu falei: “Alguém precisa fazer o serviço para prestar serviço para essas pessoas”. Então, quando terminou, que a gente descobriu que… Quando a gente começou a entender mais o Covid, a maioria das pessoas já tinha deixado o negócio e os que estavam na liderança continuaram, entendeu? E até hoje tem sido assim. Faz já dois anos mais ou menos, onde todo mundo deixou a cidade aqui onde a gente mora, que é a cidade mais próxima de Chicago. As pessoas começaram a deixar o ambiente de viver de apartamento para ter uma liberdade de morar numa casa, então o subúrbio longe dessa cidade grande cresceu demais e tem sido assim até hoje.
Juliano Godoy – É isso que eu ia te perguntar. Teve uma retração logo no início do Covid, obviamente. Todo mundo naquela incerteza sem saber o que ia acontecer, se ia ter emprego, enfim, se o mundo ia acabar ou não ia, tal, mas acho que logo depois quando as pessoas tiveram um pouco mais de… Quando as pessoas entenderam um pouco mais como ia ser a vida durante o Covid que agora vou ficar em casa, a casa passou a ser um lugar para as pessoas, enfim, trabalharem, se reunirem, etc. o mercado explodiu, bombou e aí você estava preparado para surfar essa onda de subida, não é?
Fabio Brancati – Sim e aqui as pessoas, talvez no Brasil é um pouco difícil de entender, aqui a maioria dos prédios ficam nas cidades grandes, concentradas pelo zoneamento. Chicago, os prédios maiores estão em Chicago. Então, no subúrbio a gente não tem edifício maior do que seis andares, mas se você mora numa casa, você tem a liberdade de abrir a porta da sua casa e sair para caminhar, onde em Chicago você tinha várias restrições de limite de pessoas no elevador. Você tinha limite de quantas pessoas você podia receber na sua casa. Você tem limite de hora para chegar e hora para sair. Então, o ser humano começa a sentir fechado, ele fala: “Não, não quero mais ficar aqui” e o estilo de vida de Chicago é outro. As pessoas em Chicago moram em apartamentos não tão grandes, mas ele tem um andar só do club house, ele tem um andar da piscina e da academia, ele tem o andar do escritório que ele pode trabalhar de lá se ele quiser, tem o edifício… A área de recreação, ele tem todas essas facilidades que foram fechadas. Então, ele está pagando o aluguel ou pagando a manutenção de uma coisa que ele não usa. Então, a necessidade de casa para o americano mudou. Agora, o americano fala: “Vou sair de um aluguel de, sei lá, 4 mil, 7 mil dólares e vou mudar para o subúrbio onde eu compro uma casa e pago uma hipoteca menor do que isso e eu monto a minha própria academia, vou montar dois escritórios, um para mim e um para a minha esposa, meus filhos têm o porão, o [iningeligível] (00:32:46) para poder brincar e se eu quiser dar uma caminhada, eu vou abrir a porta da minha casa, eu estou na rua, eu caminho no quarteirão e eu volto para a minha casa. Não tem ninguém falando para mim não”. Então, ainda está acontecendo. Dois anos depois, ainda as cidades grandes ainda estão perdendo bastante gente mudando para o subúrbio…
Juliano Godoy – Você acha que essa é uma tendência, então, que vai se manter pelo menos aí no curto prazo de uma migração de grandes cidades para o subúrbio?
Fabio Brancati – Sim, a gente está… A gente fez uma reunião semana passada porque a At Properties é a número um aqui na região do Middle West, aí se pegar um relatório das construtoras, o relatório do desenvolvimento demográfico e parece que essa imigração… A gente chama de Influx, que Chicago, saindo para os subúrbios ou as grandes cidades ainda vai durar até 2024. Então, tudo isso que está acontecendo, eu não sei como é que está no Brasil, mas pelo menos aqui nos Estados Unidos todo esse pessoal mudando das grandes cidades para a região mais suburbana ainda vai continuar até 2024.
Juliano Godoy – Cara, eu queria voltar um pouquinho na sua história de… Você estava contando de drone, etc. porque eu queria explorar um pouco o uso da tecnologia no seu ramo porque acho que muita gente, talvez, olha de fora e pense que esse é um mercado que não usa muito tecnologia, não é? Mas você acho que provou que não, que com o uso da tecnologia você pode adicionar mais valor ao seu cliente e tal. E também acho que isso… De novo, o Covid acelerou com… Agora tem muita visita virtual, etc. Muita gente comprando casa sem visitar fisicamente, tal. Eu queria que você falasse um pouquinho para a gente que tipo de tecnologia que você usa no seu trabalho e se você acha que no futuro o que mais pode mudar. Você vê, algum dia, talvez fazendo open house com virtual reality? Então, ao invés de visitar a casa, eu só ponho o óculos e vejo a casa. Como é que vocês estão vendo isso?
Fabio Brancati – Quando eu me formei na PUC, eu me formei em análise de sistemas. Então, era toda a parte de tecnologia. Quando eu mudei para o ramo imobiliário trabalhando em uma empresa de tecnologia, eu falei: “Bom, eu vou… A primeira coisa que eu vou colocar é… Eu vou começar do zero. Então, vou já começar bem que é a parte de gerenciar os clientes que estão chegando”. Então, comprei um CRM na época, que é o customer relationship management, um software. Aí ali você tem tudo. Você tem o nome da pessoa, onde ela mora, o que ela fez, aniversário dela, datas especiais de celebração, aniversário dos filhos, aniversário do cachorro, do gato, tudo. E aí um a um eu fui adicionando aí. Eu até hoje tento me… Eu tenho pelo menos me contatar com essas pessoas duas vezes ao mês através de carta, de e-mail, eu mando gift card de aniversário. Assim, você sempre está ali constantemente falando com eles. Eu comprei uma outra empresa, o serviço de uma outra empresa que eles criam conteúdo imobiliário. Ou seja, o que o Juliano quer saber? Porque, às vezes, se o Juliano comprou casa, acabou. Já está estabilizado. Mas, assim, é uma empresa que ela sempre manda uma vez por mês informação útil para você. Quais são os cuidados que você tem que ter com a sua casa? Qual é a manutenção que você tem que olhar, a manutenção preventiva, a outra manutenção de correção. Essa foi uma parte, que era não perder contato com os meus clientes. A outra foi que eu já tinha aplicado… O ramo de foto aérea só foi melhorando. Então, a gente usava Go Pro num drone chinês na época e as coisas foram melhorando, melhorando e eu sempre ia. Vendia o antigo e comprava o mais avançado. Vendia o antigo e comprava o mais avançado. Coisa que corretor normalmente não gosta de fazer porque naquela época, um drone custava 5 mil ou 6 mil dólares. Então, vendia o outro usado por 4 mil dólares, comprava um de 6 mil dólares e ia fazendo isso.
Juliano Godoy – Dependendo é a comissão que leva em uma casa, não é?
Fabio Brancati – Isso. Aqui a gente ganha 2,5% do valor da casa. Então, é menos que o Brasil, eu acho, mas é o que eu falo para os corretores hoje. Eu falo: “Olha, se você não investe no seu negócio você vai… É a bola de neve da pobreza. Você não gasta dinheiro com seu negócio, você não vai ganhar dinheiro com seu negócio e aí você começa a caminhar para trás”. No meu caso não, eu falava: “Eu invisto mais dinheiro no meu negócio para atrair mais negócio”. Em 2016, saiu uma empresa nova… Aqui a gente tem aquele festival de tecnologia na Califórnia. Eu vi essa empresa lá, ela chama [iningeligível] (00:37:27). Ela começou a mapear casas em 3D. Eu falei: “Isso aí é uma ideia boa”, só que ela só vendia para construtora. Construtora cria um projeto assim. Você tem a parede, que vai ficar dentro dessas paredes, eles mapeavam a parede e aí você colocava móveis, gabinete, piso, banheiro, você fazia tudo que você queria e eu comprei… A câmera na época era 6 mil e tantos dólares a câmera e eu comecei a usar para só mapear casa. Eu falei: “Se ela mapeia parede, ela mapeia casa. Então, dá para usar”. E aí foi onde a gente começou com essa história de realidade virtual em 2016. Eu fui o primeiro aqui do Estado a fazer isso. Aí eu lembro que eu vou na… A gente frequenta uma igreja aqui numa cidade próxima e, às vezes, as pessoas… Por exemplo, elas não têm… Elas têm receio de ir para a igreja a primeira vez. Aí conversei com o pessoal da igreja e falei: “Vamos mapear a igreja inteira, tudo, o prédio inteiro. A gente mapeia ali onde as pessoas estacionam, onde elas chegam”. Tirei foto aérea e tudo e, na verdade, o número de visitantes da igreja subiu. Eu lembro que em 2016 eu era o maior modelo 3D dessa empresa. Aí depois o Hilton em Las Vegas mapeou o hotel inteiro. Aí eles viraram o modelo mais grande. Hoje eu acho que sou três mil e alguma coisa lá porque tem tanta gente mapeando isso e naquela época eu consegui… Foi a primeira vez que eu consegui trabalhar com construtor. Eu cheguei para essa empresa, eles estavam construindo 14 casas aqui perto de mim, eu falei para ele: “Olha, você tem inventário?” Ele falou: “Não, não tenho inventário. Construí e acabou”. Eu falei: “Como é que você vai fazer para mostrar… Como é que você faz para uma pessoa que vem aqui comprar uma casa sua se ela não consegue ver o produto?” Ele falou: “Eu mostro foto”. Falei: “Tá e se você não tem foto?” Aí ele falou: “Aí eu tenho que incomodar o Juliano, que comprou casa de mim, para perguntar se ele abre a casa dele para a pessoa ver”. Mas eu falei: “Você não acha que isso incomoda o cliente?” Ele falou: “Sim, sim”. Aí eu mostrei a ideia maluca que eu tive. Eu falei: “Vamos fazer assim. Você vai ligar para todos os seus clientes que você vendeu caso nos últimos dois anos e vai deixar eu mapear todas as casas e aí a gente vai ter um portfólio de casas em 3D. Aí a gente vai comprar uma televisão e um óculos daqueles de realidade virtual e a gente vai mostrar a casa virtualmente para as pessoas”. A gente tinha uma casa modelo, 14 lotes para serem construídos e 36 casas virtuais e, normalmente, para fazer esse processo de construção, do momento que o Juliano entra pela porta até o momento que ele decide: “Vou construir a minha casa” demora 4 meses para você tomar a decisão e ver tudo mais. A gente cortou isso para 30 dias. Então, a gente sentava lá e falava: “Juliano, essas são as casas”. Aí você falava: “Eu gostei dessa cozinha aqui, eu gostei daquele banheiro ali” e a gente tinha o número das casas. Então, o arquiteto ficava do lado e ele ia mapeando e falando: “Olha, então tá. A casa A é a cozinha, tal, tal, tal”. Aí ele pegava esse modelo 3 D, convertia em uma casa virtual e o tempo de tomar a decisão era reduzido. Até para escolher que piso você quer, que cor você quer. Foi isso aí que a gente usou na realidade virtual. O construtor, até o Covid chegar, eu via no olho dele que ele não entendia muito bem o benefício.
Juliano Godoy – Para que serve, não é?
Fabio Brancati – Apesar de ter acelerado as vendas, ele ainda falava: “Eu não entendo muito bem esse negócio de 3D. Eu não vejo a necessidade”. Quando veio o Covid, meu amigo, que estava tudo fechado, ele me ligou. Ele falou: “Muito obrigado porque nos últimos 3 ou 4 anos eu não acreditei nisso e hoje eu só consigo vender casas porque a gente tem… A gente já tem 60 e tantas casas mapeadas já. A gente tem todas essas casas mapeadas e eu faço zoom com a pessoa, eu mando o link para ela, ela decide e ela faz o processo de compra. A gente conseguiu”… Assim, uma coisa que a gente implementou lá atrás, a gente não… Ele não entendia o benefício, era mais para facilitar a pessoa visualizar uma casa, hoje ajudou ele a sobreviver os dois anos aí de Covid que a gente está.
Juliano Godoy – É. Dá para imaginar, cara. Porque, assim, isso também acho que é uma experiência. Construir uma casa aqui nos Estados Unidos acho que é uma experiência bem diferente do Brasil, não é? Então, eu construí duas vezes aqui e consigo ver bem o que você está falando porque, assim, quando você compra a casa, você compra o terreno, aí você escolhe a planta e depois você tem que escolher tudo na mesma hora. Então, assim, você está fechando seu contrato, ali você já escolhe a cor da parede, que tipo de piso, que tipo de azulejo, que tipo de louça você vai usar, etc. Assinou o contrato, não muda nada. Então, assim, depois você vai falar assim: “Olha, eu não gostei desse azulejo. Queria trocar”. Já era, meu amigo porque, assim, eles compram aquilo lá 4 meses antes, 6 meses antes, entendeu? Então, se você puder usar a tecnologia, puder ver isso numa realidade virtual, você andando e vendo sua casa ali como vai ficar a cor, se vai combinar aquele quarto que você fez extra, se ele vai ficar bom, etc, cara, acho que é um negócio que tem chance de agregar bastante e mudar essa indústria.
Fabio Brancati – É. E eu falo assim para todo mundo que eu conheço e eu converso, até meus filhos, eu falo assim: “Todo lugar que você trabalha como funcionário, imagina se você fosse dono” porque se você é dono daquele lugar, você trata o jeito que você faz o seu trabalho de uma forma diferente.
Juliano Godoy – Isso aí.
Fabio Brancati – E eu falo: “Se você fosse… Trabalha como dono”. Eu tinha um chefe lá no Brasil, ele falava sempre para mim assim: “Fábio, a posição que você está, você tem que passar tudo que você sabe para pelo menos duas pessoas para baixo de você. Você tem que ser substituível”. Num ramo competidor como a gente está, às vezes, você fala assim: “Para que eu vou ensinar alguém a fazer o que eu faço porque ele vai tomar o meu lugar?” Só que ele falava isso assim: “Se a oportunidade… Quando a oportunidade aparece para você, não dá tempo de fazer knowledge transfer. Você não vai fazer transferência de conhecimento porque não dá tempo”. Mas se a oportunidade bater na sua porta e você falar assim: “Eu pensei como dono, hoje eu trabalho para mim pensando como dono dessa empresa e eu já tenho duas pessoas que sabem fazer o que eu sei”, a oportunidade bate na sua porta e fala: “Você vai mudar para o México amanhã”, você fala: “Está tudo certo. Tem dois carinhas aqui que sabem fazer o que eu sei fazer”. Você vai e as pessoas ficam e assim você vai subindo a sua carreira. Hoje, apesar de ser self employed ou PJ aqui nos Estados Unidos, eu sempre fico pensando lá na frente o que eu posso fazer para facilitar as pessoas que estão comprando, vendendo ou alugando. Tem gente que chega do Brasil aqui nova, tem os americanos que já estão acostumados com o sistema, mas cada ser humano é diferente. Por exemplo, no seu caso que construiu duas casas. Tem gente que tem facilidade de olhar uma planta e saber que é uma casa… O tamanho da casa. Tem gente que olha uma planta e não tem noção nenhuma daquilo. Então, o que eu posso fazer para ajudar essa pessoa a não ter tanta dificuldade? Porque a gente tem que lembrar o seguinte. Casa aqui ou em qualquer lugar do mundo é normalmente um dos maiores investimentos que aquela pessoa vai fazer na vida dela. Então, eu não posso trabalhar para danificar essa experiência, também prejudicar o investimento dessa pessoa. Eu sempre… Eu tenho a filosofia de que eu não trabalho pensando no dinheiro. Pode ser uma pessoa de quatro milhões, pode ser uma pessoa de setenta mil, é um ramo de serviço, eu estou para servir as pessoas e se eu ficar pensando no dinheiro toda hora eu… Isso atrapalha do meu poder de ajudar a pessoa e atrapalha a pessoa a decidir o que ela quer fazer. Às vezes, você vê… No Brasil eu não sei, mas aqui, às vezes, tem casa mofada, tem casa que a fundação é rachada. Se você está pensando no dinheiro, você vai forçar aquela pessoa a entrar em um problema que ela não deveria entrar só porque você pensa na comissão no final do fechamento.
Juliano Godoy – Você já recusou casa, não? Você já falou assim: “Essa casa eu não vendo”?
Fabio Brancati – Já. Já. Várias vezes. Às vezes, você olha para o vendedor, você vê que ele está tentando esconder problema. Aqui tem… Assim, às vezes, as pessoas podem pensar no Brasil. Ah, no Brasil todo mundo esconde tudo. Aqui tem a lei que diz que a pessoa que está vendendo é obrigada a informar ao comprador dos problemas da casa. E já teve casos que eu vi… Assim, claro, você vê mofo, você vê rachadura e a pessoa fica escondendo, escondendo, eu falo: “Me perdoa, mas eu não sou o corretor ideal para a sua casa”. Isso aí já aconteceu várias vezes. Porque eu não quero também depois… É o meu nome que está atrelado àquela casa.
Juliano Godoy – Isso é reputação, não é?
Fabio Brancati – É. A minha recuperação falar: “Olha, o Fábio, as casas que o Fábio vende são casas onde os donos escondem os problemas”. Isso aí eu já fiz várias vezes. Não foi só uma não. Já recusei trabalhar com comprador também. Às vezes, você vê que a atitude da pessoa não é uma atitude transparente e é difícil você tentar ajudar uma pessoa que não quer ser ajudada. Então, você pode recusar. Aqui não é discriminação você recusar trabalhar com alguém.
Juliano Godoy – Cara, queria voltar. Você tocou num ponto que, para mim, e muito importante. E eu consigo me relacionar bem que é o negócio de espírito de dono. Acho que espírito de dono ajuda na sua vida, seja pessoal, seja da empresa, seja seu próprio negócio e tal, mas para mim ele está muito ligado com o risco. Acho que dono, acho que ele toma mais risco do que uma pessoa que não se sente dona. E você contou aqui vários riscos que você tomou. Seja sua ida para o México, depois sua saída do México para os Estados Unidos, seja de largar um emprego estável para começar o próprio negócio. Qual você acha que foi o maior risco que você já tomou na sua vida?
Fabio Brancati – Eu acho que foi… Ainda eu acho que foi sair do Brasil para o México porque…
Juliano Godoy – A primeira saída.
Fabio Brancati – É porque eu ficava pensando assim… Eu falei: “Caraca, eu estou”… Eu saí de lá eu tinha vinte e sete anos. A minha esposa estava grávida, ela tinha vinte e quatro. Falei: “Aí vem a primeira”… Assim, você é casado de novo, você é novo casal. Aí agora vem a primeira filha, você está naquela fase assim: “Agora, eu estou… Sou pai de família, responsável”. Aí vem essa notícia e uma oportunidade muito grande de mudar de país e, rapaz, eu pensei… E o pior é o seguinte. Quando… Eu não tinha um empreendedor para procurar e pedir conselho. Eu tinha meu pai e minha mãe, meu sogro e minha sogra, meu cunhado, meu irmão, o pessoal que trabalha comigo e todo mundo ficava pensando assim… E você só conhece aquele país com o que você escuta. Porque no Brasil, eu falo para as pessoas: “Quando eu morava no Brasil parece que eu morava num lugar onde tinha um muro muito alto e eu não conseguia ver o que estava lá fora. Eu só conseguia ver aquilo que eu via”. Você vê na notícia, você vê na televisão, você vê num filme. Não dá para você saber. E do México, não se fala muita coisa do México no Brasil. Então, eu fui… A primeira cidade que eu fui…
Juliano Godoy – Não tinha lançado Narcos ainda, não é?
Fabio Brancati – Não. Não tinha… É, se tivesse acho que ia ser até pior. Tem essa fama que o México tem, mas assim, a gente ia para Guadalajara, eu falei: “Caraca, o que tem lá?” E o engraçado é que na empresa que eu estava, o CEO do Brasil é mexicano e o CEO do México é brasileiro. E aqui nos Estados Unidos até hoje o presidente da empresa é mexicano e o vice-presidente é brasileiro. Dessa filial aí da SAP. E ele falou assim para mim um dia, eu nunca vou esquecer. Ele fez uma reunião e convidou 16 pessoas para se mudar para o México. E ele falou assim: “Hoje, eu vou fazer uma posposta final para vocês. Eu quero que vocês pensem na proposta que a gente fez, mas eu vou dizer o seguinte. Os que estão indo, eu vou deixar a porta aberta para eles. E os que não foram, não vão, eu vou fechar todas as portas. Eles não vão sair mais”.
Juliano Godoy – Caramba, gente boa hein?
Fabio Brancati – Aí eu fiquei pensando assim: “Bom, então aí já diminui um pouco o risco”, mas ele falou: “Eu vim para o Brasil abrir essa empresa, eu vim para o Brasil e eu parei num orelhão e ali eu comecei a desenvolver minha carteira de clientes. E aí eu consegui dinheiro suficiente, aluguei”… Tipo espírito empreendedor ao quadrado. Mas para mim ainda eu falava: “Caraca, eu vou tirar minha esposa com filho novo, assim, recém-nascido dos braços dos avós e aquela pressão tremenda familiar”… Só que ao mesmo tempo eu tinha uma voz dentro de mim que falava assim: “Ou você vai Fábio ou acabou” porque eu já tinha aquele… Eu queria ir para a Austrália, para você ter uma ideia. Eu sempre falava: “Ah, quando eu me formar, eu vou para a Austrália. Vou para a Austrália”.
Juliano Godoy – Sempre teve um desejo, então, de sair do Brasil, de morar fora?
Fabio Brancati – É. Eu não sabia… Não sabia como ou quando, mas eu queria ir para a Austrália. Aprendi inglês para ir para a Austrália, tudo para a Austrália. Só que aí surgiu a oportunidade quando… Eu acho que depois que… Assim, eu pensava muito e a minha esposa também era: “O que a gente vai fazer lá? A gente não sabe espanhol, não sabe nada”. A Laura, por exemplo, nasceu… Ela nasceu dia dois de junho, dia oito a gente tirou a foto dela para passaporte, dia 16 ela tinha passaporte, dia 24 a gente embarcou, dia 25 a gente chegou na Cidade do México e depois em Guadalajara. Hoje, eu falo para as pessoas do Brasil: “Quer sair do Brasil para morar nos Estados Unidos?” Porque todo mundo tem o sonho americano. Saia do Brasil e vá para qualquer lugar fora do Brasil. Você vai aprender uma cultura diferente, você vai aprender a lidar com a saudade da sua casa. Porque o meu chefe dizia: “O principal motivo que as pessoas falham fora do Brasil, eles chamam de home sic”. Você fica com aquela febre de voltar para a sua casa.
Juliano Godoy – Uhum.
Fabio Brancati – Se você não se adapta em nenhum país fora do seu, você não vai adaptar nos Estados Unidos. Então, você tem que… Ele falou: “É um teste que você faz para você mesmo. Se você é abençoado de vir para os Estados Unidos logo de cara, sem problema. Você vai se dar muito bem”. Só que ainda assim, à medida que você vai se acostumando com o estilo de vida aqui, você fala: “Ai, o Brasil. Ah, o Brasil”. Por exemplo, eu não tenho… Hoje, graças a Deus, assim, eu não… Tem aquela troca do Brasil… Hoje eu falo para as pessoas. Eu trocaria minha casa, meu carro, tecnologia, telefone, tudo que eu tenho, contanto que a segurança que eu ainda tenho hoje seja mantida porque o fato de você não ter esse risco de que: “Ah, vou sair, que vão me sequestrar ou vão colocar uma arma na minha cabeça”. Essa troca é muito boa para quem mora aqui, mas o México, por exemplo, a segurança é igual. Mas o México abriu muito os meus olhos para: “Ah, tem coisa boa que o México faz e o Brasil não faz”. Tem muita coisa boa que o Brasil faz e o México não faz, mas você só vê isso quando você está fora, entendeu? Você aprende isso.
Juliano Godoy – É. De dar uma outra perspectiva, não é? Te ajuda a ver as coisas de outra forma. De outra maneira.
Fabio Brancati – Depois de seis meses no México, eu falei: “Bom, agora a gente já pode viver em qualquer lugar”. Eu tenho um amigo que foi para a China, foi para Índia e eles falam a mesma coisa. Falam: “Fábio, o prazo que eu fiquei fora do Brasil antes de eu chegar onde eu estou me ajudou muito a não… A saber administrar essa vontade de querer voltar ou não para o Brasil. Mas eu acho que a maior dificuldade que eu tive foi realmente quando a gente saiu de lá a primeira vez para ir para o México.
Juliano Godoy – E teve algum momento assim na sua trajetória que você pensou em desistir, cara? Você falou assim: “Chega, não aguento mais”. Sei lá, você falou que você deixou o trabalho em dezembro e falou: “Olha, tenho dinheiro até abril” se em algum momento passou pela sua cabeça: “Vou desistir, não dá mais” ou você sempre tinha certeza, teve confiança de que vou conseguir, vai dar certo, vou seguir em frente?
Fabio Brancati – Não. Certeza… Assim, eu tive esse momento de que vou largar mão de tudo e vou embora para o Brasil quando… Na verdade, eu já conhecia esse amigo meu, esse corretor, mas quando eu resolvi, assim, a gota d’água foi a pressão do trabalho corporativo que estava tão alta, que eu lembro que eu estava numa conferência com… Era a gente, México e Brasil e, assim, estava a pressão muito grande para vender e não sei o quê e pressão para todo lado. E eu não sei o que aconteceu, eu estava subindo a escada com o telefone assim e ansiedade… Eu parei no meio da escada com falta de ar, eu achei que ia morrer, ter um ataque do coração ali na escada. Aquele dia lá eu sentei e falei: “Não, isso aqui acabou” porque eu não vou morrer por causa do trabalho e deixar esposa e filhos para trás porque não vale a pena. Eu já vi… Eu já vi isso acontecer antes, então ali acho que foi a gota d’água para esse ponto. Mas o plano… Não tinha plano. Como eu falei, eu saí do trabalho, fiquei literalmente desempregado com esposa grávida do quarto filho, esperando o filho nascer para voltar para o Brasil. Esse era o plano. No meio do caminho aconteceu uma história engraçada dessa história de trabalhar temporariamente para o meu amigo, que eu já tinha empresa aberta e tudo mais. O concorrente da minha empresa me chamou para trabalhar para morar no México. Eu falei: “Beleza. Mandei toda a papelada para eles, o salário era excelente”. Só que sabe quando você sente no seu coração, você fala: “Cara, eu estou mandando por mandar, mas não estou afim de ir” e eu falava assim: “Cara, eu preciso de um sinal para saber que esse negócio não vai dar certo”. Só que não tinha nenhum sinal acontecendo. Era só… Estava tudo andando, mandei o diploma para eles, mandei toda a documentação. Aí eles falaram: “Você pode começar em dezembro?” Eu falei: “Não, só posso começar em janeiro, depois que minha filha nascer” e eu colocava assim. Todas essas barreiras. Desse jeito aqui ou não.
Juliano Godoy – Tentando ganhar tempo. Às vezes, aparecia seu sinal.
Fabio Brancati – É. Aí nada. Eles falaram: “Não, tudo bem. Tudo bem. Sua filha nasce e a gente vai pagar realocação para cá, você vai vir”. Quando chegou dezembro mais ou menos… Não, um pouquinho antes de eu tirar minha licença, eu já estava estudando, fazendo meus planos em paralelo, chegou em novembro, Juliano, eles me ligaram e falaram: “Fábio, não tem como você mandar cópia do diploma?” Eu falei: “Meu amigo, eu já mandei a cópia do diploma para vocês”. Ah, então, a gente perdeu seu diploma. Eu falei: “Ah, ok. O que mais você perdeu”. Ele falou: “Que bom que você pergunta. A gente perdeu seu file inteiro. Toda a sua papelada. A gente mudou de escritório e desapareceu. A gente vai precisar fazer tudo de novo”. Eu falei assim para ele: “Vamos fazer o seguinte. Não faça nada não”.
Juliano Godoy – Era o sinal que você estava esperando.
Fabio Brancati – Era o sinal que eu estava esperando. Não faça nada não. Eu agradeço a oportunidade, mas não vai dar certo. Eu vou ficar por aqui mesmo. Muito obrigado. Assim, eu gosto de não deixar as portas fechadas, mas eu falei: “Olha, não vou. Não vou sair daqui. Vou ficar por aqui mesmo” e aí peguei minha licença e tudo começou, mas essa… Esse sinal aí foi uma das… Senão hoje era para estar morando no México de novo trabalhando para a outra empresa e nada disso aqui ia ter acontecido.
Juliano Godoy – Que legal. Cara, hoje a maioria dos seus clientes são brasileiros ou não?
Fabio Brancati – Eu posso dizer que 80% são americanos. Público da América Latina, 20% ou 25% mais ou menos. Naperville está virando uma cidade famosa ao redor dos brasileiros. Quando eu mudei para cá não tinha nada do Brasil. Eu encontrei meu primeiro amigo, ele me escutou falando português no Wal-Mart, a gente se abraçou, naquele frio, você não conhece ninguém, vamos fazer churrasco, tal. Eu sou amigo dele até hoje. O [iningeligível] (00:56:22). Já foi para a Flórida, já voltou, comprou casa comigo aqui, mas hoje tem muita coisa do Brasil aqui. Tem muito brasileiro, mas está subindo, viu, Juliano? Essa clientela brasileira está subindo bastante. Esse ano aqui já… 2022 começou, já tenho seis famílias chegando, sendo realocadas aqui.
Juliano Godoy – Qual que é o maior erro que você acha que o brasileiro faz aqui quando vai procurar… Quando vai procurar um imóvel?
Fabio Brancati – O que eu mais vejo a dificuldade é… Uma é o estilo de decoração que a gente tem no Brasil. O americano gosta de madeira, essas coisas pesadas, madeira de lei e tudo mais. E nada moderno. Tudo muito clássico. O brasileiro gosta de linhas modernas, estilo clássico e tudo mais. A pessoa chega aqui e tenta achar o que ela tem lá aqui. Ela não vai encontrar, principalmente num lugar onde tem neve. Por exemplo, as casas aqui são feitas para o inverno. Elas não são feitas para o verão. Então, toda a estrutura para que a sua casa se mantenha quente. Isso não tem no Brasil. Então, às vezes, a pessoa fala: “Mas eu não gostei do estilo da casa do lado de fora”. Me perdoa, mas você não vai achar aquelas casas quadradas cheias de vidros. Isso não existe aqui porque é uma casa ineficiente. Mas demora um pouco até a pessoa entender, mas… Ela, com o tempo, entende. E, assim, você tem que ter paciência para explicar. Falar: “Olha”… Tem outra coisa também. Eu não posso deixar você cometer um erro porque depois você vai ter amigos brasileiros que moram aqui. Aí o pessoal vai falar assim: “Quem mandou você fazer isso? Quem deixou você comprar isso?” Ah, o meu corretor deixou.
Juliano Godoy – O Fábio que me vendeu.
Fabio Brancati – É. Foi o Fábio que me vendeu. Aí eu começo a me queimar com os seus amigos, entendeu? Então, a adaptação para o estilo de vida americano demora um pouco para a pessoa entender como a dinâmica de uma casa funciona. Uma coisa que eu acho engraçado é o basement. Basement na tradução, no português, é porão. Porão, na mentalidade da pessoa brasileira é um calabouço onde estão as grades da prisão e ali você mantém seus prisioneiros. Não é assim. Basement, meu amigo, é melhor que muita casa no Brasil. Às vezes, você olha tem… O cara tem televisão, sala de cinema. Eu tenho um cliente aqui que ele tem a metade de uma quadra de basquete no basement dele.
Juliano Godoy – Está bem de cliente, hein?
Fabio Brancati – É. Está muito bem. Mas, assim, tem gente que tem… A adega das pessoas… Tem um cara aqui, ele tem três mil e não sei quantas garrafas. É no basement. Aí você tem academia no basement, tem a sala de cinema no basement, tem toda essa parte de jogos, é tudo no basement. Não é o calabouço na cabeça do brasileiro.
Juliano Godoy – E nesse tempo que você está no mercado, cara, teve aí alguma história sua com algum cliente seu, uma história, sei lá, inusitada, engraçada que você falou: “Cara, não acredito que isso aconteceu”?
Fabio Brancati – Assim, histórias engraçadas… Quando você vai mostrar casa… Eu não… Eu não costumava… Quando eu… Eu lembro quando eu ia com outros corretores, eles iam mostrar casas, ele abre a porta, porque aqui a gente tem um cadeado, um Lockbox que ele dá acesso à casa, você pega a chave, abre e entra. Aí a pessoa gritava: “Hello, hello? Anybody there?” Eu falei: “Cara, eu não vou gritar. Não vou gritar”. Quando eu começar a mostrar casa, eu não vou gritar”. Então, um belo dia, meu amigo, eu… Primeira história foi que eu entrei… Ah eu tenho várias, mas, assim, a primeira… A mais engraçada, eu entrei, não gritei, chamei o pessoal para entrar, começamos a ver a casa e eu estou escutando um barulho, um shhhhh. Eu falei: “Caraca”, mas vamos. Vamos continuar. A hora que e chego no quarto principal que eu abro a porta, rapaz, o banheiro está aberto e a mulher está lá tomando banho. Aí ela começa a gritar, minha cliente começa a gritar e aí aquela gritaria, a cliente desce correndo. Eu falo: “O que está acontecendo?” Ela falou: “Tem uma mulher tomando banho”. Aí sai a mulher com roupão pedindo desculpa. Aí eu peço desculpa para ela. Teve uma outra que uma vez o cliente me ligou e ele falou assim: “Fábio, preciso vender minha casa, tal. A casa está vazia. Eu vou mandar o endereço para você, a porta vai ficar aberta, o caseiro vai”… Tinha um amigo dele que ia deixar a porta destrancada, tal. Aí beleza. Ele mandou o texto, mandou o texto com o endereço da casa, chamei o fotógrafo, tal. Cheguei na casa, rapaz, abri a porta da casa, tinha uma mulher lá dentro. Ah tudo bem? Sou o Fábio. Ela: “Ai, Fábio, não sei o quê”. O fotógrafo. Ela falou: “Fotógrafo?” Eu falei: “É, a gente vai mudar vai mudar uns negócios aqui”. Ela olhando para mim. Aí, rapaz, 15 minutos depois, ela olhou para mim e falou assim: “Você está vendendo a casa?” Eu falei: “Estou. É o fulano de tal”. Ela falou: “Não, eu sou a dona dessa casa”. Mas você não falou nada. Ela falou assim: “Ah eu achei que você estava querendo tirar foto para mostrar na revista alguma coisa assim”. Eu falei: “Caraca, eu estou na casa errada, rapaz”. Aí eu liguei para ele. Eu falei: “Essa casa aqui, o que é?” Ele falou assim… Eu falei: “O número que você me passou… Aqui tem ímpares de um lado e pares do outro”. Ele botou… Ele esqueceu de botar o último número certo, ele pôs errado, eu fui na casa da vizinha. O pior foi a mulher deixando eu tirar foto da casa dela. Mas o que eu morro de medo, rapaz, é cachorro.
Juliano Godoy – Algum cachorro já correu atrás de você já ou não?
Fabio Brancati – Cara, já. Várias vezes. Tinha uma vez que eu entrei, eu não sabia e a lavanderia fechada e a gente mostrando assim. A hora que eu botei a mão na maçaneta da lavanderia, parecia que tinha dois ursos e um dinossauro lá dentro e o meu cliente era… Ele tinha dois moleques de dez anos e esses moleques pulavam para lá, pulavam para cá, eu falei assim para ele assim: “Olha, eu vou ficar segurando essa porta como eu seguro a minha vida. Olha a casa e eu não vou deixar ninguém passar por essa porta aqui” porque o cachorro latia, ele destruía a porta. Eu falei: “Vai, vê e não toca a mão na porta”. Já tive problema com gato uma vez. Gato… Eu estava saindo do quarto principal, o gato do cara me cercou na porta assim e eu falei: “Ah, gatinha não faz nada”. Nunca tive problema com gato. Essa vez, eu estuo com o meu papel assim, não é? Mostrando… Estou lá mostrando a casa, explicando para a pessoa, tal. A hora que eu passei na porta assim que o gato estava no beiral da escada, ele deu uma patada na minha folha assim, rasgou a folha inteira.
Juliano Godoy – Ainda bem que foi na folha. Não foi na sua cara.
Fabio Brancati – Eu falei: “Caraca”. Aí você vê um cara do meu tamanho – 1,83m – com medo de um gato minúsculo. O cliente atrás de você falava assim: “Fábio, faz alguma coisa. A gente precisa descer”. Eu falei: “Eu não tenho coragem de passar por esse gato aí não”. Aí a gente catou a blusa assim, fez assim, passou do lado do gato e foi embora. Mas, cara, acontece coisa aqui, às vezes…
Juliano Godoy – Que legal. Fábio, para a gente finalizar aqui, cara. Tem um negócio que eu estou brincando que são as… Vou dar uma rapidinha aqui. Então, assim, são quatro perguntinhas para a gente finalizar.
Fabio Brancati – Ahãm.
Juliano Godoy – E, assim, vai a primeira coisa que vier à sua cabeça, tá? Sem elaborar muito. Então, desse tempo todo que você está fora do Brasil, cara, o que você mais sente falta do Brasil?
Fabio Brancati – Do sorvete de leite moça da Kibon.
Juliano Godoy – Esse… O pessoal da Kibon aí vamos mandar para cá.
Fabio Brancati – Cara, eu sinto muita falta daquilo. Aqui não tem.
Juliano Godoy – E do outro lado, cara. O que você descobriu aqui e que agora você não vive sem?
Fabio Brancati – Eu acho que no Brasil a gente desconfia para confiar. Aqui a minha cabeça mudou. Hoje eu confio para depois desconfiar. E, na maioria das vezes, eu nunca chego à parte da desconfiança. A honestidade americana é muito… Ela te relaxa, ela dá paz para você.
Juliano Godoy – Cara, algum conselho que você tem para quem está afim de empreender aqui nos Estados Unidos ou quem está afim de entrar nesse ramo igual ao teu? Que conselho você daria para essa pessoa?
Fabio Brancati – Não tenha medo. Aqui tem oportunidade para todo mundo. Tem trabalho para todo mundo. Não importa a área, se já tem milhões de pessoas fazendo o que você faz. Tem um amigo meu que ele fala assim: “Fábio, aqui para você se dar bem você precisa ser só um pouquinho melhor que a média” e é verdade. As pessoas se acomodam muito aqui e o fato de o brasileiro ter esse… O fato de já ser brasileiro, de saber ter esse gingado aí com as coisas, isso ajuda muito. Não tenha medo. E outra coisa, não brinque com o IRS, o imposto. Aqui você ganha, pague o seu imposto porque se você é pego você vai para a cadeia. Então, não fique iludido de que vou ganhar dinheiro e não vou pagar meu imposto. O imposto aqui é coisa série.
Juliano Godoy – Isso aí. Death and taxes, não é? As únicas que são certeza aqui. A morte e o imposto.
Fabio Brancati – Exatamente.
Juliano Godoy – Cara, por último, assim, o que… Tem algum livro ou algum podcast, algum filme que você recomenda para o pessoal que está assistindo a gente.
Fabio Brancati – Eu tenho um podcast aqui, eu normalmente sou péssimo com o nome das pessoas. Quer ver? Vou pegar aqui para a gente. Infelizmente, em termos de livro eu sou péssimo. Eu gosto de ver e absorver. Eu assisto muitos vídeos desse cara aqui, ele é corretor na Califórnia. O nome dele é Graham Stephan. O Graham é corretor na Califórnia, só que ele entende muito do mercado fiscal e tudo mais. Então, eu assisto os vídeos dele porque como ele está à frente de toda essa parte econômica, porque no meu ramo hoje afeta muito se… No caso do brasileiro, o dólar subiu, a pessoa não vai comprar. O dólar abaixou, a pessoa compra. Mercado de estoque cai, a pessoa joga o dinheiro num investimento mais seguro, que é a parte imobiliária. Então, sempre assisto muito vídeo deles. Eu gosto muito de bicicleta, você sabe disso. Então, assisto GNC para aprender mais de bicicleta e essa aí é a vida, meu amigo.
Juliano Godoy – Legal. Depois a gente coloca o link aí. A gente vai colocar o link desse podcast aí para o pessoal que quiser assistir também. Cara, obrigado. Obrigado pelo seu tempo. Acho que eu me diverti bastante. Espero que o pessoal tenha gostado também, tenha aprendido alguma coisa. Valeu mesmo. Onde é que o pessoal te acha a, cara? Quero… Quero comprar uma casa com o Fábio, como é que o pessoal faz?
Fabio Brancati – Agradeço aí a oportunidade de poder participar, é um prazer ajudar. Eu sei que o tempo é curto, mas as pessoas podem me achar no Instagram. É Fabio.brancati ou procurar no Facebook também. Acho que é Fabio Real State meu canal lá. No Youtube eu ainda estou tentando fazer essa parte de vídeo e tudo mais. Ainda tenho que decidir se eu começo a fazer vídeo em português ou fazer vídeo em inglês, mas a gente vai chegar lá.
Juliano Godoy – Legal, cara. Bacana. Obrigado mesmo. Então, para você que está assistindo aí. Cara, está pensando em comprar uma casa seja para se mudar para… Ou para investir na região de Chicago, o Fábio é seu cara. Então, procura ele aí que ele vai te dar um tratamento sensacional e acho que se você falar que assistiu o podcast aqui ele dá um desconto ainda. Então, valeu cara. Obrigado. E para todo mundo que ouviu a gente ou que assistiu a gente no Youtube, muito obrigado. Eu sei que hoje tem milhares e milhares de opções para você ver, então o fato de você ter passado esse tempo aqui com a gente significa muito para mim. Então, do fundo do meu coração, muito obrigado. Só que também você sabe como é que funciona esse negócio. Algoritmo de Youtube, podcast, tal. Então, dá uma ajuda aí para o começo do canal aqui, dá um like no Youtube, inscreve lá no canal. Acompanha a gente em todas as plataformas de podcast e toda semana a gente vai estar aqui, vai ter conteúdo. Então, se você quiser me mandar uma sugestão de como… Fala que você achou, se gostou, não gostou. Se tiver alguma sugestão me acha também no Linkedin ou me acha no Instagram que é jg.julianogodoy. E é isso aí. A gente se vê no próximo episódio. Obrigado, pessoal.
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