Especial Seis meses de ImiGrandes: Hoje a conversa é comigo
Especial Seis meses de ImiGrandes: Hoje a conversa é comigo
08/29/2022
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Convidado:
Gustavo Passi
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Postado em :
08/29/2022
Este episódio do ImiGrandes está mais que especial, afinal, não é todo dia que se comemora seis meses de histórias contadas e lições aprendidas. Para comemorar, relembrar episódios e contar a minha própria história como imigrante, recebo Gustavo Passi, host do EmpreendaCast.
Vou compartilhar com vocês o que me trouxe aos Estados Unidos, os meus maiores desafios nesses quase dez anos longe do Brasil, e principalmente, minha inspiração para conversar com brasileiros que estão fazendo a diferença ao redor do mundo.
Dê um play e confira esse episódio especial!
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Especial Seis meses de ImiGrandes: Hoje a conversa é comigo
#imigrandes #podcast #brasileirosnoseua
Transcrição
Entrevistador – Fala aí sonhadores, fala aí sonhadoras, você não está no podcast errado, você está no podcast certo, mas com um host diferente porque hoje é um episódio especial. Esse cara aqui que está acompanhando você todas as semanas contando histórias empreendedoras inspiradoras hoje vai ser o entrevistado. Aqui quem fala é Gustavo Passi, fundador da Voz e Conteúdo, também host do EmpreendaCast, o entusiasta do mundo dos podcasts. E consegui convencer esse cara desse podcast a montar um também, lógico que ele já tinha a ideia clara na cabeça, a gente só se encontrou e deu samba como a gente fala no mundo do empreendedorismo. Mas hoje ele é o entrevistado, hoje é ele que vai contar a sua história de superação, de construção em outro país, um país tão difícil ou tão fácil, a gente vai escutar pela boca dele. Eis aqui junto comigo nessa gravação. Quem é você, para quem caiu nesse podcast da minha audiência, ou quem apareceu aqui do nada pra ver quem é você Juli.
Juliano – Fala Gustavão, beleza cara, obrigado. Cara, obrigado aí por ser o host do ImiGrandes, sempre um prazer ter você aqui. Obrigado por todo o incentivo que você me deu nesse começo, não dá nem para acreditar que a gente está comemorando seis meses de podcast, eu achei que isso aqui ia durar um mês com quatro episódios, mas estamos aí firmes e fortes. E, cara, prazer ter você aqui sendo host do podcast porque em dois minutos eu já aprendi demais, como fazer uma introdução, como deixar o convidado à vontade, como.. olha, então cara, em dois minutos eu já aprendi pra caramba.
Entrevistador – Olha, eu vou te falar, hoje eu acordei, eu vou confessar para você, hoje eu acordei, olhei minha agenda e falei: poxa, hoje eu tenho gravação. Mas eu não falei poxa não, eu falei, ainda bem que eu tenho gravação porque eu não aguento mais fazer coisas que não são relacionadas a gravar e me divertir no podcast. então para mim muito mais que prazer pra você, pra mim aqui é diversão, cara.
Juliano – Bacana cara, é muito legal isso aqui, né.
Entrevistador – Você fala da onde aí, para a galera que está te ouvindo aqui pela primeira vez?
Juliano – Cara, eu estou em Frisco, que é um subúrbio de Dallas. Eu me mudei pra cá há um ano e pouquinho atrás, um ano e três meses, mas nos Estados Unidos eu estou há nove anos, mudei pra cá em 2013.
Entrevistador – O inglês está afinadinho?
Juliano – Cara, nunca vai estar, o que você aprende assim quando você mora fora é que você fica analfabeto em duas línguas, né, do país que você está e a do país que você veio. É impressionante. Eu não sei nem falar português direito mais.
Entrevistador – Agora, pra galera entender do EmpreendaCast, esse episódio também vai ser distribuído nas duas plataformas, nos dois podcasts. Para o sonhador, para a sonhadora que está ouvindo, quando eu decidi fazer um podcast de empreendedorismo, o EmpreendaCast, durante muito tempo minha jornada, Juliano, foi de um cara intraempreendedor, que a gente vai falar um pouco aqui sobre você também como intraempreendedor Mas eu contei muito também sobre o empreender da carreira, o empreender da vida, o tentar das coisas que a gente faz. A gente não se descobre empreendedor, a gente não nasce empreendedor, eu acho que é algo que tem no estado de espírito. Então tem tudo a ver esse episódio hoje, esse cross, pra gente falar um pouco sobre o que é empreender como carreira, como tomar decisões difíceis. Você pegar a família e viajar não sei quantos mil quilômetros para construir uma vida, uma carreira, aceitar uma proposta, é algo de se empreender. Não necessariamente que resulte num CNPJ, até porque o CNPJ que a gente vai discutir aqui é o próprio ImiGrandes, que é um projeto que você vem tocando, que as suas, a gente vai descobrir as suas pretensões. Mas desde o dia que você desceu aí nos Estados Unidos eu queria saber como é que você chegou, roupa do corpo em uma mala, esposa, tinha filhos, não tinha? Como é que foi a primeira descida nos Estados Unidos, e se você já conhecia a terra do Tio Sam antes de você morar nela.
Juliano – Cara, eu já conhecia, eu tinha… deixa eu talvez voltar um pouquinho então pra falar um pouco a história de empreendedorismo. Se eu fosse olhar hoje assim para mim, bem ou mal, eu não tenho um CNPJ, então eu trabalho numa empresa enorme aqui nos Estados Unidos, chama Accenture, e construí a minha carreira em grandes empresas. No Brasil eu trabalhei na Ambev, depois trabalhei na Kraft Heinz aqui nos Estados Unidos. Então a minha vida toda foi dentro de um CNPJ do outro. Mas acho que o que é legal disso é assim, os meus pais eles sempre foram empreendedores, então eu sou do interior de Minas, chama Patrocínio, Minas Gerais, pra quem não conhece falando em bom mineres é perto de Uberlândia. E cara, eles empreenderam, eles tinham um açougue e depois meu pai, enfim, mexia com fazenda, etc. Então sempre foi um negócio muito próximo, daquela vida de empreendedor. E aí cara, eu resolvi, entrei na faculdade, etc., fiz Economia na Unicamp. E aí quando eu estava prestes a me formar eu tive esse sonho de morar fora, eu falei, cara, eu preciso melhorar o meu inglês, eu preciso entrar no mercado de trabalho e tal. E aí os meus pais não tinham dinheiro pra pagar e eu cara, fucei, fucei, fucei até achar uma bolsa do Rotary Club e vim morar em Mineápolis, em 2000, logo depois que eu me formei vim para Mineápolis. E cara, aquilo lá abriu a minha cabeça para um monte de coisa. Primeiro que eu cheguei lá dia 02 de janeiro de 2000, com neve assim me cobrindo. Então eu nunca tinha visto neve, e eu cheguei de cara com três metros de neve, frio de -20, -30 graus, etc.
Entrevistador – Acabaram de descobrir que o bug do milênio não teve, não existiu, né.
Juliano – É isso aí, é isso aí era só alarme falso, né. Então aquela experiência em morar aqui me abriu também muito o desejo de, cara, construir uma carreira internacional, de poder morar fora, etc. e etc. E eu voltei para o Brasil e naquela época, se você pensar há vinte anos atrás não é, o mundo mudou muito assim, evoluiu muito rápido do que é hoje. Então assim, hoje acho que você, está bem na moda falar que é ser empreendedor, empresário e tal, acho que as pessoas até saem um pouco da faculdade com esse desejo de começar uma startup. Cara, vinte anos atrás a minha geração acho que assim, a grande coisa é cara, preciso arrumar um emprego numa boa empresa, numa multinacional, que vai me dar tanto uma estabilidade em carreira quanto uma possibilidade de crescimento. Acho que a geração dos meus pais era muito mais talvez um emprego público, etc., pra dar estabilidade a longo prazo. Eu acho que a minha geração foi muito disso, de ter um emprego numa empresa multinacional grande. E acho que a geração atual agora tem muito mais essa veia empreendedora e etc. E eu dei uma sorte gigantesca de, cara, cair numa Ambev que assim, tinha muito forte uma cultura de dono, de tratar o dinheiro como se fosse próprio, etc. E dentro daquela empresa eu pude empreender bastante, pude começar vários projetos, tomar vários riscos e fazer coisa que não era só, digamos, fazer o check-list, bater o cartão, etc. E aí a vinda pra cá, cara, eu saí da Ambev depois de, fiquei lá dez anos.
Entrevistador – O que você fazia na Ambev?
Juliano – Cara., eu fiz de um tudo, bicho. Eu comecei como trainee, depois eu fui para a área de vendas, depois eu fui para a área financeira. A maior parte da minha carreira eu fui da área financeira e na parte de operações, a parte administrativa, backoffice, etc.
Entrevistador – Agora eu queria fazer uma pergunta pra ti, já que você passou pela Ambev. Eu tive a felicidade de gravar com o Marcel também, o Marcel Nobre, que é nosso amigo em comum, deve ter sido dessa época que vocês se conhecem, né. E ele me falava muito de uma Ambev puxadora assim, no sentido de pauleira, bastante correria, bastante trabalho, bastante envolvimento nesse sentimento de dono. Você tem esse parâmetro de quando você pulou de CNPJ pra CNPJ, uma diferença entre o que a Ambev te puxa e o que as outras empresas puxam, ou é muito da pessoa que estava ali trabalhando?
Juliano – Cara, eu acho que a descrição do Marcel ela é correta, assim… de novo, eu saí faz muito tempo, não sei o que mudou a empresa depois, etc. Mas há dez, quinze anos atrás realmente tinha isso muito forte, de fazer acontecer. É o negócio que assim, com esse espírito de dono você acaba tomando muita responsabilidade, muita gente fala…
Entrevistador – Vai pegando, né.
Juliano – É, você vai fazendo, você quer crescer. É um lugar que te dá muita possibilidade de crescimento, um lugar que, assim, você não tem que ficar três anos numa função depois mais dois em outra para você crescer. Não, cara, você chegou, entregou resultado, as vezes eles te dão uma coisa que você nem está preparado. Mas cara, como tudo na vida tem o seu sacrifício, você não vai progredir em qualquer área da sua vida, seja na sua carreira, seja na sua saúde, seja em qualquer meta que você colocar para você mesmo, se você não tiver ali uma certa dose de comprometimento e sacrifício em contrapartida. Então assim, tem muito…
Entrevistador – Foi uma escola pra você assim, nesse sentido.
Juliano – Com certeza. Com certeza, a parte de valorizar as pessoas, a parte de esticar as pessoas, de desafiar, enfim, de tratar a empresa como sua, etc. Então, com certeza foi fundamental na minha formação.
Entrevistador – E aí como é que você segue, termina Ambev, teve essa experiência em Mineápolis, estava ali com a cabeça que eu vou ter uma carreira internacional. Como é que você segue aí a sua linha do tempo?
Juliano – Cara, aí depois de dez anos eu saí, tive um desvio de rota, fui trabalhar com outra empresa grande também, mas uma empresa familiar e acho que foi o meu primeiro grande aprendizado, que eu acho que eu subestimei o impacto que uma cultura empresarial tem nas pessoas. Então, eu acho que eu fui num lugar que não estava alinhado com a minha cultura, com os meus valores. E aí acabei saindo. E aí apareceu um pouco o negócio da Heinz, o pessoal da 3G que é o fundo do Marcelo, do Jorge Paulo Sucupira, eles estavam em processo de aquisição da Heinz, eu entrei em contato com eles e falei: pessoal, poxa, quero, eu conheço um pouco como funciona, se tiver alguma coisa que eu possa ajudar eu estou à disposição. E aí eles não podiam falar o que eles estavam fazendo, obviamente, NDA, essas coisas todas, quando você está nessa parte de fusão e aquisição. Recebi uma ligação numa quarta-feira: cara, você precisa estar aqui segunda-feira, a gente precisa de você. Eu falei: mas espera aí, fazer o que, como assim precisa estar aí? Cara, quer ou não quer, entendeu, se quiser pega o voo para Nova York, você precisa estar aqui segunda-feira. Eu falei, bicho, está bom, vamos embora. Eu falei com a minha esposa, estou arrumando a minha mala. Para onde você vai? Nova York. Fazer o quê? Não sei. Quando você volta? Não sei. Mas e depois? Falei: não sei, só sei que eu vou pra lá e depois a gente vê. E aí foi isso, cara, foi um voto de, acho que um voto de confiança e um… acho que é confiança mesmo de que ia ter um projeto bacana e tal, e acabou dando certo. E aí eles compraram a Heinz, eu acabei achando um lugar pra mim. E aí a gente veio a família toda. Então naquela época eu já estava casado, já tinha o Lucas com, deixa eu pegar, o Lucas tinha 6, a Bia tinha 4, o nosso cachorrinho Zeca já tinha 10, arrumamos todo mundo. Cara, viemos, não vou falar que a gente veio com a mala e com a coragem, mas a gente assim, a gente veio com, sei lá, meia dúzia de mala, o resto a gente vendeu tudo no Brasil e recomeçou aqui. Então quando você fala de empreendedorismo acho que um pouco é isso também, a tomada de risco. Então assim, também com risco na carreira que eu tomei naquela época de, cara, pode ter uma coisa bacana aqui na frente. Mas você vai para um lugar novo, você vai para onde você não conhece ninguém.
Entrevistador – Sem garantias também, não tinha garantia que você ficaria um, dois, três, quatro, dez anos.
Juliano – É, ninguém falou, não foi esse negócio tradicional, despatriado, que é assim, você vai nesse assimind de ficar lá por três anos, está aqui o seu contrato.
Entrevistador – Uma luva para você ficar tranquilo, não é.
Juliano – É, aqui o motorista pra você. Cara, foi um bom e velho fio do bigode total, entendeu. Quer vir vem, não quer agiliza a fila aí. E se vier a gente já vê o que faz, vamos embora.
Entrevistador – E qual foi a função que você chegou e sentou aí?
Juliano – Eu vim pra cuidar da parte, no começo da parte de orçamento e desempenho, então toda a parte financeira de relatórios, orçamento, a gente implantou o Orçamento Base Zero, que é uma ferramenta muito conhecida da Ambev de gerenciamento de custos, para gerar economias na empresa, etc. Então eu liderei essa parte de Orçamento Base Zero e de financeiro que a gente chama de FPNA, enfim. Relatórios para o CEO, para o CFO, etc.
Entrevistador – Cara, e você tocou num assunto que eu acho que todo empreendedor precisa ter como base para tudo que toma decisão. Você tomou um risco, mas a gente falou aí vários outros nomes, o Lucas, a Bia, até o Zeca. Como chama a sua esposa?
Juliano – Renata.
Entrevistador – Renata. E aí tem uma figura aí chamada Renata, que é o companheiro, a companheira, independente da sua jornada aí empreendedora e da construção da sua família, que é base primordial pra tomada de algumas decisões. Não dá pra você acordar depois de uma ligação e falar: eu vou. Até porque você já tinha os seus lastros, as suas raízes dentro de um país chamado Brasil, numa economia, numa moeda, numa vontade, num sonho. A Renata também tem os delas, quando a gente casa a gente divide algumas, né, mas a gente continua tendo as suas vontades. E quando a gente fala do Lucas e da Bia a gente fala de duas, dois ser humanozinhos que a gente precisa dar o mínimo possível pra eles terem uma vida sempre melhor que a gente. Eu queria que você trouxesse um pouco esse momento da decisão em família, como é que chega num consenso? Porque deve ter um monte de empreendedor agora, um monte de gente que quer imigrar para outro país e está exatamente parado em cima desse muro, entre a família, os sonhos, o ego, que acho que deve ser uma discussão que a gente vai ter, você deve falar muito disso no ImiGrandes, e a coragem. Eu queria que você falasse um pouco desse momento, que você navegasse ali. Como é que a Renata foi nesse processo pra você, as crianças? Porque a gente está falando de empreender na família, cara, e eu acho que esse é o bem maior. A nossa startup que tem que estar em growth sempre. Conta pra mim como é que foi esse momento aí dessa decisão, cara.
Entrevistador – Excelente pergunta bicho, e eu concordo com você assim, a família é a base. Então assim, se aquilo… pelo menos a minha, então tem gente que pensa diferente e tal, mas pra mim é o meu chão, entendeu, é o fundamento de tudo. E pode ser lugar comum que eu vou falar aqui, cara, mas como pai tudo o que eu faço é para os meus filhos, e tudo que eu deixo de fazer é pelos meus filhos. Pensando o que eu vou deixar pra eles daqui pra frente, o famoso legado, que tipo de legado eu vou deixar para eles. E aí foi num momento, cara, e acho que é assim, o importante pra você tomar esse tipo de decisão é você ter uma transparência e uma comunicação muito clara entre o casal. Não dá para ser uma decisão só de um, entendeu, porque se for assim, no momento que der merda, e vai dar merda, essa é a única certeza que você pode ter, em algum momento alguma coisa vai dar errada, se a outra pessoa não estiver ali do seu lado para te suportar, para te apoiar, se ao invés disso ela ficar apontando o dedo e falar: eu te avisei, eu sabia, eu não queria ter vindo, eu sabia que ia dar errado, cara, aquilo vai te minar. Porque assim, quando você passa por uma dificuldade a tua confiança já está abalada, o teu ego já está desmoronado, a última coisa que você precisa é de quem está do seu lado ficar te apontando o dedo. Então precisa ser uma decisão conjunta, isso precisa ser discutido. E claro que assim, acho que ela também teve os medos dela, etc. Mas foi uma coisa que assim, primeiro que ela sabia que eu não estava feliz onde eu estava antes, então ela sabia que pode ser uma coisa melhor. Então assim, já que você vai sair daqui e pode ser outra coisa, vai ser melhor para a gente. Porque ela, acho que quando também a gente está bem no trabalho isso ajuda em casa também, e vice-versa, quando a gente está mal no trabalho, cara, a gente leva para casa, não tem jeito, não tem essa história de separar, deixa no escritório. Para mim isso não existe, a gente é um só.
Entrevistador – Não tem.
Juliano – Teve esse fator. Teve um outro fator também que ajudou, que ela também tinha feito um intercâmbio aqui nos Estados Unidos quando ela era, tinha terminado o terceiro colegial dela, então ela conhecia também, já tinha morado aqui, etc., então acho que isso ajudou, ela fala inglês até melhor que eu, então acho que isso ajudou também. E teve também acho que um terceiro fator, é olhando para o futuro dos nossos filhos, cara, porque a gente, de novo, a gente ama o Brasil de paixão, toda a família está aí, então assim, só a gente veio para cá, os meus pais estão aí, os pais dela estão aí, está todo mundo aí. Mas a gente achou que ia ser uma baita oportunidade para os nossos filhos, em termos de educação, de segurança, de conhecer outra cultura, de criação etc. E estavam numa idade que, entre aspas, mais fácil para ir. Então cara, foi um, casou tudo bem.
Entrevistador – Para as crianças foi uma adaptação tranquila? Porque o Lucas tinha 6 que você falou, não é, e a Bia 4.
Juliano – Isso.
Entrevistador – O Lucas já estava iniciando a alfabetização no modelo brasileiro?
Juliano – O Lucas estava na primeira série, isso, ele já saiu daí falando e escrevendo português.
Entrevistador – Como é que foi para as crianças assim como… Porque a Renata fez intercâmbio, talvez deu uma facilitada. Talvez, eu sempre falo talvez porque a gente, eu sempre falo que a vida começa do zero a cada decisão. Você vai se adaptar e você vai aproveitar algumas ferramentas que você tem dentro do seu cinto ali da história de vida, você vai aproveitar alguma coisa. No caso ela pegou no cinto dela o idioma que ela já tinha treinado. Agora, o Lucas e a Bia estavam com os cintos deles da vida praticamente vazios. Como é que foi isso e como é que isso pesa para um pai? Além de você ter que tocar a vida dentro de um desafio, saber que em casa tem um negócio meio com HD zerado assim, tipo é zero para você e menos cem para eles, não é?
Juliano – É verdade, cara. Acho que, eu acho que tem um lado que é assim, criança é meio argila, então dá para você moldar. Isso ajuda bem. Tem aquela velha máxima de que criança é resiliente, cara, que assim, às vezes eu tenho um pensamento misto sobre isso. Mas uma coisa eu acho que é verdade, cara, que é assim, criança tem uma coisa a favor que é uma linguagem universal, que é a linguagem da brincadeira. Então quando você vai, quando uma criança de 4, 6 anos vai para um parquinho ou vai para escola brincar, etc., cara, eles ainda não tem todos esses vieses que a gente tem quando fica mais velho, ainda não tem tanta vergonha. Cara, eu quero brincar com isso aqui, se não sabe falar o nome aponta, entendeu, eles dão um jeito de conseguir. Então, eu acho que assim, cara, foi, a adaptação deles foi muito rápida. A gente chegou aqui em julho, em setembro eles já estavam na escola. Eu sempre conto sempre essa história assim, como o Lucas já sabia ler em português, a Renata fez uns cartões para ele em inglês, em português e inglês, porque se ele quisesse ele mostrava. Uma coisa assim tipo assim, quero ir ao banheiro, então em português e aí a versão em inglês, que ele podia ler e mostrar para a : olha, quero ir ao banheiro.
Entrevistador – Que legal.
Juliano – E aí ele usou aquilo e depois de uma semana ela perguntou para ele: e aí Lucas, o cartão está te ajudando, você precisa de mais algum? Ele falou: mãe, eu preciso só de um, não serve para nada isso aqui. Qual que você quer? Ele falou assim: eu não sei o que fazer. Que a professora mandava eles fazerem alguma coisa e ele ficava não sei o que tem que fazer. E cara, mas depois assim, a gente passava a valer a história para eles em inglês na hora de dormir, etc., pra ir acostumando com o ouvido, aprendendo e tal. Seis meses depois, hoje eles tiram sarro da minha cara, falam que o meu é Accenture é horrível, fala que eu não sei falar inglês direito. Então já…
Entrevistador – Já era.
Juliano – Já era.
Entrevistador – Que delícia. Agora deixa eu te falar, a gente pousou em Nova York nessa história com a Heinz, pega as suas coisas e vai. Inclusive que baita escola, Ambev e depois Heinz, com o trio, eu esqueci o nome do livro deles agora, olha que pecado.
Juliano – Um Sonho Grande.
Entrevistador – Um Sonho Grande, viver o sonho grande dentro da construção da sua carreira. E como é que é essa movimentação de Nova York para Dallas, o que acontece? A gente está falando de duas empresas nos Estados Unidos, ou tem alguma coisa aí no caminho? Como é que você segue essa vida aí nos Estados Unidos? Porque aí depois você já se adaptou a ponto de trocar de empresa.
Juliano – É, não aí Nova York foi só uma passagem rápida enquanto a gente estava na parte de fechar o deal, estava comprando deal, etc. Aí logo depois comprou a empresa, eu já mudei para Pittsburg, que é no noroeste americano. E aí a gente ficou em Pittsburg cinco anos, aí depois teve a fusão da Heinz com a Kraft e aí a empresa mudou para Chicago, eu me mudei para Chicago também. A gente ficou três anos em Chicago. E aí depois de sete anos eu achei que o meu ciclo lá tinha, como bom LinkedIn user o meu ciclo encerrou. E aí o meu ciclo se encerrou lá, eu estava em busca de novos desafios.
Entrevistador – Open to work.
Juliano – Open, é… Graças a Deus não precisei colocar isso, cara, mas enfim, foi tudo resolvido atrás do palco. Mas aí consegui, troquei de emprego e tal, e aí nesse emprego novo, na Accenture, a gente tem clientes no mundo inteiro. Aí a gente estava no meio da pandemia, eu entrei para a Accenture em 2020, cara, no meio da pandemia, trabalhando em casa, só olhando isso aqui, por tudo que eu estava vendo também achei, cara, isso aqui vai demorar bastante, não tem muito previsão, as minhas crianças estavam sem aula, porque aqui fechou, lá em Chicago pelo menos fechou, fechou bem. Então assim, as crianças passaram o ano inteiro também tendo aula via Zoom. E eu vi que isso estava fazendo mal para eles, eles estavam numa idade, cara, adolescentes, etc., então não estava legal. E bem ou mal cara, Illinois também, Chicago, no estado de Illinois, é um estado que está crescendo bastante, em termos econômicos, populacionais, etc. E sem contar que o clima não ajuda. Então a gente sofria bastante, cara, eram seis meses de inverno assim, setembro, outubro até abril, maio, cinza escuro, tinha, ficava aquela depressão de clima, em janeiro até fevereiro -20, -30, a gente falou, cara, vamos embora daqui, vamos arrumar um lugar mais quentinho. E a gente começou a olhar, e aí a gente viu que o Texas é um estado que está, por falta de uma palavra melhor, bombando, está crescendo demais. Se o Texas fosse um país ele ia ser a nona maior economia do mundo, na frente do Brasil, então assim, só para você pensar na potência do lugar, só um estado já é maior do que o Brasil inteiro em termos econômicos. É um país que está crescendo, população crescendo, a economia tem muita empresa vindo para cá, e cara, em termos de segurança, de educação, etc., a gente achou que, de novo, vamos tomar mais um risco, vamos arrumar a mala e vamos tentar a vida lá. E de novo graças a Deus eu não posso reclamar, foi uma decisão acertada.
Entrevistador – Você sabe que eu tenho uma visão do Texas, eu já fui para os Estados Unidos, fui para Nova York como turista, já fui para Los Angeles, conheci bastante Orlando, Flórida, mas eu tenho um recorte como turista. Flórida, gostosinho, legal, parque, uhul, montanha russa. E quando eu volto para o Brasil e analiso Estados Unidos, a palavra Texas, pelo menos o que Hollywood vendeu é, os caipiras da carne, os caras do hambúrguer. É verdade isso, cara, é um estado ali muito forte de indústria, agropecuária, ou está acabando isso, está virando multisserviços?
Juliano – Não, cara, tem também, a agropecuária é muito forte aqui. Mas assim, não dá para você ter uma economia deste tamanho como uma indústria só. Então… e essa foi uma outra coisa também que a gente gostou do Texas, porque assim, essa diversidade. Então se a gente pega algumas cidades grandes como Houston, por exemplo, óleo e gás total, então a Exxon está lá, Halliburton, tem um monte de empresa gigante de petróleo está naquela região de Houston. A gente pegar a região de Dallas é bem diversificada com indústria, com a Toyota, mudou para cá, tem muita empresa vindo para cá por questão de imposto, nos Estados Unidos, que tem um imposto estadual. Então no Brasil a gente tem só imposto de renda, os tal dos 27,5 e ele é reto para todo mundo. Aqui você tem esse imposto federal, e além disso tem o imposto estadual. E aí no Texas é zero. Ao passo que na Califórnia é 12%, em Nova York é 11%, em Illinois é 5%. Então muita empresa olhou esse negócio e falou assim, bicho, eu vou embora, vou mudar para lá e tenho esse incentivo de cara. Pega Austin, que é a capital de Texas é um hub tecnológico, uma das maiores faculdades de tecnologia dos Estados Unidos está em Austin. Muita empresa, a Tesla abriu uma fábrica nova em Austin, etc. Então é um hub de inovação muito grande e fica a três horas daqui de casa. Então tem crescido bastante e tem diversificado bastante. A história do cowboy de chapelão, bota e espingarda na mão é mais lenda do que realidade.
Entrevistador – É hollywoodiano o negócio.
Juliano – É isso aí.
Entrevistador – Agora, deixa eu te falar, você segue e encara isso na Accenture em 2020, você deve ter entrado no comecinho de 2020 você falou, né?
Juliano – Isso, maio.
Entrevistador – Em maio, então já, você já é ‘quarenteneal’ na Accenture. Já estávamos em quarentena, da situação, e teve toda essa adaptação. Para a galera entender, que está aqui no EmpreendaCast, a gente vai chegar agora nos finalmentes do que você está fazendo e como você está empreendendo com o ImiGrandes, eu queria que você contasse o que você faz hoje, você está como na Accenture, para a galera entender, e as conexões? E qual é o link, que eu queria que você fizesse já, qual o momento que o ImiGrandes, o podcast começa a fazer parte da sua vida? Se você conseguir juntar os dois seria ótimo.
Juliano – Bom, hoje eu cuido do que a gente chama de delivery para os Estados Unidos. Então assim, toda a parte de operação para os Estados Unidos, então eu tenho um time de duas mil pessoas mais ou menos, dependendo do dia, espalhados aí em vários escritórios aqui nos Estados Unidos, nos nossos maiores em San Antônio, em Knoxville, em Mineápolis, etc. Então eu tenho um time em cada uma das localidades. E aí a gente presta serviços para os clientes da Accenture. Então assim, a gente, por exemplo, roda a folha de pagamento para algumas empresas, a gente faz a parte financeira, a parte de crédito, cobrança, contabilidade, balanço, etc. A gente tem uma parte grande de, por exemplo, de conta modelation para as redes sociais, fica olhando os comentários, vê se tem que tirar do ar, não tem que tirar, etc., etc. Então, basicamente eu lidero um time de umas duas mil pessoas, que é responsável por entregar os serviços para os clientes. E aí assim, como é que o ImiGrandes entra, é meio também que uma conjunção de fatores, não é que eu acordei um dia e falei, cara, eu preciso começar um podcast, tive uma ideia maravilhosa. Cara, não é nem aqui assim, acho que um é, muita gente me pergunta isso aqui, como é que você foi parar aí, como é que é aí, que eu também tenho um sonho de ir e etc. E a minha história ela foi muito, ela foi meio única, então não dá para você seguir a minha receita, que a minha receita vai ser difícil de repetir. Mas cara, conheço muita gente que veio para cá empreendendo, etc., então pode ser uma alternativa. Então esse é um bugzinho que ficou. Acho que um outro bugzinho é, cara, eu gosto de aprender e eu sempre gosto de me desafiar e me tirar da zona de conforto. E aí isso para mim foi um bom casamento, porque assim, eu sou um cara introvertido, então assim, estar aqui na frente falando com as pessoas, entrevistando, etc., já me puxa um pouco, melhora a comunicação, etc. Estou aprendendo de mídia social, de coisas que eu não nem pensava na minha cabeça em aprender, etc., estou fazendo um network fenomenal, estou conhecendo um monte de gente, cara, bacana, com cada história de superação, de resiliência, de inspiração. E aí para mim é isso cara, se eu passar, nesse tempo que eu passo com os meus convidados, se eu conseguir capturar 5% do que aquele convidado me ensinou, no final de um ano eu já sou outra pessoa, entendeu? Eu já adquiri tanto conhecimento que vai me capacitar a dar um outro passo, que eu não sei o que que é, não sei o que vai ser, mas vai me deixar uma pessoa, sei lá, mais completa, ou mais, sei lá, melhor eu espero.
Entrevistador – Mas você tinha experiência com podcast, você ouvia? Que momento que essa mídia… porque assim, nos Estados Unidos todo cidadão americano, até as crianças, sabem o que é um podcast. No Brasil a gente está aí perto de 30 a 40 milhões de brasileiros que sabem o que é a palavra podcast, não necessariamente o que é, porque deturpou um pouco aqui em meio à moda Flow, Podpah, Joe Rogan, que trouxe muito isso, do vídeocast. No Brasil ainda é muito embrionário, apesar da mídia estar completando quase 20 anos de existência. Nos Estados Unidos é muito comum, tem lançamento da Apple que você tem que ficar sabendo num podcast, se você quiser encontrar um equipamento, um aparelho da Apple. Como que foi o seu contato aí, você já chega lá em Nova York consumindo podcast para aperfeiçoar a língua? Como é que o mundo do podcast cai aí na sua casa, nos seus ouvidos na verdade?
Juliano – Não, eu acho que o podcast entrou de uma maneira meio diferente na minha vida, assim, não foi logo quando eu cheguei, talvez eu vou dizer que foi quando eu fui para Chicago, cara, um pouquinho antes de ir para Chicago. Eu comecei, uma época da minha vida eu comecei a correr para, estava precisando melhorar um pouco a saúde, etc.. Eu comecei a correr e aí falei, deixa eu juntar então o útil ao agradável, eu vou correr e vou colocar um podcastzinho para eu ir aprendendo alguma coisa. Começou com aquilo. Então eu saía para correr, colocava o podcast, meia hora, uma hora eu fazia e ouvia aquilo lá. E depois também quando eu mudei para Chicago, cara, eu morava, eu gastava uma hora e meia para ir para o trabalho, era um inferno, ida e volta então eram três horas do meu dia, que aí eu o que fazer bem melhor que não consumir um bom conteúdo de podcast, não é? Então acho que foi mais ou menos aí que eu comecei a ter um pouco mais de disposição para este tipo de, sei lá, de mídia.
Entrevistador – E como que é abordagem do podcast nos Estados Unidos assim? Hoje no Brasil a Globo mostra a parceria com a B9, que inclusive é uma grande produtora e constrói podcasts, praticamente todo artista tem o seu podcast. A Globo, a CBN há muito tempo já investe no canal. Mas ainda muito embrionário, como eu comentei. Nos Estados Unidos como que é essa exposição do podcast além da mídia áudio, como que está? Está, além dos nine, nine, nine que são os comerciais aí para tudo que é lado nos Estados Unidos, tem gente falando de comercial em podcast, é relevante nos noticiários, como que é isso?
Juliano – Boa pergunta. Cara, eu acho que aqui, como tudo aqui nos Estados Unidos, você tem que, sei lá, eu chamo de choice overload, que é excesso de oferta. Então tudo tem um podcast. E além do que assim, bem ou mal, se você quiser fazer um negócio… Você faz um negócio super bacana, eu estou tentando fazer um negócio decente também, mas assim, a barreira de entrada ela é relativamente baixa, para quem quiser você grava um áudio, sobe na plataforma e meio que ok, então acaba tendo muita coisa. Então para você meio que diferenciar um pouco o que você quer ver e tal você tem que ter muita clareza do que você gosta, e achar quem está naquele nicho. Mas é meio que assim, cara, obviamente todas as empresas de mídia tem o seu podcast, o New York Times, Washington Journal, a Forbes, então assim, todo mundo tem podcast. Tem muito autor de livro que faz o podcast também, porque aí vira uma plataforma para juntar as duas coisas, que aí o cara aproveita e…
Entrevistador – E depois vira livro de novo.
Juliano – Vira livro de novo, e aí vende o curso e vende a palestra, etc. E podcast também ele é muito usado como mídia para advertising também, então tem muito, tem muita propaganda nos podcasts. Então, que eu não sei se no Brasil ainda está difundido. Mas aqui principalmente os maiores… e tem empresa especializada nisso, a NPR, que faz… aí o cara vive de fazer podcast, e aí ele contrata um famoso e aí aquela história, tem um podcast e esse podcast carrega mais vinte, porque ele que faz também o cross, sei lá, estou ouvindo, eu ouço um que é o Pivot, que é com Scott Galloway, por exemplo, aí ele tem um outro podcast também que é o Prof G, aí ele fala olha, na terça-feira eu estou aqui, mas na quinta eu estou no outro, tá? Aí tem isso também.
Entrevistador – E aí a galera vai acompanhando, né. E eu acho que, fazendo um paralelo assim, e conversando com você aqui mesmo, a gente não ensaiou para isso, o Brasil, o podcast criou muito um sentimento de comunidade. As pessoas gostam de se reunir, isso é muito antigo na internet, não é, os fóruns, os desenvolvedores, a galera de tecnologia, a galera nerd, a galera de jogos, de umas coisas um pouco mais específicas, que você precisa juntar, aglutinar as pessoas para poder fazer uma comunidade, não digo grande, mas forte, é muito comum aqui no Brasil a gente se juntar em comunidades. Eu costumo falar para a galera que o podcast ele tem esse poder de juntar comunidades, tanto é que o próprio Facebook, não sei se aí nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil o Facebook ele pivotou absurdamente para os grupos, para as comunidades, que foi algo muito forte na época do Orkut, que você tinha lá as comunidades do Orkut, grandes construções foram feitas ali nas comunidades, grandes empresários hoje nasceram da aglutinação de bons interessados em assuntos lá. Quando a gente fala disso, aí a gente cai para o mundo do podcast, que nem, o BeerCast quando eu juntei a galera era para falar de cerveja, tem um cara lá, o Jovem Nerd, que é referência para todo mundo de podcast juntou lá os nerds, e eles criam uma potência e uma força em andar em comunidade. Tanto é que a publicidade aqui no Brasil nós podcast ela chega até orgânica, o cara fala hoje eu estou com a camiseta da Chico Rey porque eu adoro essa loja, eles não me dão um centavo por isso, mas eu adoro. Aí beleza, todo mundo vai lá dar uma olhada o que é aquilo. E a conversão é absurda aqui no Brasil. O último estudo que eu vi, para você ter uma noção, para a galera que estiver ouvindo aqui e quiser empreender como podcast, 6 em cada 10 pessoas já tinham comprado ou consumido algo que foi falado no podcast. Nos Estados Unidos eu me recordo muito do lançamento de um iPhone, que foi dado exclusividade para um podcast americano que ia falar qual loja tinha. E praticamente os Estados Unidos inteiro estava plugado na Apple para escutar isso. E também como a Apple nasce na terra do Tio Sam, o iPod, e o pod vem de lá, a cultura, lógico, já está enraizada dentro de uma empresa que tinha toda essa força. Hoje não existe mais essa força Apple, não é, está no Spotify, está na Apple, está no Google Podcast, está em diversos lugares. E ganhou essa repercussão entre estar, no mesmo aplicativo de música está um conhecimento, que foi o que você buscou quando você chegou nos Estados Unidos. Onde que eu quero chegar com essa volta toda? Hoje você ser comunicador é obrigação. Assim, você precisa ser um bom comunicador, você lidera duas mil pessoas, se você não passar bem a mensagem ela deturpa entre os colaboradores. Então se você não fizer isso bem não tem como sobreviver. Você não precisa ter um podcast, você precisa ser um bom comunicador. Quando você decide fazer o ImiGrandes, que é juntar a comunidade de pessoas que estão nos Estados Unidos tentando empreender e construir uma carreira, e pessoas que estão tentando imigrar, não necessariamente só para os Estados Unidos, até porque a gente vai falar um pouquinho da amplitude do ImiGrandes. O que eu queria entender? Hoje, com esses seis meses de podcast, você sentiu que está mais com cara de comunidade ou está mais com cara de comunidade de quem quer ir, ou de comunidade de quem já está e precisa dar as mãos aí a espalhados pelo país? Como é que está essa figura do ouvinte do ImiGrandes, e como é que, faz sentido isso que eu falei para você, que no Brasil é mais, como se diz, tem mais emoção eu acho do que só comunicação, tem esse lance de pertencer a algo. Tem acontecido isso no ImiGrandes?
Juliano – Cara, total, com certeza. Eu acho que assim… porque no final do dia o podcast é para a comunidade brasileira que está fora do Brasil, seja nos Estados Unidos, eu também gravei episódio com pessoal no Canadá, pessoal em Portugal, já tem alguém na Austrália que eu estou de olho, etc. Então assim, porque bem ou mal quando você sai de casa você passa pelos mesmos, os perrengues parecidos, muda um pouco da cultura do país onde você está, mas os perrengues são os mesmos, é saudade da família, dificuldade com língua, dificuldade cultural, etc. Então tem um negócio de comunidade que é muito grande, assim, cara, como é que o brasileiro ele se ajuda, ele se enxerga, tem… Apesar do meu podcast ser de empreendedorismo, muita gente manda mensagem para mim que não é empreendedor, mas fala, cara, adorei aquele podcast porque assim, eu também passei por aquilo, quando aquele cara chegou aqui sem nada, com a esposa sem saber falar inglês, não sei o que, e a esposa chorando querendo ir embora, eu também passei por aquilo. Eu falei que legal cara, isso é bacana. Então tem realmente o negócio de comunidade que é muito forte. E aí pensando assim um pouco no objetivo talvez do ImiGrandes é um pouco isso assim. Cara, tem, eu espero que o ouvinte ele ganhe alguma coisa, e aí quem é esse meu ouvinte? Ele é tanto um brasileiro que já está fora, que aí ele quer, ou ele quer mudar de carreira, ou ele quer fazer, ou ele quer empreender, etc., ou ele só quer ouvir uma história parecida com a dele para sentir, dar aquele calorzinho no coração, falar está bom, não sou só eu que passo por isso e tal. Então tem muito desse imigrante de fora. Tem também do brasileiro que, cara, tem esse sonho, tem essa vontade, esse desejo, essa inspiração, então o que eu faço também no meu podcast é trazer a real. Não quero só contar o sonho americano de que esse cara veio aqui com cinco dólares no bolso e agora virou multibilionário, vem todo mundo que você vai fazer igual, porque não é cara, a realidade não é isso, a vida não é isso.
Entrevistador – No free lunch, né.
Juliano – Teve uma meia dúzia de cara que fez isso? Teve. Mas cara, é meia dúzia entendeu? E também eu quero que esse cara, mesmo aquele cara que fez isso, eu quero que ele conte os perrengues que ele passou, eu quero que ele conte, cara, eu cheguei até aqui, mas eu trabalhei 20 horas por dia por três anos, cara, até eu chegar até aqui. Dá para chegar? Dá. Está disposto a fazer sacrifícios? Não. Ah, então muda, então repensa. Então esse é um pouco da comunidade. Tem um outro objetivo para mim, o convidado. Então assim, tem muito convidado que acaba sendo uma plataforma pra ele para ele expor a história, para expor… pra mim assim, não é, cara, eu não vendo nada, eu tenho patrocinador, como a gente falou, então assim, não é eu vender um produto e tal. Cara, conta a história dele, qual foi, o que você superou, o que você construiu, por que você saiu, o que você aprendeu, etc.? E aí, então tem essa vantagem do convidado, e eu espero cara que no futuro a gente possa construir uma rede onde um possa meio que ajudar o outro. Então, por exemplo, entrevistei alguém que tem uma churrascaria. Bacana. E aí tem um outro cara que ele começou a fazer linguiça caseira. Porque que, se são dois brasileiros e tal, porque um não ajuda o outro? E entrevista um cara que tem aquele mercadinho brasileiro, cara, olha só, você já tem um canal a mais para você distribuir ali, etc. Então conectar esses pontos é uma coisa que eu gostaria que o podcast alcançasse.
Entrevistador – Eu acho que esse grande lance, você já comentou aqui na conversa comigo, a gente não sabe o que vai dar um podcast, a gente não sabe quando a gente começa a fazer um conteúdo porque é uma coisa que move a gente, que está muito além de qualquer outra coisa. Para a galera entender aqui, são dois podcasts falando e eu acho que eu posso tomar a frente de falar isso por você, a gente não sabe o que vai dar. Mas a gente tem uma vontade de fazer. Só que existe uma coisa que vem diretamente proporcional ao quanto você se entrega a construção do conteúdo, de contar essas histórias, que é o network. Eu tenho certeza que o cara do mercadinho ele não esquece você, ele fala assim, cara, tem um cara que faz um podcast, um negócio profissional, bonitinho, organizado, com pauta, ele arrancou tudo o que eu precisava falar, se você quiser um pouco de inspiração, quer saber um pouco da minha história está aqui. E ele não vai esquecer nunca mais você. Então na primeira oportunidade de fazer algo relacionado ao que você pode fazer como comunicador, podcast, etc., ele vai te chamar, não tem outro caminho. Não necessariamente para você ganhar um dinheiro, para fazer um negócio. Mas chamar para você participar de alguma coisa legal porque você fez algo legal por ele. E eu acho que quando você me procurou para a gente falar da possibilidade de criar um podcast, a gente falou um pouco dos Estados Unidos e depois a gente entendeu que era o mundo todo, e aí o nome ImiGrandes, um negócio de pessoas grandes que imigraram, construíram suas histórias, eu fico amarradão nisso. Até a gente se conectou por meio de um podcast que eu conto a minha história também, e acho que aí que deu liga. E aí eu queria te perguntar um pouco sobre isso, as conexões, o network. Quando a gente vai empreender, para mim isso é primordial. O Gustavo que empreendeu e quebrou em 2013, em 2014, é completamente diferente do Gustavo que empreende hoje em 2022. A minha rede de contatos de network é absurdamente maior, a minha experiência é completamente maior, e aquele 5% que você falou que você ganha a cada entrevista, eu já ganhei há alguns anos também e eu me tornei um melhor pai, um melhor empreendedor, um melhor carreirista, o que for. E entendo que a minha empresa hoje ela vive diretamente proporcional ao que eu construí de network. Você como um cara que está nos Estados Unidos, numa cidade com uma família, já perto de completar uma década aí, você já empreendeu, você pensa em empreender, as conexões estão te trazendo resultados? Como é que está isso para você quando você decidiu ser o blogueirinho da Accenture lá? Eu queria saber isso de você.
Juliano – Cara, eu acho que assim, voltando um pouco sobre a discussão do que é empreender. Então, de novo, para mim, eu acho que eu empreendo todo dia, quando eu levanto da cama, eu vou fazer alguma coisa eu já estou empreendendo, estou tomando um risco de viver. Então a vida já é um empreendimento.
Entrevistador – É isso aí.
Juliano – Se eu vou abrir uma empresa ou não, cara, hoje eu não sei dizer isso, hoje ainda não está no meu planejamento, ainda tenho plano de carreira aqui dentro que eu quero, com alguns objetivos que eu quero seguir aqui dentro. E se um dia eu achar que é hora de mudar de ideia, cara, eu vou chegar nesse momento certo, eu vou, eu espero ter essa clareza de que está tudo bem mudar de ideia, esse plano chegou até aqui, daqui para frente preciso de um outro plano, eu mudo de ideia, vamos embora. Então respondendo à tua pergunta se eu quero empreender ou não, de novo, eu acho que eu já empreendo. Se a pergunta é se você vai abrir uma empresa ou não, quem sabe, pode ser, eu não sei, não sei pôr uma data, mas pode ser. Voltando à pergunta do network, para mim esse, pessoalmente, sendo bem egoísta, esse é o principal ganho do podcast. Porque não só estou conhecendo muita gente fantástica que eu entrevisto, que eu tenho possibilidade de bater esse papo aqui, etc., e aprender bastante. Mas cara, muita gente manda mensagem e fala: pô, gostei do seu podcast, achei isso aqui super legal, não sei o que. Isso dá também aquela aquecidinha no coração, etc.
Entrevistador – É legal. É legal demais.
Juliano – Muita gente que fala, bicho, cara, eu conheço um fulaninho que ele também tem uma empresa, não sei o que, vai lá falar com ele porque a história dele é animal. Então também é um negócio que vai ampliando horizonte, vai colocando o seu nome lá fora, etc. E tem uma coisa que eu queria falar também Gustavo, você falou do crescimento do podcast, usar como mídia e tal. E às vezes, cara, a gente, na maioria, ou sei lá, grande parte das pessoas, a gente é direcionado por reconhecimentos externos. E às vezes a gente tem uma métrica errada. Então quando a gente olha o podcast, por exemplo, a gente começa a olhar, se a gente começar a olhar o número de likes no Instagram ou o número de views no YouTube ou o não sei o que, cara, isso pode desmotivar quem está começando um podcast novo. Porque você está começando, na boa, é mar vermelho, entendeu. Assim, como eu falei, é muita gente entrando, tem muito conteúdo bacana disponível. Então assim, até você construir a sua comunidade, você se achar leva tempo, tem que ter persistência, resiliência, etc. Então a pessoa que se deixa guiar por métrica externa ela vai desistir com dois meses.
Entrevistador – A famosa métrica de vaidade, né.
Juliano – É isso aí. Então assim, cara, para mim o que vale é isso aqui, é riqueza desse papo, o que vale é o que eu estou extraindo de conteúdo, de aprendizado dos meus convidados. O que vale, para mim vale muito mais um áudio que eu recebo falando obrigado pelos episódios, que cara… Semana passada saiu com a Cíntia, que ela fundou um grupo de brasileiros aqui no Texas e dá apoio para quem está vindo para cá.
Entrevistador – Que legal.
Juliano – Então, a mulher está vindo para cá, o marido transferido, como que funciona a escola, como funciona não sei o que e tal. Cara, muita gente chegou na Cintia por ter ouvindo o podcast e aí muita gente falou, cara, obrigado, porque eu não sabia que isso existia, estava perdido, não sabia como é que era. Legal saber que tem alguém que pode me ajudar. E isso para mim vale 50 mil likes, entendeu? Porque é o que vem de dentro.
Entrevistador – E sabe o que é mais legal? Quem é a Cíntia da Califórnia, quem é a Cíntia de Nova York, quem é a Cíntia do Canadá? As pessoas vão começar a entender que existem pessoas dispostas a construir um business, ou até mesmo sem fins lucrativos, para ajudar pessoas. Mas não tinha a mínima ideia por onde começar, isso que é muito doido, cara, olha a conexão que você faz. Que eu tenho certeza que alguém chegou para você e falou assim: cara, você conhece uma Cíntia na Califórnia? Porque eu estou querendo ir para a Califórnia, não quero ir para o Texas. E ali você fala: não, eu não conheço, mas eu acho que a Cíntia conhece. Aí a Cíntia fala, olha, tem uma Mariazinha, um Pedrinho que faz isso lá. Isso que eu acho que é a grande mutação, sei lá, se a gente for dar um nome, é a mutação das conexões, que só faz para quem entrega coisas genuínas. Porque se eu te perguntar como é que você se desdobra para gravar a porra do ImiGrandes, eu sei que você se desdobra, porque você está entre uma reunião e outra, a gente está gravando agora aqui, você vai terminar, você vai se afundar em outra reunião que a galera está te esperando, e você dá o seu jeito e você acordou hoje com toda a disposição para gravar, assim como eu acordei. Então isso é uma coisa que ninguém sabe explicar, cara, como é que o imã da corrente do bem, aqui a gente usa muito isso, né, no Brasil, a corrente do bem, o podcast tem isso. Agora eu queria saber de você Juliano, nesses seis meses, o que você conseguiu colher de aprendizado? Se a gente abrisse a mochila do Juliano, hoje eu não vou abrir a minha mochila, no final eu vou abrir a minha mochila e você vai jogar lá dentro as suas dicas. Mas eu quero um conglomerado de dicas do Juliano. Se você abrir a sua mochila agora, nesses seis meses, o que você aprendeu de Estados Unidos, o que você aprendeu de mundo, o que você aprendeu com as conexões e as pessoas que você conversou, que você está carregando para você, vai transmitir para o Lucas, para a Bia, para a Renata e tem melhorado aí nos dias mesmo que conectado com todas as famílias, distantes das famílias, mas aquecido por toda essa rede aí?
Juliano – Legal, cara. Eu acho que assim, acho que tem várias coisas que eu aprendi, várias coisas que eu reforcei, que assim, já era meu, já tinha comigo, mas ouvindo as histórias, eu falei faz sentido isso aqui. Então acho que talvez, e aí é um misto dessas duas coisas que eu vou te falar. Tem uma coisa que é assim, tem que, acho que a gente tem que respeitar a cultura do lugar. Muita gente, cara, você vai morar fora e você não entende ou não gosta, etc., e não sei, cara, fala mal, ou não faz esforço para se inserir na cultura, etc. Então acho que fazer um esforço para você entender a cultura local e para você se inserir naquela cultura para fazer parte, isso ajuda muito. Porque de novo, cara, tem 2 milhões de brasileiros aqui, show, beleza. Mas cara, tem sei lá quantos, 300 milhões de americanos. Então, bicho, eu preciso ter um network maior, estar inserido numa comunidade maior. E bem o mal esse país me acolheu, acolheu minha família, então, cara, é o mínimo sinal de respeito que eu preciso passar para esse país. Acho que essa é uma coisa. Outra coisa cara é assim, acho que não teve nenhuma história que eu ouvi até hoje que não tenha um componente gigantesco de resiliência, cara, muita resiliência. Porque assim, eu só tenho duas certezas na vida, uma que a gente vai morrer, acho que essa ninguém duvida. E a outra que é assim, do dia que você nasce até o dia que você morre muita merda vai acontecer na sua vida. Então, vai ter muita coisa boa também? Vai, demais, demais, demais, mas também vai ter muita merda. Então assim, estar preparado para isso, ter, saber que isso vai acontecer, ter aquela perseverança, resiliência, saber que você vai chegar do outro lado, é uma história muito comum em todo mundo que vem encarar esse desafio. E a terceira é flexibilidade. Então, cara, esse mindset de poder, agora todo mundo fala pivotar, poder pivotar, mudar, tal. Mas cara, é isso, entendeu, assim, eu vim para cá com uma empresa, chegou um momento que eu vim para outra empresa. Tem gente que veio para cá para empreender em um negócio, quebrou, e empreendeu em outro. Tem gente que veio para cá, tentou três empreendimentos e foi dar certo no quinto. Então assim, essa maleabilidade mental, essa flexibilidade de saber se adaptar, mudar de plano, etc., acho que também é uma coisa que eu já tinha, mas reforçou bastante com as histórias que eu ouvi.
Entrevistador – E você sabe que isso vai te encontro total com o que eu converso no EmpreendaCast quando eu falo com os empreendedores dentro do país, é exatamente o mesmo comportamento. Por isso que a palavra empreender aqui ela está muito além de um CNPJ, de um CPF, a gente está falando desde a vida. Você sabe que você tocou num assunto do Lucas, da Bia, da criança ser argila. Argila, eu acho que você foi cirúrgico em usar o objeto argila. Recentemente, de um grande líder que eu trabalhei na SulAmérica ele usou comigo a palavra termoplasticidade, que seria você adaptar diante daquilo, mas é muito o que a argila faz sem o termo. Aí a adaptabilidade. E aí nasceu uma palavra, adaptágio, e tantas outras coisas que a gente vende como bus hoje, não é Juliano, você que está numa grande consultoria, e eu que trabalhei numa grande seguradora independente aqui do Brasil, sou envolvido no mundo da inovação, da transformação digital, parece palavras que são bus para você estar na onda. Mas são palavras tão antigas quando eu reparo no Gustavo empreendedor, se você reparar no Juliano com doze, oito, nove, quinze anos, na Cíntia, na Maria, no Pedro, são palavras tão velhas, tão enraizadas na história de quem tem essa essência, que a gente está esquecendo um pouco do que é arregaçar as mangas e fazer. A gente tem dado nomes bonitos para coisas antigas, uma roupagem toda diferente.
Juliano – Modernex.
Entrevistador – Modernex, né, eu sempre lembro do Didi Mocó de bermuda no skate, a galera fala assim, a sua empresa quer ser moderna assim. Cara, a termoplasticidade está ali, a adaptabilidade, o argila. O Murilo Gun fala de um negócio que vai de encontro quando você tocou na argila veio na hora na minha cabeça, a gente se acostumou a destruir a criança que nós somos. Você tem medo de errar aí, eu tenho certeza que você tem medo. Eu tenho medo de errar, eu tenho um pouco menos de medo, você um pouco menos, cada um sabe o tamanho do erro que pode tomar e da cadeira que tem. Mas a gente foi guiado a vida toda a entender não pode, não dá, é perigoso, só existe um Neymar, só existe um Elon Musk, só existe um Jeff Bezos, só existe um Jobs. E aí você vai sendo condicionado a dizer assim, cara, eu preciso viver dentro de qual bolha, da minha ou da do que construíram? E eu acho que quando você traz isso da conversa dessas pessoas que superaram, e quando você fala assim mesmo o cara, a frase que eu guardei aqui sua foi a seguinte, o mesmo cara que se tornou milionário, bilionário, eu quero que ele conte as cagadas porque é nas cagadas que ele foi argila. Porque quando está tudo de boa, Juliano, você está ligado, o salário está pingando, o dinheiro está lindo, a molecada está na escola, a cabeça começa a atrofiar. Porque você não tem, você não tem o exercício de adaptabilidade. E eu acho que você trazer isso com pessoas que toparam em ir para outra cultura onde, você colocou aqui como ponto principal para mim que é respeitar a cultura do lugar, que isso é algo muito difícil. Nós mesmos não respeitamos a nossa cultura como brasileiros e tailandeses, chineses, eu não quero colocar aqui nenhuma nacionalidade, a gente tem, o complexo do vira-lata existe em todo lugar. E a gente também tem dificuldade a se adaptar ao mundo, que é a bolha que foi criada no nosso país, explodir ela em outro. E às vezes aí que está o segredo, eu não cheguei a ouvir todas as entrevistas do ImiGrandes, mas eu tenho certeza de que o fato de ser um brasileiro que criou a argila dele, de repente a argila é um negócio até muito mais abundante no Brasil que em outros lugares. Depois eu vou até pesquisar sobre isso, dá para fazer uma ótima palestra sobre isso. Mas eu acho que os brasileiros que você vem conversando, se eles não tivessem esse toque de argila brasileira, eles não teriam as superações que eles têm, e talvez as coisas mais óbvias no Brasil são as não óbvias nos Estados Unidos. Porque quando eu vou nesse país, apesar de ser mega capitalista, mega oportunidade, megas outdoors, sales, sales, sales o tempo todo. Então Ju, eu dei toda essa volta para te dizer o seguinte, do lance da argila, da adaptação, que o fato de você colocar isso em várias conversas, o cara que parar para ouvir o ImiGrandes, e aqui eu estou dando um depoimento não é para convencer os meus sonhadores a todos ir lá e ouvirem você. Eu quero deixar bem claro para as pessoas do que a gente está falando. A gente está falando que no EmpreendaCast você tem uma reunião de tropeços, de dificuldades de pessoas que tentaram empreender nesse país que a gente está, e em alguns eu consegui fazer de outros países, mas uma reunião de Brasil, de estado, de dificuldades de impostos, das mesmas reclamações, mas das mesmas termoplasticidades para se adaptar ao mundo brasileiro. Quando a gente fala de ImiGrandes, eu queria te convidar a conhecer o mindset de pessoas que muito além de empreender, do business, tiveram que resolver as suas documentações pessoais, as suas documentações familiares, as suas decisões dentro de um conjunto às vezes até solitárias, que você deve ter entrevistado pessoas que chegaram sozinhas, e depois casaram e etc. Então, eu acho que se a gente reunir um pouquinho do MBA que está gravado no EmpreendaCast com o MBA que você está gravando no ImiGrandes, o cara, a mina que tiver condições de parar para prestar a atenção e tirar o melhor de cada um e colocar na mochila, é muito melhor que pagar muito curso de faculdade. Não é porque eu sou host do EmpreendaCast e nem porque eu conheço o Juliano. O que eu quero deixar para vocês aqui é a realidade nua e crua de como é tentar fazer algo do verbo empreender no geral, não é o verbo empreender de business, é o verbo empreender… eu nem sei como está no dicionário Aurélio a palavra empreender, depois eu vou olhar com mais carinho, mas é sobre isso. E quando você tocou no assunto argila e da criança que a gente destrói, é isso que a gente tem que desconstruir. Quando eu estou aqui na minha empresa, cara, eu larguei um salário maravilhoso, eu larguei um cobertor quentinho para fazer algo que eu amo e se você perguntar o meu nível de motivação ele é muito maior. Todos os caras que passaram no ImiGrandes, se você perguntar como é que ele está agora e se ele faria tudo de novo, eu tenho certeza que a resposta deles e delas seria sim. E se eu perguntar para você assim, Juliano, você faria tudo de novo? Você falaria sim. Esse que é o grande barato. Então, para você que está aqui com a gente até esse momento do podcast, o meu convite para você é cara, vá lá escutar essas superações, vai conhecer um pouco do que é ser brasileiro, do que é ter o borogodó, do que é ter as manhas. De vez em quando eu vejo essa postagem, não adianta ter faculdade, MBA, pós-graduação, se você não tem as manhas. Eu nunca vi um post tão claro e tão do que eu acredito como este. Agora eu quero saber o seguinte Ju, para os próximos seis meses, o que você está bolando, vem coisa nova, como é que está pegada do ImiGrandes, quando é que sai episódios novos? Explicar pra quem já está convencido como que é.
Juliano – Vamos lá. Cara, eu só quero voltar, eu quero responder uma outra coisa que você não me perguntou.
Entrevistador – Ah, perdão, desculpa.
Juliano – Não, porque assim, nesse comentário que você falou da argila, de empreender fora e tal, uma vez eu escrevi um artigo para o LinkedIn, acho que quando eu tinha, sei lá, dois meses de podcast, eu escrevi um artigo falando do que eu tinha aprendido, meio que esse resumo também, que eu aprendi podcast e tal, mexendo o cabeção. Eu coloquei, estou vendo aqui gente com resiliência, com adaptabilidade, com sonho de construir alguma coisa. E antes de publicar eu dei para uma amiga minha ler e falei olha, o que você acha e tal? Aí ela leu e foi muito honesta e falou assim: Juliano, eu achei bacana e tal, mas assim, qual é a diferença, entendeu? Assim, tudo isso que você falou o cara que quer empreender aqui no Brasil também tem. Entendeu? Se o cara aqui não tiver resistência a frustração, não tiver um bom network, não tiver resiliência, não sei o que, não sei o que, ele não vai sobreviver. Então, o que você viu de diferente no fazer isso aí? Aí eu precisei de mais uma semana para reescrever, para pensar esse negócio, né. E eu acho que no final do dia cara, você precisa ter as mesmas características. Eu acho que quem resolver empreender tem que ter essas características, assumir risco, resiliência, resistência, persistência, bababá. Eu acho que a diferença em se fazer aqui são duas. Uma, de novo, é um negócio cultural, você entender a cultura. Porque cara, no Brasil, toda segunda-feira você vai bater um papo com alguém, você fala da rodada do Brasileirão do fim de semana. Cara, aqui não tem isso, entendeu? Então assim, você precisa achar como entrar nessas coisas para você construir relacionamentos, etc. A segunda coisa é que é uma trajetória muito mais solitária, porque na maioria das vezes a pessoa, a família veio para cá e deixou todo o sistema de suporte pra trás. Então não é que você tem aquele tio para você ligar, aquele amigo, não sei o que, cara, você está aqui e é meio que isso aí. Então assim, a trajetória do empreendedor acho que ela já é meio solitária, mas quando você está no exterior ela é muito mais solitária.
Entrevistador – Mega solitária.
Juliano – E aí acho que pensando num aprendizado particular meu, a gente falou de família, que se eu tivesse que fazer diferente e tal, cara, é realmente o apoio a família. Porque, de novo, quando eu cheguei, principalmente no começo, sei lá, um ano, seis meses, cara, era naquela pegada trabalhando como se não tivesse amanhã. E aí a minha vida estava ok, acordava às 5 da manhã, ia para o trabalho, chegava em casa de vez em quando uma ou duas da manhã, etc. Mas minha esposa não, entendeu? Ela estava sozinha, ela deixou a vida dela lá, ela deixou o trabalho ela, as amigas dela, a rotina dela, etc. Então acho que assim, então para quem está vindo agora, ou para quem já está aqui e não parou pra pensar nisso, olha para o lado e tem um pouco dessa tensão para quem está junto com você, para a sua esposa, para os seus filhos ou para o seu marido, etc. Porque de novo, você precisa que eles estejam bem porque eles vão ser o teu suporte quando, em todos os momentos. Então, desculpa o parênteses, agora voltando aqui.
Entrevistador – Tranquilo, ótimo, foi primordial pra gente entender, que é mais embaixo.
Juliano – Voltando de planos, cara, acho que é assim. Eu falei com você quando a gente começou e estou reassumindo o meu compromisso aqui, eu assumi um compromisso de fazer o ImiGrandes por um ano, né, então estamos na metade, então para mim é uma marca, é um milestone, e cara, tem mais seis meses. E aí depois eu vou reavaliar honestamente se consegui o que eu queria, estou aprendendo, ainda está me desafiando, ainda está sendo um negócio bacana? Aí eu repenso, mas não tenho problema nenhum se eu achar que, cara, consegui o que eu queria, é hora de parar, deu, não tenho problema nenhum em parar.
Entrevistador – Vira um livro.
Juliano – Vira um livro, é. Mas o que eu quero para esses próximos seis meses? Ainda é continuar crescendo nessa comunidade e adicionando valor para quem está vindo aqui ouvir a gente. Então ainda tem episódio toda segunda-feira, garantia, toda segunda-feira vai estar o ImiGrandes no ar. Então eu vou dar uma pegada um pouquinho mais diferente assim, eu fiz uns episódios agora, meio que de apoio à comunidade, então teve esse com a Cintia que foi superbacana, teve um que saiu também no meio de agosto que foi com o Consulado Brasileiro, o cônsul brasileiro aqui então explicando como é que eu ajudo o brasileiro, etc. Eu vou fazer um episódio daqui a alguns dias com um cara que tem uma fundação, ele veio para cá, brasileiro, e fundou uma fundação que apoia pessoas que precisam de transplante de medula óssea. Cara, um empreendedor do terceiro setor. Então eu acho que eu vou começar a ampliar um pouco o meu horizonte a não só empreendedorismo, abrir uma empresa, abrir um mercado, uma padaria, uma startup e tal, mas cara, esse conceito mais amplo de empreendedorismo, seja em terceiro setor, etc. Ou talvez até, vou trazer um outro executivo para contar um pouco da história pessoal dele, cara, como foi pra ele crescer na carreira aqui nos Estados Unidos, com o que foi pra ele, ele ou ela, quais são as diferenças, se é que há alguma entre crescer uma carreira no Brasil e crescer uma carreira aqui e tal. Então eu acho que é um pouco essa pegada que eu vou. Ainda com tema central de empreendedorismo, só que ampliando um pouco o espectro.
Entrevistador – Perfeito. E aí eu queria saber de você o seguinte, tem outras pessoas que vão se inspirar no Juliano que está aqui e vão querer montar os seus podcasts, quem está na França, quem está na Austrália, quem está no Brasil, quem veio pela minha rede, quem veio pela sua e falou assim, também vou fazer um podcast. Vem, a primeira coisa é venha, faça, comece com o seu celular, comece com as suas coisas. Mas um dos medos que eu mais recebo aqui, Juliano, eu não sei se a gente chegou a conversar sobre isso, alguns clientes meus a gente conversou. Como é que o CNPJ que você está lida com esse lado Juliano comunicador, podcaster? Eu quero saber o seguinte, para a Accenture, esse podcast e esse comunicador que você se tornou foi um problema ou foi um benefício para a empresa? Porque essa é uma das grandes travas que muita gente me procura e fala assim: ah, mas se eu começar a fazer isso a empresa que eu estou vai bloquear. Como é que foi pra você?
Juliano – A Accenture ela tem um, acho que ela tem um negócio super bacana que é de give back, que é também, é de fazer alguma coisa para a comunidade, de estar inserido nas suas comunidades. Então a gente aqui tem vários, como se fosse, eu falei que eu não sei mais falar português direito também assim…
Entrevistador – Não, fala que eu tento traduzir, na minha mediocridade.
Juliano – Então alguns grupos de funcionários, tem o grupo LGBTQ, tem o grupo de…
Entrevistador – Grupos de afinidades a gente chama aqui.
Juliano – É, grupos de afinidades, obrigado. É que quando eu saí do Brasil não tinha isso, tem isso também.
Entrevistador – É verdade, isso é novo.
Juliano – É, tem os grupos de afinidade, então tem o grupo de afro-americano, de hispânico, militar, etc., etc., Então a Accenture apoia isso, apoia você está inserido na sua comunidade. Então para mim o que eu estou fazendo é eu estar inserido e inserir o nome na empresa e na comunidade brasileira aqui nos Estados Unidos, ou globalmente. Então acho que essa é a primeira coisa. A segunda coisa é que assim, no final do dia a gente trabalha com resultado. Então assim, cara, se eu estou entregando, se eu estou entregando o pão no final do dia, cara, é isso, entendeu? Assim, não vem, eu fui contratado ou eu fui, eu estou aqui para entregar alguma coisa, e não é para chegar num horário A e sair num horário B. Tem gente que o trabalho é esse, tem gente que o trabalho é por hora e aí não tem jeito, mas o meu não é assim. E tem uma terceira coisa, cara, que é assim, aí para mim acho que não tem muito a ver com a Accenture, mas é entender que a gente como ser humano a gente é um só, e o trabalho ele é parte de você. Muita gente vive pelo trabalho e acaba que o trabalho é assim a principal motivação, muita gente fala: você conhece o fulano do Banco do Brasil? Então o emprego do cara vira o sobrenome, etc. Mas acaba que a sua vida fica meio vazia, cara, fica meio tipo, um dia você vai ser mandado embora, um dia você vai perder o emprego, um dia você vai querer fazer outra coisa. Então assim, se você ancorar a sua vida só naquilo, de novo, quando der merda você vai sentir um vazio muito grande, e isso pode ter levar a ter outros tipos de problema. Então se você consegue criar uma vida onde você põe, onde você entende que a sua vida é maior do que isso, você consegue complementar ela, cara, eu tenho o meu trabalho, mas ele é parte da minha vida, mas eu também tenho a minha família, eu também tenho os meus hobbies, também tenho os meus sonhos, também tenho os meus desejos pessoais. O segredo é como, o quanto de recurso, e aí recurso é tempo, você vai alocando para cada uma dessas coisas. Tem hora que você vai pender mais para um lado, tem hora que você vai pender mais o outro. Mas o importante é você ter essa visão holística, pelo menos é a forma como eu vejo.
Entrevistador – É legal você colocar isso porque é justamente no final que eu explico para todos, eu falo assim, cara, se você for respirar, você tem 24 horas do dia, por 8 horas você dorme, por 8 horas você trabalha, pelas outras oito horas você faz o que você quiser. Sendo que se você tem 30 anos você dormiu 10, você trabalhou 10, e você fez o que você quis por 10 anos. Lógico, eu fiz Uma matemática mais simples aqui, nem todo mundo começou a trabalhar aos 20 anos, nem todo mundo começou a trabalhar até antes e por aí vai. E eu sempre falo assim, cara, o que você vai construir, uma palavrinha que você usou lá no começo, quando você chegou nos Estados Unidos, qual a construção do legado? O que você vai deixar daqui para frente? Eu vou deixar uma boa história nas empresas que eu passei, nas empresas que eu tentei construir, nos funcionários que eu tive, nos amigos, nos laços familiares, nos shows que eu fui, e no mundo que eu vivi. Aí está envolvendo até como você usa a água, como você usa o planeta, como você faz tudo dessas 24 horas que você consome dentro do dia. E aí eu falo para o cara assim, ou para a mina, de verdade, você vai deixar alguma coisa bloquear esse um terço que você tem para fazer o que você quer, o que você vai fazer com isso? E aí tem cada um fazendo de uma forma. Fiquei muito feliz e vou conferir o episódio do cara que montou uma fundação de uma parada tão sensível que é o transplante de medula óssea, a gente que é pai a gente quer distância dessa conversa dentro da nossa família, a gente não quer pra nós, não quer pra ninguém, não quer para um amigo. E o cara arregaçar as mangas para contar isso, com certeza tem muita história por trás. Juliano,, cara eu queria te agradecer dentro do nome da podosfera por você ter se jogado e ter feito esse compromisso de um ano. Eu queria saber agora de você, agora é o Gustavo, chega de falar de ImiGrandes, chega de falar de EmpreendaCast, eu quero vestir aqui o chapéu de Gustavo. Se eu pegar as minhas coisas hoje e ir para os Estados Unidos ou qualquer outro país, qual o conselho que você me daria, para quem tem um sonho de morar no exterior, que é uma verdade para mim, para a minha esposa e para a minha família. Qual o conselho que você me dá além de toda essa aula, se você pudesse deixar mais alguma coisa aqui na minha mochila de coragem, o que você deixaria?
Juliano – Cara, acho que a primeira coisa é aprenda a língua. Assim, parece ser básico.
Entrevistador – É primordial o inglês, né?
Juliano – Parece ser básico, mas tem muita gente que vem para cá sem saber falar e não faz um esforço para falar, e enfim, isso te limita bastante.
Entrevistador – E fica difícil.
Juliano – Te restringe bastante. É meio que baseline, para onde você for, aprenda a língua. Por mais difícil que seja, cara, eu vou para a China, é impossível aprender chinês em menos de dez anos, aprende como fala obrigado, entendeu, aprende como falar por favor, meia dúzia de coisas, para ti… isso quebra o gelo também, para você construir relacionamento. Acho que essa é a primeira coisa. A segunda coisa é o que eu te falei, cara, saiba que você vai passar por momentos que talvez você vai querer desistir, talvez você vai repensar a sua decisão. E aí, de novo, eu e a Renata a gente teve várias discussões durante a madrugadas tipo, eu quero embora, chega disso aqui e tal. E aí você tem que voltar muito no seu porquê. Aí você fala, não cara, por que a gente veio pra cá, por que a gente está aqui, o que a gente quer? A gente veio para cá por um motivo, a gente não estava fugindo de nada nem de ninguém, tinha uma razão.
Entrevistador – Não estava o país em guerra.
Juliano – É, então, ter muito claro esse porque você está fazendo esse movimento. Escreve ele, porque quando der pepino você pega lá e fala: espera aí, lembra que a gente está aqui por causa disso. Então vamos passar por essa dificuldade aqui que lá na frente a gente quer isso aqui. E o terceiro, mas não menos importante, para ficar só em três, cara, constrói aqui o seu network, a sua comunidade, acha gente para você se apoiar. Porque, de novo, a jornada ela é solitária, então já que você não tem a sua família, os teus amigos originais aqui, venha disposto, venha aberto a querer conhecer gente nova, a querer começar de novo. Tenha essa mentalidade de cara, ok, preciso começar de novo. Ok, preciso começar de novo, vamos embora.
Entrevistador – Normal, vamos nessa.
Juliano – Normal.
Entrevistador – Deixa a criança que existe em você começar de novo, né. Muito bom.
Juliano – Eu vou ficar só em três só para o pessoal conseguir lembrar, mais de três o pessoal esquece.
Entrevistador – Não, e te acompanhar também. Agora, eu queria ir para umas rapidinhas aqui, eu não queria te largar, mas eu sei que eu preciso te largar para as reuniões aí, para os seus compromissos. Mas eu vou fazer aqui uma rapidinha com você. Antes de fazer uma que já estava aqui no meu radar, eu quero saber o seguinte, o que fazer em Patrocínio, Minas Gerais, que eu tenho que, o dia que eu pisar lá, eu preciso conhecer?
Juliano – Cara, vai na Casa de Carne 5 Estrelas, procura pela dona Isabel e vai comer um pão de queijo na casa dela, cara, que é o melhor pão de queijo do mundo.
Entrevistador – Dona Isabel Godoy é isso eu estou entendendo?
Juliano – É isso aí.
Entrevistador – Agora, quem nasce em Patrocínio é um patrocinado ou não?
Juliano – Cara, quisera era, bicho. Mas não, é um patrocinense.
Entrevistador – Patrocinense, muito bom. Agora, o que que você sente falta do Brasil além de Patrocínio, dona Isabel e o pão de queijo dela?
Juliano – Cara, essa resposta eu não vou dizer clichê, mas de 90% do pessoal que eu ouço aqui e acho que pra mim é verdade, é família, não tem jeito, é estar próximo do meu irmão, dos meus pais, etc., dos meus filhos poderem ter esse contato também, de não ver os avós só pelo WhatsApp e tal. Então, de novo, tudo na vida é escolha. Essa que eu sinto falta.
Entrevistador – Essa dá uma doída, né. Agora, já que você está perto de completar uma década nos Estados Unidos, a gente, na verdade já completou, não, que você está morando não…
Juliano – Não, eu faço em junho do ano que vem.
Entrevistador – Junho do ano que vem você faz uma década. O que você não vive sem nos Estados Unidos? Além de pagar barato no hold, no fone e nos eletrônicos, o que mais que você não consegue viver sem aí na terra do Tio Sam? Mas especificamente eu queria que você falasse dos Estados Unidos e do Texas.
Juliano – Cara, eu acho que isso é geral aqui, mas é exacerbado no Texas, pelo menos onde eu estou assim, eu tive sorte o suficiente de conseguir morar num lugar que me dá muita segurança. Então assim, ter essa tranquilidade. O meu filho vai de bicicleta para a escola, assim, e aí eu sei que ele vai, eu sei que ele vai voltar, eu sei que a bicicleta vai estar lá quando ele voltar. Eu consigo, eles podem brincar aqui na rua, entendeu, uma coisa aqui no Brasil eu já não tinha mais, morava em lugar que aí tinha guarita, não sei o que. A minha esposa quando levava as crianças, cara, tinha salto na frente da escola. Então assim, essa segurança já não tinha mais no Brasil. Tem um lado que tem que ficar atento todo dia, por exemplo, você precisa dar um susto na molecada. O meu filho saiu, foi na casa do meu amigo e largou a bicicleta na rua, fora da garagem. Aí eu falei vou dar uma lição nele, aí escondi a bicicleta e fiz ele passar, cortar um dobrado. Falei: cara, roubaram a sua bicicleta. Não é possível, como é que roubaram a minha bicicleta?
Entrevistador – Que absurdo.
Juliano – Pois é, cara, é agora? E agora? Vai ter que trabalhar para comprar outra. Deixei ele uma meia hora desesperado, rodando aqui. Aí depois: olha, aprendeu a lição ou não? A próxima vez pode ser que não seja eu. Eu sei que a gente está, tem sorte, está num lugar privilegiado, mas também tem que estar ligado no mundo.
Entrevistador – Sim. Agora eu vou te pegar de surpresa, mas você que já escutou o EmpreendaCast sabe, tem um quadro que eu vou trazer aqui para você, que você que está ouvindo o ImiGrandes, que é o grande limão da vida. A gente já sabe que você tornou de alguns limões uma limonada aí nos Estados Unidos. Mas eu queria que você destacasse um limão que não virou limonada, que você aprendeu e só foi para a sua janelinha de aprendizados lá, a sua escadinha de aprendizados. O que você me deixaria como um grande limão da vida que você não faz mais e aprendeu?
Juliano – Quando eu vim para cá eu não, acho que eu não estava, acho que eu não estava preparado para lidar com as minhas, sei lá, as minhas finanças no mundo internacional. E aí o negócio, de novo, a gente cresceu no Brasil com taxas altas e assim, para ganhar dinheiro você não precisa fazer muito esforço, põe num CDI, num CDB e você ganhava 15% ao ano, etc. E eu acabei, vindo para cá não é assim, é juros zero, é outro mundo. Então acabei fazendo umas cagadas grandes com investimento. Teve um impacto grande na minha vida. Não virou uma limonada porque eu não recuperei, então assim, foi uma paulada gigantesca que teve impactos em várias outras áreas da minha vida, etc., não vem ao caso aqui, tem que gravar outro podcast. Mas acho que esse foi o limão, cara, realmente eu fui mexer com coisa que eu não sabia.
Entrevistador – E vale demais para quem está ouvindo tanto o ImiGrandes quanto o EmpreendaCast, que o planejamento financeiro e onde você aplica aquela receita que você conquistou, seja com o seu CNPJ, com o seu CPF, ou até mesmo vendendo limonada na frente da sua casa, que é muito comum nos Estados Unidos, que você aplique bem isso. Então ótimo o limão que você trouxe porque é desse que a gente gosta. As vezes a gente até se encolhe pra falar da vida financeira e às vezes pode salvar alguém de uma decisão que está tomando agora. Ótimo você ter trazido isso. Agora é o seguinte, eu abri a minha mochila, beleza, ela já está lotada de ImiGrandes, ela já está lotada de histórias, de aprendizados, mas eu quero colocar um cantinho. Além do Mental Health, que está atrás de você ali, aquele livro, que deve ser uma recomendação sua, eu queria saber o seguinte, o que eu coloco dentro da minha mochila que é do Juliano?
Juliano – Cara…
Entrevistador – Podcast, livro, série, qualquer coisa que vier na sua cabeça. Pode ser até uma dica da Bia ou do Lucas ou da Renata, tá, mas eu quero levar um pouquinho de Godoy na minha mochila.
Juliano – Cara, eu acho que eu vou te recomendar dois livros. De novo assim, eu passei por bastante coisa que a gente não explorou aqui, também não é o foco, mas saúde mental é um negócio que para mim que faz bastante, faz parte da minha vida agora, coisa que eu acho que eu negligenciei por muito tempo. Então eu entendi que, de novo, voltando aquele negócio de ser um ser humano inteiro, cara, se a minha cabeça não estiver no lugar nada mais vai estar. E aí fazendo um gancho também com a pergunta que você me fez do limão, de não saber, do que eu fiz e tal. Cara, eu li dois livros que mudaram a minha vida, acho que um é esse aqui, que é a Psicologia do Dinheiro, com Morgan Housel. E o outro, esse aqui é mais difícil de ler, mas também é tão melhor, tão bom quanto ou melhor ainda que é esse aqui do Daniel Kahneman, que é Pensando Rápido Devagar. Esses dois livros mudaram a minha vida, cara, porque assim, um pouco, voltando do limão, da cagada que eu fiz, foi por não me conhecer, por não saber…
Entrevistador – Autoconhecimento.
Juliano – É, psicologicamente o que estava acontecendo. Então foi muito de viés, foi muito de viés comportamental que me levou a tomar a decisão ruim. Então entendo, hoje eu entendo que assim, finanças ela é muito mais comportamento, muito mais psicologia do que matemática. Então acho que me conhecer me ajudou muito. Então recomendo aqui esses dois livros para quem tiver interesse.
Entrevistador – Que delícia ouvir isso de uma economista, que recentemente eu aprendi que economia é muito mais humanas do que exatas, né, a parada é muito mais humanas do que exatas. Isso é um descobrimento aí aos 35 anos, eu aprendi com 34, a prestar atenção nisso. Eu quero saber de você, cara, para quem está agora terminando esse episódio pelo EmpreendaCast, onde ele corre pra te encontrar, pra trocar uma ideia, pra te chamar no LnkedIn, e quais são as redes, e como é que você está digitalmente localizado?
Juliano – Bom, acho que primeiro graças a voz e conteúdo eu estou em bastante lugar agora, então… Cara, eu estou no YouTube, estamos lá com o canal ImiGrandes, cuidado com isso aí, é ImiGrandes mesmo, um imigrante grande. LinkedIn também, o meu LinkedIn é juliano Godoy, fácil de me achar, Godoy com Y. Facebook também, o Facebook tem o meu Facebook, tem o Facebook do ImiGrandes. E no Instagram, o Instagram é @jg.julianogodoy. E acho que é por aí. Aí obviamente todo o podcast que a gente falou, Spotify, Google, Apple, aonde você ouve o seu podcast o ImiGrandes está lá, pode mandar mensagem pra mim, eu vou fazer o meu melhor para responder, da meia noite às 3, etc. Mas é isso aí, você me acha em bastante lugar agora, acho que até mais do que eu gostaria.
Entrevistador – Perfeito. E o que você achou dessa conversa, desse bate-papo assim? Eu estou saindo daqui anestesiado de Godoy. O que você achou disso?
Juliano – Cara, primeiro te agradecer Gustavão. Cara, te agradecer pelo incentivo no começo, pelas dicas, por mostrar pra mim não só o que eu teria a ganhar fazendo esse podcast, mas também o que eu teria que passar, as pedras no caminho. Então, cara, sensacional, obrigado por topar essa parceria também. Obrigado por aceitar esse convite. Eu percebi que cara, a gente está fazendo seis meses, e aí quando eu comecei o ImiGrandes era a minha mãe e a minha esposa ouvindo. Então não precisava muito contar a minha história e tal. Agora é minha mãe, minha esposa e deve ter mais uns quatro ou cinco, então para esses quatro ou cinco que estão chegando agora acho que é bom também saber um pouco de mim, quem eu sou. Então eu queria te agradecer bastante por topar esse negócio aqui. E cara, eu acho que, eu não sei, eu acho que eu gosto mais de estar desse lado aí, eu gosto mais de fazer pergunta, é mais confortável.
Entrevistador – Olha, e vou te contar, é lógico que aqui a gente não abordou tudo e foi proposital, isso é um segredinho que eu queria guardar para você. Se a gente tivesse aprofundado muito na sua história a gente ia perder a chance de fazer um episódio de um ano e de fazer comparativos do Juliano de hoje com o Juliano de dez anos atrás e com o Juliano daqui seis meses. Então para você ouvinte do ImiGrandes, a profundidade das conversas e das perguntas do Juliano foram propositais para que você continue no ImiGrandes entendendo um pouquinho de cada coisa que ele vai entregando lá também. Eu costumo dizer para as pessoas que se você começar a ouvir o EmpreendaCast agora você não vai saber muito sobre mim se você não ouvir tudo, porque eu conto um pouquinho a cada episódio. Eu conto um pouquinho a cada entrevista. Não é não é estratégia de distribuição de conteúdo, é porque a gente aprende tanto a cada 24 horas que é impossível a gente abordar tudo. Então eu espero que você ouvinte também do EmpreendaCast tenha curtido e conhecido um cara que tem uma equipe imensa, um monte de gente trabalhando de todos os tipos, de todas as vontades, de todos os gêneros, de todos os interesses, de todas as afinidades. Tem um cara que está em outro país, que está construindo uma história e está contando a narrativa de outras pessoas. É legal você também se abrir a conhecer esse tipo de coisa e também se jogar. Devem ter muitos outros Julianos que me escutam que precisam tomar algum passo, estão com medo, ou já quebraram e talvez aprenderam um pouquinho aqui como fazer certo. Eu acho que o pouco que a gente conversou, a gente vai conversar mais pessoalmente, eu devo te visitar aí com certeza no Texas e dar um rolê aí para te conhecer, é parte do que eu quero, eu amo viajar e conhecer outros países, outros lugares, principalmente quando tem um brazuca lá que é show de bola, Claro que eu não te perguntei, você é Atlético ou Cruzeiro?
Juliano – Cara, eu sou Santos.
Entrevistador – Você é Santos, muito bem. É um legado também sobre exposição e ser um grande comunicador. O Santos fez isso bem na época que você era moleque.
Juliano – É isso aí.
Entrevistador – Muito bem. Olha só, para você que está no ImiGrandes e quer conhecer o EmpreendaCast, todas as plataformas, @empreendacast, cola lá para a gente trocar uma ideia, são histórias empreendedoras, mas principalmente o Gustavo, que está documentando o que é empreender também na minha vida. Eu espero que você tenha gostado e curtido esse podcast, esse episódio assim como eu. E todas as plataformas na descrição desse episódio, tanto do EmpreendaCast quanto lá no ImiGrandes, para a gente se encontrar. Também tem vídeo, tem YouTube, tem Instagram. Eu vou tirar uma foto aqui no final com o Juliano para a gente soltar no LinkedIn, que a gente tem uma rede muito forte também lá no LinkedIn. E para você que não conhecia nenhum dos dois e conheceu agora, comenta no meu direct como é que foi, comenta no direct do Juliano. Se você é meu ouvinte e está indo lá para o Juliano, conta para ele que você veio do EmpreendaCast, e se você veio do ImiGrandes, conta pra mim que você veio de lá, até pra a gente entender que nesse mundo dos podcasts fazer o cross também é parte crucial para a gente crescer as nossas conexões. Juliano, obrigado imensamente e um beijo para Lucas, Bia, Renata. Deixa uma mensagem para eles que vão ouvir esse podcast e a dona Isabel também, que está lá em Patrocínio, deixa uma mensagem para eles e a gente finaliza com a sua mensagem. Até a próxima e tchau.
Juliano – Cara, a mensagem pra eles é igual a mensagem para todos os ouvintes, vai lá, ouve o episódio, dá um like, comenta e compartilha.
Entrevistador – Muito bem. Solta na sua rede. Valeu.
Juliano – Gustavão, obrigado, cara.
Entrevistador – Obrigadão a todos os ouvintes. Até a próxima.
